Orgulho do pai.

Era noite, por volta das 21hs. Voltávamos para casa. Quase chegando em frente ao nosso prédio, vimos um grupo de uns 7, 8 rapazes. Nos aproximamos e percebemos que eles, estrangeiros, estavam pedindo informação para um motoboy. Este, por sua vez, já meio sem saber o que fazer, nos olhou e perguntou se podíamos ajudar.

O marido, então, em inglês, perguntou se precisavam de ajuda. O motoboy sorriu aliviado e foi embora.

Eram turistas franceses que estavam no Rio para a Copa. Haviam pego um ônibus e descido em um ponto longe pra caramba de onde estavam hospedados. Achavam que poderiam voltar andando fazendo tour pelo bairro de Botafogo (os turistas - e me incluo - sempre acham que "tudo é perto"). No meio do caminho, pararam em um supermercado e fizeram compras (abastecimento de turista mesmo: pizza congelada, papel higiênico, nugget, coisas bem básicas e nada saudáveis -  tirando o papel higiênico, claro!).

Marido tentou explicar aonde era a rua que buscavam (mais ou menos uma meia hora mais de caminhada desde aquele ponto em que estávamos). Alguns diziam entender, outros já estavam com cara de assustados. Assim que disse ao marido para acompanharmos aos moços, pelo menos até um ponto de melhor acesso.

- "Então tu vai pra casa com o Nicola que eu acompanho eles.", disse meu santo marido.

- "Não, vamos juntos."

Sei lá. Me bateu o espírito protetor. Achei que marido estaria mais seguro com a nossa companhia :)

Os franceses enrolavam bem ruinzinho no inglês. Assim que marido começou a conversar com eles em francês.

Eu, da língua francesa, entendo o básico do básico do básico (e pra ser bem sincera, um pouco menos do que isso). Bonjour, merci,  mon amour, au revoir, eau ... e por aí vai (na verdade, por aqui fica). Mas entendi perfeitamente quando o marido falou sua nacionalidade e eles começaram a tirar sarro, falando "Matêrrází, Matêrrází", se referindo ao jogador italiano Materazzi (quem não lembra da famosa cabeçada que o Zidane deu no Materazzi na final da Copa de 2006?).

Pequeno, abusado, puxou papo em inglês. Um francês perguntou pra ele:

- "How are you?"

- "Not too bad", respondeu com firmeza meu Pequeno.

O francês sorriu. E perguntou:

- "How old are you?"

- "I'm six years old."

Pequeno ficou esperando uma próxima pergunta. Mas o moço não perguntou mais nada. Estava cansado, o pobre!

Logo, Pequeno me disse:

- "Tu viu? Falei com ele em inglês. Mas não tô entendendo nada do que esses franceses estão falando."

Finalmente, do ponto em que havíamos chegado até o destino final deles não havia mais grande dificuldade. Era só seguir reto e, umas 4 quadras depois, chegariam na rua onde estavam hospedados.

Agradeceram imensamente nossa generosidade e partiram. Naquelas alturas, a pizza já estaria completamente descongelada. Fazer o quê?!

Voltamos para casa felizes por ter feito a boa ação do dia. Pequeno super feliz por ter encontrado "um monte" de franceses. E que eles falavam estranho. E que moravam perto da Disney. E que já tínhamos ido a Paris mas ele tinha muita vontade de voltar por lá ... e ... ele não calou a boca (pra variar) nem um minutinho, até em casa.

Já no dia seguinte, Pequeno me disse todo orgulhoso:

- "Tu viu só o meu pai? Fala perfeitamente italiano, inglês, espanhol, francês e português. Ele é muito inteligente!"

- "Tu viu como é importante a gente aprender idiomas?", respondi.

- "É verdade, mãe. Ainda bem que eu já sei italiano, espanhol e português. Meu pai, na minha idade, só falava capistrelano*, né?

É a evolução da espécie :)

Um filho super orgulhoso do pai. Eu, orgulhosíssima dos dois.

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* capistrellano: dialeto falado na terra do marido.

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