Vai um churrasquinho aí?

Voltávamos da escola. Pequeno, tagarelando como sempre.

Percebo que no boteco da esquina de casa (boteco mesmo - chinfrim, como diria no linguajar popular) estava acontecendo um "evento" (bem entre aspas mesmo). Uma marca de cerveja estava promovendo um brinde especial. Quem comprasse uma cerveja, ganharia um  famoso, suculento e cheiroso churrasquinho de gato. Havia até uma churrasqueirinha (muito popular aqui no RJ), adornada com a marca da cerveja e um moço (o churrasqueiro)  com avental e até estava usando um chapéu de cozinheiro. Tudo com o logotipo da loirinha estampado propositalmente de maneira gigantesca.

Ao chegarmos próximo ao boteco, Pequeno já começou suas saudações aos "amigos de toda a vida" (ele conhece quase todos os frequentadores assíduos do local).

Esticou o polegar pra cumprimentar ao primeiro e, num tom de confiança, diz - com o polegar esticado:

- "E aí, tudo bem?"

Logo, mais adiante, encontramos um de nossos porteiros - era o dia de folga e, como em todos os seus dias de folga, fez uma paradinha no point da rua.

- "Oi, boa tarde! Tu não vai trabalhar hoje, não?"

O porteiro sorriu e respondeu que hoje ele não trabalhava.

Numa mesa seguinte, quase ao final do bar, outro amigo bebum do Pequeno.

- "Oi! Tudo bom?"

- "Tudo, meu amiguinho. E você, estudou muito?"

- "Muito ...", respondeu o Pequeno.

Atravessamos a rua. Percebo que Pequeno tem um certo ar de desapontamento.

- "O que foi, filho?"

- "Mãe, tu viu?! Todos aqueles são meus amigos."

- "Aham."

- "Poxa! E nenhum deles me convidou pra comer um churrasquinho."

Tive que sentar no parquinho. Não conseguia parar de rir.

Nosso menino está cada vez mais carioca :)

2 comentários:

  1. PÔ Tia Tati, por que tú não chegaste no buteco e comprou um churrasquinho pra ele, derrepente ele se chegava e poderia compor uns sambinhas com os amigos dele kkkk

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