Uma Breve História ...

    Dia 04 de setembro Nick Jr. completou  19 anos (DEZENOVEANOS!!!).

    Pela primeira vez (em 19 anos) não passou seu aniversário conosco. E ... não! Não escrevo isto em tom de ressentimento ou tristeza. Pelo contrário!

    Ele e mais alguns amigos foram passar o final de semana na praia.

    Mantivemos sim a nossa "tradição" familiar de dar parabéns à meia-noite. E na manhã do aniversário, antes que Nick Jr. partisse, tomamos café da manhã em família.

    E lá foi ele: um moço em luta com a barba que não cresce do jeito que ele quer pegou sua mochila, entrou no carro do amigo e saiu para a aventura do finde.

    Fiquei feliz por Nick Jr. curtir uns dias de relax (quer dizer, relax não é a palavra mais adapta para um grupo de jovens curtindo um final de semana no litoral). Mas ele precisava de um momento de descontração com seus coetâneos.

    As últimas semanas foram complicadas para ele.

    Nick Jr. precisava decidir que caminho seguir. Profissionalmente me refiro.

    Quem nos acompanha há bastante tempo sabe que aqui no blog em posts longínquos, comentei sobre os desejos profissionais do (naquele tempo) Pequeno Nicola.

    Poderia listar uma infinidade de desejos de profissão de um menino sonhador. Alguns deles: Nick Jr. quando pequenino sonhava em ser médico pediatra (contei sobre isso aqui), depois pensou em ser militar. Mais ou menos neste mesmo período idealizou ser goleiro, sonho este que algum tempo depois de iniciar  a escolinha de futebol foi por água abaixo. Teve até uma época em que ele desejou ser porteiro (contei aqui).  Ele também já quis ter uma pastelaria (acho que nem ele lembra deste momento, ainda bem que o tenho registrado aqui). 

    Logo ele foi crescendo e os projetos de profissão foram deixando de ser sonhos infantis para serem pensados de uma maneira mais séria. O primeiro desejo, aquele de ser pediatra, logo foi abandonado. Ele disse que não se perdoaria se uma criança morresse em suas mãos. Conversei com ele sobre todas as profissões terem seus riscos. Mas nenhum argumento o faria mudar de ideia.

    Então Nick Jr. nutriu por muito tempo a vontade de estudar História ou Filosofia. Desde muito pequenino demonstrou interesse pelas disciplinas, que eram suas favoritas.

    Neste último ano ele alternou seus desejos profissionais em áreas inequidistantes.

    - "Não! Eu decidi. Vou fazer Psicologia."

    Me preocupei em ter influenciado sua escolha, já que Psicologia era o meu sonho de profissão que não foi realizado. Ele disse que não, que era um desejo seu. Achei legal, tinha muito o que ver com ele. Nick Jr. tem predisposição a escutar, gosta de analisar, gosta de ajudar. O menino é tão sortudo que já tinha até onde fazer suas práticas (a ex psicóloga dele ofereceu a sua clínica para que ele fizesse estágio).

    Passaram-se alguns meses e ele desistiu. Pasmem: estava pensando em fazer seminário. Nick Jr. estava pensando em ser padre. Fiquei atônita mas tentei não esboçar nenhuma reação aparente.

    - "Eu, logo eu, que adoro beber, tatuada, com 3 furos em cada orelha, desbocada ... mãe de padre ...". Na minha cabeça não combinava.

    Mas eu também sabia que não era sobre mim mas sobre ele. Assim que fiquei quietinha, nenhuma palavra foi pronunciada.

    Só Deus sabe (e não  é força de expressão!) quantas vezes iniciei um post falando sobre isso. Mas logo o apagava. Precisava respeitar aquele momento de reflexão.

    Acho que de todos os desejos profissionais (e vocacionais) do Nick Jr. esse foi o que menos comentamos (eu e o pai dele). Todas as decisões, inclusive as profissionais, são  sérias e importantes mas esta iria um passo além.  Tanto eu quanto o Nick Sr. achamos melhor  que ele tomasse seu tempo com calma e  sem intervenções.

    E assim foi ... em determinado dia, estávamos  no carro, Nick Jr. diz:

    - "Sabe a história  aquela do seminário?"

    - "Hum?" (internamente pensando  "Se-nhor! O que ele vai nos dizer?")

    - "Desisti. Não  é pra mim."

    Papai do Céu que me perdoe! Não  exteriorizei mas dentro de mim soava um "UFA!" assim bem grande!

    Ficava sempre rondando a ideia de fazer faculdade de História  mas logo ele pensou em Ciências Políticas. Quem sabe? Poderia tentar uma carreira diplomática, ele fala 4 idiomas, um menino que negocia conflitos com maestria. Vai saber ...

