Coisa Feia.

Há quase dois meses precisei fazer uma pequena cirurgia. Não deu muito certo e precisei marcar uma segunda cirurgia.

Optei por não contar nada da segunda cirurgia para meus pais. Contei da primeira e eles ficaram super aflitos - e como eles já tem preocupações demais - preferi não dar mais um problema pro coraçãozinho deles.

Na sexta-feira liguei pra eles (fiz a cirurgia no sábado) e, antes da ligação, implorei mil vezes e pedi para o Pequeno não comentar nada da cirurgia que seria feita no dia seguinte. Expliquei meus motivos, acho que ele entendeu e prometeu não contar nada pra vovó e para o vovô.

Fiquei em cólicas. Eles (Pequeno e minha mãe) sempre tem assunto para conversar via telefone. Mas, na sexta em especial, rolou assunto até não poder mais. E eu morrendo de medo de que no 'conversa vai, conversa vem' Pequeno esquecesse nosso combinado e desse com a língua nos dentes.

Falaram de escola, de natação, de namoradas, de amigos, de dia das crianças:

- "O que tu pediu de presente de dia das crianças, meu filho?"

- "Nada, vó. Minha mãe não me dá presente de dia das crianças." (e não dou mesmo - acostumamos que lá fora não existia este dia e desde que viemos para o lado de cá optamos por não gastar por gastar).

- "Ai, que judiaria! Passa aí o telefone pra tua mãe."

- "Mãeee, a vó quer falar contigo."

Pronto. Contou pra ela da cirurgia ...

- "Ow, Tatiana ..."

PAUSA: quando a mãe fala nosso nome completinho ... tenha medo! FINAL DA PAUSA

- "Ow, Tatiana ... amanhã mesmo tu vai nas Lojas Americanas e compra um carrinho que eu vi de controle remoto e dá pra ele, que depois te deposito o dinheiro na tua conta."

- "Ah, mãe! Não vou não."

- "Vai sim."

- "Não vou não. Quando formos aí tu compra qualquer besteirinha e dá pra ele."

Ela resmungou mais um pouco. Logo, mudei de assunto e alguns bons minutos depois (porque as ligações  pra ela sempre demoram lonnnnnngos minutos) desliguei.

Passou um tempinho, Pequeno veio e disse:

- "Que coisa feia, né mãe?!"

Realmente. Era bem feio mesmo esconder uma coisa séria de uma mãe e  de um pai. Expliquei pra ele, novamente, meus motivos. Não queria deixá-los preocupados e eles sabendo ou não, nada mudaria da história. Sem contar que no sábado foi dia de festa em família, foi formatura da minha sobrinha, momento super importante, um dia super feliz. Não queria cortar esse clima de comemoração.

Nem bem organizei meus argumentos, Pequeno me corta:

- "Mãe! Não tô falando da cirurgia. Tô falando que feio é não obedecer uma mãe. Se a vó mandou tu comprar o carrinho pra mim, tu tem que comprar ... e pronto."

Espertinho ele ...

P.S.: deu tudo certo com minha cirurgia. E liguei hoje pra contar pra minha mãe :)

Um comentário:

  1. Muito figura! E o que é uma consciência pesada... rsrsrsrsrsrs... me alegro que deu tudo certo na sua cirurgia (que não sei o que é, mas o importante é que está tudo bem). Beijo

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