Ressaca de fé.

Neste final de semana, Roma recebeu milhares e milhares de turistas, de todas as partes do mundo, muitos vindos exclusivamente pra beatificação do Papa João Paulo II.

Ontem, passadas às oito da noite, Papai fez um convite: "vamos passear no centro? Vamos ao Circo Massimo"? Ali, no Circo Máximo, estava acontecendo uma vigília de oração em comemoração ao evento. Chegamos quase no finalzinho, mas ainda em tempo de assistir alguns colegamentos que fizeram com vários outros países (México, Portugal, Polônia e mais dois que não lembro).

Me impactou a organização do evento. Dizem que havia cerca de 200 mil pessoas. Mas não teve nenhum estress, nenhum tumulto. Voluntários distribuíram água e comida, para quem quisesse. Tanto a entrada quanto a saída aconteceram de forma tranquila. Com certeza era de se esperar (afinal estávamos todos ali reunidos para um evento religioso), mas mesmo assim, é muito difícil conseguir organizar tanta gente, de tanta parte diferente do mundo, falando tantos idiomas diferentes. Claro que Pequeno ficou em casa com a nonna (ela não gosta de sair ... assim que eu e Papai aproveitamos pra não tirar o pé da rua).

Foi interessantíssimo ver tantas freiras e padres "mochileiros". Muita gente dormiu pela rua mesmo ... aliás, quando acabou o evento ali no Circo Màximo, muita gente partiu direto pras redondezas do Vaticano.



Hoje pela manhã, colocamos o despertador as 6hs (ontem fomos dormir depois da 1h). A princípio iríamos os 4 para o Vaticano assistir à missa de beatificação. Mas a nonna não quis ir ... óbvio que deixamos o Pequeno com ela novamente, arrumamos dois sanduíches na mochila, biscoitos, água, lenços (continuo com a rinite), guarda-chuva (a previsão era de chuva), roupas e sapatos cômodos ... e simbora pra rua.

Chegamos no Vaticano por volta das 8:30h, mais ou menos, e quando nos demos por conta, já estávamos metidos no meio do povão, num ponto onde não podiamos nem andar pra frente, nem voltar pra trás. Felizmente, num tramo de quase 1 hora, conseguimos andar uns 100 metros e chegamos logo na entrada (ou no final - depende do ponto de vista), da Via della Conciliazione (pra quem conhece, na entradinha do Vaticano, logo depois da ponte). E ali permanecemos por um pouco mais de 4 horas.


Cansativo? Muito. Agradeci por minha sogra não ter ido. Aliás, se ela e Pequeno tivessem ido, certamente, na metade do caminho teríamos retornado à casa. Aquela situação era praticamente impossível tanto pra ela quanto pro Pequeno.

Mas, reclamações e pontos negativos à parte, foi uma experiência maravilhosa.

Nao sou católica, muito menos praticante. Vez que outra vou à missa, mas somente em ocasiões especiais. Sou batizada e fiz a comunhão. Mas não fiz a crisma e "vivo em pecado" com o Papai: não nos casamos pela igreja.

Mas pelo Papa João Paulo II sempre tive um carinho especial. Aliás, eu e quase todo mundo. Foi uma pessoa carismática, um comunicador, aproximou os jovens à igreja, era uma pessoa próxima e querida por muitos.

Tive a oportunidade de vê-lo duas vezes em um ano: quando foi a Madrid (eu e Carol naquele finde nem saímos "pra balada" (coisa muito difícil - minha cunhada Rejane que o diga)  e acordamos cedinho pra ir ver o Papa) e, logo, no Natal daquele mesmo ano, quando visitei Roma pela primeira vez com meu irmão, minha cunhadinha, minhas sobrinhas e mais um grupo de amigos brasileiros que moravam em Madrid. Foi emocionante, no dia de Natal, assistir uma missa celebrada pelo Papa (algo que nem havíamos planejado - "por acaso" chegamos na Piazza San Pietro um pouco antes da celebração).

Quando o Papa faleceu, me emocionei e acompanhei todo o funeral pela tv (morava em Madrid). Via aquele monte de fiéis, turistas, católicos e não católicos, que passavam pela Basílica e senti um pouquinho de "inveja" (já sei, já sei que é pecado!) ... pensei: "poxa, se morasse lá teria ido eu também" [será que ele atendeu meu pedido?].

Hoje eu não poderia faltar. Pelo simples fato de se tratar de uma pessoa a qual admirei tanto. Se acredito ou não nos milagres, isto já é outra história.

Mas na falta de um calor humano, na falta de respeito ao próximo, com tudo o que vem acontecendo nesse mundo que anda tão maluco, na necessidade exarcebada que ando sentindo ultimamente em entender tantas coisas da vida, no por que de uma certa pessoa a qual quero muito insistir em andar por um caminho tão difícil, na falta de credibilidade, de crença (seja lá no que/quem for), precisava estar presente hoje lá.

Não por nada em especial, mas simplesmente compartilhar com toda aquela gente (estima-se que estavam presentes mais de 1 milhão e meio de pessoas) de todos os cantos desse mundo, pra dar um aperto de mão "de paz" a tantos desconhecidos  e compartilhar o silêncio incrível dos momentos de oração, o "nascimento" de um novo Beato (e por tê-lo visto e por admirá-lo, por ter sido o Papa da minha geração (foi eleito Papa no ano em que nasci),  o sinto tão próximo a mim).

Hoje eu não poderia faltar. Digo, novamente, não por nada em especial. Simplesmente porque o coração pedia ... e nada mais.



P.S.: disse a nonna que Pequeno, a cada imagem da Piazza que aparecia, ficava "procurando" a mamma e o Papai ... judiaria ...

3 comentários:

  1. Amiga, qdo assisti a notícia da beatificaçaõ do Papa, lembrei e comentei aqui em casa: -Será que meus amigos vão andar por lá???? Vou cuidar a cada matéria do Vaticano, de repente consigo ver meus amigos...Que maravilha estar no Vaticano e assistir a missa de beatificação! Então, era o Pequeno e eu assistindo as notícias com imagens da Piazza procurando meus queridos amigos.
    Beijão. Se cuidem e que João Paulo II proteja vocês.

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  2. Viu sò, amiga ... estava là sim. Sò que acho q, assim como o Pequeno, vai ser muito difìcil de q tu consigas encontrar a gente no meio daquela multidao ;)
    Bjos!

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  3. Tu diz que não pratica religião ,pois eu te digo que ela está dentro de ti, tão mais que em muitos que levantam bandeiras de suas igrejas com mentiras intimas sabe Deus com que fundamantos e intenções.

    Um brande abraço.

    Eliane

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