Pois é. Não deu para arrumar a rodinha da mochila do Pequeno (pelo menos não em casa, mas ainda não desistimos da idéia).
Buscamos mochilas por todos os lugares: lojas dentro e fora dos shoppings, no centro da cidade, pela internet. O resultado foi sempre o mesmo: um ab$urdo de preços.
Por aqui as lojas "dizem" estar num momento de liquidação. Vejo adesivos enormes nas vitrines convidando os consumidores a entrar para usufruir de "até 70% de desconto". E tem gente que acredita ...
Para resumir: sim encontramos uma mochila para o Pequeno. Foi a mais próxima de nossas intenções que achamos: razoavelmente boa (resistente), não muito grande mas com espaço suficiente para carregar tudo o que Pequeno tem que levar para escola, bonitinha e que Pequeno gostasse. E, não menos importante, com um preço em conta. Para meu gosto não foi muito barato, mas a verdade é que de todas que vimos, foi a que se encaixou perfeitamente em todos nossos quesitos.
No final, saí da loja com raiva até.
A mochila antiga do Pequeno foi comprada há dois anos, na Itália, quando fomos visitar a nonna. Uma mochila muito boa, material resistente, bonitinha, aguentou 2012 e 2013 (e olha que cuidado com a mochila, por parte do Pequeno, é quase zero). E pagamos 20 Euros. Foi em promoção? Foi. É que lá as promoções realmente fazem jus ao nome.
Não querendo ser pessimista, mas já sendo, aqui no Brasil é tudo muito desesperador. Até o simples ato de comprar mochila nos deixa deprimidos.
É impossível para nós não fazermos comparações. Mas a nossa realidade assim o pede: é a mochila que tem uma qualidade infinitamente menor e custa muito mais, é o preço do alimento que está um absurdo, é o preço da moradia (pago mais aluguel aqui que em Roma e a qualidade da nossa casa não tem nem comparação - dá até pra chorar!), transporte público (apesar de que aqui no Rio, tenho que ser justa, funciona até que bem), educação para meu filho que lá tinha de qualidade e gratuita aqui pesa no bolso todo mês, saúde que lá eu tinha privada mas também tinha direito a gratuita e muitas vezes usava e funcionava muito bem - aqui temos privada (não dá para ser de outro jeito) e mesmo assim funciona mais ou menos (quase tive que implorar para fazer um exame de emergência), lá deixávamos nosso carro estacionado na rua sem a preocupação de se "vão roubar ou não" ... aqui nem carro temos.
Posso futricar mais na ferida? Ok, então. SEGURANÇA. Aqui impera justamente a falta dela.
Não vou generalizar, mas quero falar da nossa realidade. Rio de Janeiro está inseguro demais. Você que está lendo aí do outro lado da tela deve de estar pensando: "E quando foi seguro?". E se eu falar que era? Ou ao menos assim eu sentia. O fato é que desde que chegamos por aqui (1° de março fará 2 anos) é a primeira vez que começamos a nos sentir inseguros. Em nosso bairro e no bairro vizinho, o Flamengo, por exemplo, o número de assaltos aumentou mais de 200% com relação ao ano passado. Adoramos o Flamengo! É o bairro onde gostaríamos de morar, é o bairro onde vamos fazer caminhadas, andar de bicicleta, onde vamos almoçar nos domingos, onde o Pequeno faz natação, etc. Mas não nos sentimos mais seguros fazendo nada disto, pelo menos não o fazemos tranquilamente. Na semana passada, a uma quadra da minha casa, teve tiroteio por conta de um assalto.
As ruas estão cheias de "di menores" que se sentem livres para a bagunça, pois tem uma única certeza: a impunidade. Sei de situações ridículas: os "di menores" pegos em um assalto, levados para a delegacia, debochavam da vítima: "aí, otário! Sê vai ficar maix tempo aqui fazendo o regixtro do que eu. Saio daqui da pulícia antex de tu". Revoltante, né?!
Revoltante. E aí entro em outra realidade carioca do momento: a revolta. Chegamos num ponto em que as pessoas começam a fazer "justiça pelas próprias mãos". O povo já não tem mais confiança na polícia, menos ainda na justiça (porque se a polícia pega logo a justiça solta) e passam a agir por sua própria conta e risco ... só esquecem que passam a ser tão injustos e violentos quanto os outros.
Viciados em crack? Nunca vi tantos em toda a minha vida. Vejo crianças, vejo mulheres grávidas com corpos esqueléticos perambulando pelas ruas em busca de ... nada. Eu sinto pena. E sinto raiva. Me sinto inútil.
Com certeza dentro de alguns meses teremos mais segurança nas ruas, afinal, olha a Copa aí gente! Foi assim quando veio o Papa. Foi maravilhoso ir a pé da minha casa até Copacabana, passando por dois túneis e me sentindo feliz e super segura. Mas o Papa foi embora e tudo voltou ao (a)normal. Precisamos fazer aquela faxina às pressas, enfiando a sujeira debaixo do tapete para deixar tudo aparantemente limpo, afinal, precisamos dar boa impressão para "os gringos". Depois eles irão embora e pensaremos num próximo faxinão lá pra 2016.
E quem se importa que em outubro tem eleição? O povo já perdeu a crença e muitos, até, a esperança. "Vai ser tudo igual ... não vai mudar nada ... é sempre assim ... vai ser sempre assim ... nenhum presta". E ainda me perguntam porque ando tão pessimista!
Eu não quero Bol$a Família, eu não quero cotas de acesso, não quero meia entrada. Tudo isso seria até válido, mas seria mais importante ter qualidade de vida, segurança, saúde e, sobretudo, educação de qualidade e gratuita.
Mas aí já seria demais, né?!
Ok. Chega. Tenho que ir lá arrumar uma mochila.
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| Pequeno, de look e mochila novos |

Lindão o Pequeno indo pra escola....
ResponderExcluirBons ESTUDOS!!!!
Olá minha querida.
ResponderExcluirSinto muito te ver escrever com tanto pesar, e o pior não poder te dizer que estás exagerando, que não é bem assim etc e tal as dificuldades estão em toda parte.
Mas não perca a esperança de dias melhores,...Um grande beijo pra vocês. Da tia Eliane.
E se eu falar que a mochila já estragou?
ResponderExcluirGrrrrrrrrrrrrrrr
Me perdoe : não concordo com a sua tia ( kkkk)
ResponderExcluirNada mais é feito para durar. Eu comprei uma mala para viajar e já estragou. Entendo bem o seu sentimento:nada dura...
Quanto à sua visita ao meu espaço,eu sei que é em frente ao seu eifício. Mas,faz o seguinte. Volta ao mim e compartilha no face e no google. Vamos colocar a boca no trombone !!!bjcas
ResponderExcluirÉ tão triste ler essa realidade sobre o nosso país, não?? Muito mais triste é não ter vontade nenhuma de voltar para o berco em que nasci, o que me deixa desanimada pq gostaria muito que meus filhos tivessem essa reflexão, de um dia poder voltar, estudar, fazer um intercambio, mas essa inseguranca… Isso me mata. Mesmo de férias no Brasil o radar é ligado 24 horas, alguém pode te assaltar a qualquer hora no sinal em plena luz do dia, matam as pessoas pelas minimas razões, violencia constante.
ResponderExcluirMorro de saudades, tenho orgulho de muita coisa, mas não tenho vontade de voltar… Uma pena, me sinto triste mesmo de compartilhar isso, mas esse post é tão realidade Tati! Vcs são mesmo mto corajosos!