    Final de maio, início  de junho Nick Jr. - o indeciso - logo resolveu se inscrever na faculdade de ... tcharan!  Direito. 

    Pronto! Decidido: não iria fazer Direito porque tinha o sonho de ser advogado, pelo contrário, o objetivo não  era advogar. Queria fazer Direito para trabalhar em empresas. Direito empresarial, esse era seu caminho.

    Estou tentando resumir esse post para que não  fique demasiado longo. Mas entre um parágrafo  e outro (ou o que é o mesmo: entre uma dúvida  e outra) rolaram alguns estresses, algumas conversas com pessoas que gostam dele, inclusive um ex vizinho que é professor na faculdade de Direito, conversas com amigos (nossos e dele). Todo mundo sempre muito predisposto em ajudar.

    Muitas foram nossas conversas em que eu e seu pai tentávamos fazê-lo entender que não precisava de todo aquele estresse e toda aquela pressão: ele era livre para escolher o que quisesse. Além disso, repetimos incansavelmente que se com o tempo ele se desse conta de que não era aquele o caminho que desejaria seguir, era só mudar. 

    Temos o exemplo da nossa própria vida familiar que apesar de hoje ser pacata (para o meu gosto) ela até que foi bem agitada: Pequeno (hoje Nick Jr.) não tinha nem 5 anos de idade e já havia vivido em 3 países diferentes.  A Vida segue acontecendo nas surpresas, nas mudanças de rota algumas vezes impostas e outras vezes desejadas por nós mesmos. O importante é a gente entender os sinais externos e internos.

    Eu não sabia se Direito seria uma boa escolha. De todos os desejos e vontades profissionais do meu menino, esse nunca havia sido contado com afinco. Mas, novamente, eu e seu pai não interferimos.

    Ok. Pré-inscrição na faculdade de Direito feita. Para confirmar a inscrição  bastava pagar a primeira taxa. Como tínhamos  tempo até início  de outubro, fomos enrolando com o pagamento: foi ficando sempre "pra depois".

    Até que na semana passada, enquanto jantávamos, disse:

    - "Tem que pagar a faculdade ..."

    Nick Jr., num quase pedido de socorro, diz:

    - Não! Não  paga! Eu não  quero fazer Direito ..."

    - "Como assim, menino?! Tá de palhaçada né?!", exclamei surpresa (nem tanto, sendo sincera!) num tom nada amigável.

    Eu sei. Zero empatia da minha parte. Mas não  era uma reação  de uma mãe  que desejava que o filho fizesse Direito. Era a reação  de uma mãe  que sabia que alguns cursos já haviam encerrado as inscrições, algumas faculdades as aulas já haviam iniciado. E era a reação de uma mãe que vendo o desespero e angústia no rosto da criatura, não  sabia o que fazer.

    - "Nicola! Tu não é obrigado a estudar! Só que alguma coisa tu tem que fazer da tua vida, busca um trabalho, enfia a mochila nas costas e vai ao mundo, como teu pai fez."

    Com os olhos marejados ele diz:

    - "Eu quero estudar ... mas ..." . E a garganta engasgou.

    - "Meu filho! Pensa! O que tu gosta?"

    E ele não precisou de muito tempo para decidir:

    - "Vou fazer a inscrição em História!".

    Novamente: estou fazendo esforço para resumir estes parágrafos. Porque as conversas não foram assim simples e rápidas.

    No final, essa sempre foi a primeira escolha, aquela que partia do coração. Quem conhece o Nicola sabe da sua paixão pelo tema, pelo interesse, pelo conhecimento que ele já tem, pelo prazer que ele tem em contar histórias e lugares históricos para quem quiser ouví-lo.

    Talvez neste meio tempo, entre o sonho de ser médico até a decisão pela faculdade de Direito, tenha contado as opiniões alheias, os comentários dizendo que ele "seria um eterno precário sendo professor", que não é uma profissão que dá retorno financeiro, uma profissão que não é valorizada.

    Nick Jr., então, se inscreveu na faculdade de História, para felicidade geral e alívio do seu coração. Isso sim: a inscrição foi paga quase no mesmo instante da pré-inscrição, para não corrermos riscos de novas desistências :)

    Desde então, Nick Jr. é uma outra pessoa. Um semblante mais sereno, um menino mais aliviado, se demonstra mais interessado no curso, pegando informações de todos os lados. Agorinha mesmo, enquanto vos escrevo, ele está em Milão, num evento informativo da faculdade.

    Meu querido menino universitário!

    Eu e teu pai somos felizes e orgulhosos da tua escolha.

