Pequeno 'Sortudo' - Beach Volley

Ontem fomos assistir ao único evento das Olimpíadas que havíamos conseguido ingressos. Há quase dois anos (um pouco de exagero - mas bem pouco!), conseguimos ser sorteados para assistirmos a um turno do vôlei de praia. Tentamos sorteio para o atletismo, sem êxito. Depois não tentamos mais nada, nem novos sorteios de ingressos e nem nas fases de compras diretas. O que tínhamos interesse de ver era caro demais para o nosso bolso.

Quando vi a arena montada em Copacabana fiquei até com um pouco de medo. A achei enorme e como as obras para esta olimpíada foram feitas quase em cima da hora, fiquei com o pé atrás (medo mesmo, daquele treco desabar - sim, sou medrosa e exagerada!).

Um dia antes do evento resolvi, finalmente, olhar o calendário para saber os jogos que assistiríamos. Para minha decepção,  para o horário noturno não haveria nenhum jogo de duplas brasileiras. Me desmotivei um pouco, mas meus meninos (marido e filho) ficaram felizes: havia uma dupla italiana.

Chegamos relativamente cedo na arena, foi super tranquilo entrar e passar pelo controle de segurança (não pegamos fila), mas pegamos uma filinha chata para comprarmos algo para comer. E como sou bem reclamona e mão de vaca, preciso dizer que achei os preços de alimentação muito caros (e não estou reclamando somente aqui, reclamei na pesquisa de satisfação que me enviaram a pouco pelo e-mail).

A bem da verdade é que, uma vez dentro da arena, o clima ficou perfeito: animação, o público foi chegando pouco a pouco, muita música, divertimento e bons jogos.

Ao acabar o primeiro dos 4 jogos que assistiríamos, Pequeno viu que escolheram um menino da torcida para ganhar a bola autografada da dupla vencedora (da Alemanha). Então, ele comentou:

- "Ah! Eu também queria uma bola dessa! E o próximo jogo é da Itália."

Respondi algo rápido, como "tá, tá! Fica quietinho ...".



Começou o jogo da Itália e, de repente, ele me diz:

- "Mãe! A moça tá bem ali ó!"

A "moça" era a repórter que fazia as entrevistas dos intervalos e finais de jogos e era quem selecionava as crianças. Estava passando bem abaixo de onde estávamos.

- "Ué! Não posso fazer nada. Te vira.", respondi bem malvadamente. Eu queria era ver o jogo, que apenas havia começado.

Pequeno levantou, desceu umas cinco fileiras da arquibancada e foi para a grade, tentar falar com a moça. Não obteve sucesso. Ficou desapontado, com uma carinha triste e não sabia se ficava por ali ou voltava para o lugar dele.

Percebi, então, que a moça havia sinalizado que viria para a nossa arquibancada. Falei para o Pequeno:

- "Ela vai vir aqui pra cima. Fica ligado e ... te vira!".

A moça realmente veio para o setor onde estávamos, mas apareceu do lado oposto de onde Pequeno a esperava. De repente, ligou o motorzinho da vontade e perseverança, meu Pequeno saiu voando no meio da platéia. Nessa altura, já havia perdido metade do jogo, de olho no menino. Embora tivéssemos feito uma pulseirinha com nossos dados e telefones para identificação, é sempre bom não perdê-los de vista, ainda mais num lugar repleto de gente.

Já cansado, descabelado e carregando uma faixa da Itália nas mãos, Pequeno finalmente encontrou com a moça. Vi que eles conversaram algo. Num primeiro momento a impressão que tive foi a de que ela não havia dado muito papo para ele. Mas Pequeno não arredou o pé do lado da moça. Voltaram a conversar novamente e, desta vez, meu Pequeno bom de lábia desatou a falar. A moça agarrou na mão dele e não soltou mais.

Ele sinalizou aonde estávamos. De longe abanei para a moça que pediu se ele poderia ficar com ela até o final do jogo.

Entre um ponto e outro eu e marido tentávamos avistá-lo de alguma parte da arena. De repente, olhamos para o telão e vejo o carão do Pequeno estampado, segurando bem feliz e orgulhoso a faixa da Itália. Fiquei tão surpresa que não consegui nem tirar uma fotinho.

Ao finalizar o jogo (vitória da dupla italiana), aparece Pequeno em quadra, batendo papo com os jogadores, que autografaram a bola do jogo e deram para ele. Como se não bastasse, ainda deu entrevista, uma saudação final em italiano para a torcida da Itália e recebeu até beijinhos da repórter que, quando o trouxe de volta, o encheu de elogios.




Pensa numa criança realizada! Agarrou a bola e enfiou debaixo da blusa, com medo de que alguém a roubasse :) Até tentaram convencê-lo para vender ou trocar a bola por outra coisa. Mas ele não quis.



O pai dele, todo orgulhoso, disse que era sorte. Imagina! Bem no jogo da Itália nosso Pequeno italiano consegue uma bola autografada pelos jogadores.

Pois eu discordei: não foi sorte! Ele tinha um objetivo, foi a luta, se empenhou e conseguiu.

Um momento único para não se esquecer jamais ... e um aprendizado para carregar para a vida inteira: nunca desista dos seus sonhos! Te vira, Pequeno! Te vira!

P.S.1: fotos péssimas tiradas com o celular porque, pra variar, deixei minha câmera em casa.
P.S.2: vídeo super tremido, consequência da emoção do papai, o cinegrafista da rodada :)

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