O sumiço do tagarela.

Verdade seja dita: ando meio sem saco para escrever no blog. E não é por tédio, falta de assunto, falta de sapequices do Pequeno para contar por aqui. Talvez seja exatamente pelo contrário: tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a vida com seus altos e baixos.

Estivemos fora por algumas semanas. Fomos para o Sul, outra vez. E, embora o motivo principal da nossa viagem não tenha sido o melhor possível, é sempre muito bom estar perto da minha família. Vivo longe "de casa" há muito tempo, já acostumei com essa solidão por opção, mas é sempre muito triste conviver com a saudade. E ela está sempre presente.

Pequeno foi junto, óbvio. Falando nele ... estamos passando por um processo de transição. Percebo que ele está entrando na fase em que eu sempre costumei classificar como A MAIS CHATA DE TODOS OS TEMPOS. Aos corações mais sensíveis, aconselho, tapem os ouvidos. Mas, sempre tive paciência zero para crianças na faixa etária entre os 7-10 anos. Sobretudo meninos. Eles ficam chatinhos, descobrem lutinhas, guerrinhas, criam efeitos sonoros e tornam-se bobinhos demais. Não sei como conseguem, mas nessa fase tem o poder de largar besteiras boca a fora em questão de segundos.

Pequeno anda preguiçoso, bagunceiro, resmungão e meio rebelde. E fala, fala, falaaaaaaa pelos cotovelos. Junta um assunto com o outro e não para mais. Aliás, tem falado até quando dorme.

Continua carismático e simpático. Puxa papo com qualquer pessoa. E se a criatura em questão der oportunidade, pronto. Rende conversa certa por bons minutos.

Quando voamos com destino ao Sul, Pequeno conseguiu uma companheira de viagem tão tagarela quanto ele. Uma senhora que voltava para casa, no interior do RS, depois de passar alguns dias passeando no Rio. Falaram sobre todos os assuntos possíveis: comida, futebol, brinquedos, novelas, escola, cidades, personagens de desenhos animados, clima, violência, família. E de nada adiantou a mamãe aqui dar pequenas cutucadas ou pedir para que ele ficasse quietinho.

- "Para, mãe! Não tô com sono, quero conversar."

Sem nenhum pingo de vergonha ele perguntou se a senhora era rica. Ela respondeu que não. E ele concluiu:

- "Mas tu tem que ter bastante dinheiro pra poder comprar toda a coleção do Star Wars e todos os filmes que tu me falou."

Ela explicou que na cidade onde morava não tinha cinema, por isso comprava tantos filmes.

Na maior cara-de-pau perguntou o endereço da mulher (e ela respondeu) e contou o dele (sem ela perguntar), contou em que escola estudava e, para finalizar, todo avião ficou sabendo que o pai dele ronca.

Já na viagem de volta, supliquei que, por favor, não comentasse sobre sua vida com estranhos. Expliquei que é até perigoso ficar dando tantos detalhes assim para desconhecidos. Sei que para ele, na sua santa inocência, fica difícil entender que existem pessoas malvadas. Fui radical e argumentei que se algum ladrão estivesse perto, poderia ouvir a conversa e saber onde ele morava, em que escola estudava, o que costumava fazer, etc. E que, sobretudo, coisas que acontecem em casa devem ficar em casa (por exemplo, o ronco do pai é um assunto que deve permanecer em casa).

No avião o cansaço foi tão grande que ele acabou dormindo. Até eu consegui cochilar mais tranquila, sem o "perigo" de Pequeno escancarar a vida para qualquer pessoa. Chegamos tarde no aeroporto do Rio. Após uma longa fila de espera, conseguimos pegar um taxi para irmos pra casa.

E dessa vez ele não aguentou: veio fazendo tour e mostrando onde o pai trabalhava, onde estudava, onde brincava ... ele reconhece que simplesmente não aguenta. 

É algo mais forte do que ele. E assim ... a vida segue.

Um comentário:

  1. Olá queridos!

    É bem assim, queremos ficar cada vez mais juntos, mas, a vida está andando. O Nicolinha tem uma personalidade só dele, e é isto que faz a diferença. Amamos voçês! Beijos no coração de todos e nós encontraremos em breve, se Deus quiser...
    Renato Fraga
    O do meio, o MB

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