    Mais uma vez demonstras caráter e és fiel aos teus desejos.

    Que a tua Vida seja sempre assim: de coragem, de crença em si e nos teus sonhos. E sobretudo com a certeza de que escolhas o caminho que escolhas , eu e teu pai sempre estaremos ao teu lado, para o que der e vier.

    E lembra-te sempre que a Vida é um constante aprendizado, um constante mudar de ideias e vontades. Não tem nenhum problema a gente mudar o percurso, sempre que ali na frente o objetivo seja a nossa felicidade.

    19 anos da tua vida registrada aqui no blog. Não me via como mãe de Padre ... mas como mãe de historiador, sabe, acho que eu até combino. Ao menos fiz a minha parte registrando aqui a tua História :)

    Um Novo Ciclo que parte ... aguardemos cenas dos próximos post's 

Feliz 19 anos!

"Perder" Tempo.

     Quem mais carrega consigo uma sensação quase que diária de "perda de tempo"?

    Situações em que temos plena consciência de estar perdendo tempo mas, mesmo assim, a gente insiste. E continua. Prossegue e repete.

    "Ah, Tatiana! Mas estás falando do quê especificamente?"

    De nada em específico mas ao mesmo tempo falo de um monte de coisa.    

    Um exemplo: (e ele vai no próximo parágrafo, pra dar a importância que merece) 

    Até os meus vinte e poucos anos tive apenas um furo em cada orelha. Com vinte e poucos, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, numa farmácia qualquer de Copacabana, resolvi fazer um segundo furo.

     Há uns dois anos (ou seja, com quarenta e muitos) resolvi fazer um terceiro furo em cada orelha. Por quê? Porque eu queria radicalizar :)

    Pois bem. Aguentei o tempo determinado sem tirar os brincos da orelha, o tempo necessário para que cicatrizasse e o furo não fechasse mais.


    Eu amo brincos! Eu saio de casa sem documento, sem bolsa, sem batom, sem marido, sem filho, sem protetor solar. Mas não saio sem brincos. Estar sem  brincos me causa uma sensação de nudez da alma. Uma mania que tenho ... sei lá!

    Acontece que, por outro lado, não consigo dormir de brincos. Por menor que eles sejam me causam fastidio, incomodam.

    Assim que todos os dias, ao acordar, eu coloco seis brincos, pacientemente. E todos os dias, ao ir dormir, tiro pacientemente seis brincos. E olha que pacientemente é uma palavra e um ato quase desconhecido para mim.

       Todos os dias, sem exceção, enquanto coloco e tiro brincos, reflito sobre a quantidade de tempo que já perdi na minha vida realizando esta ação.

    E pra deixar esse papo ainda mais complexo, vou contar pra vocês um segredo: eu estou pensando em fazer um quarto furo :)

    Pra quê? Pra radicalizar ... e porque eu quero. Mesmo sabendo que serão 8 brincos diários pela manhã e 8 à noite. Mesmo sabendo que não vou dormir direito porque me incomodarão e mesmo sabendo que vai doer pra furar porque agora pega cartilagem.

    Vai entender ... sabe que perde tempo, insiste, se complica mais ainda ... e tudo isso conscientemente.

    Pode parecer que esteja falando "só" de brincos ... mas ... vai saber ...  poderia estar falando da Vida ...

Maturità.

    


    Lembro como se fosse agorinha mesmo do dia em que o deixei na escolinha pela primeira vez, lá em Roma. Nick Jr. tinha 2 aninhos. Moira, a auxiliar da escolinha, veio nos receber sorridente e cheia de carinho. Logo o levou para conhecer a escolinha e depois o acompanhou à sala com os coleguinhas. Algum tempo depois veio ainda mais sorridente e me disse: 

    - "Olha só, ele está super bem lá na sala com os colegas e a profe. Eu acho que você pode ir pra casa. Qualquer coisa a gente te liga mas acho que não será preciso."

    - "Tem certeza?", perguntei.

    Ela tinha certeza. E eu também. Nick Jr. precisou de apenas algumas horas para se integrar e foi muito feliz lá no Asilo L'albero delle ciliegie (creche), sob os cuidados da profe Federica.


    No ano seguinte foi para "a escola dos grandes", como ele costumava dizer. Scuola dell'infanzia Don Bosco, que ficava literalmente atrás da nossa casa lá em Roma. Era o mascotinho da turma (era o menorzinho) e foi igualmente acolhido com muito amor pela maestra Nina.


    Que tristeza foi dizer adeus para a profe e para os coleguinhas quando decidimos, um ano e meio depois,  mudar para o Rio de Janeiro. Nicola sofreu com saudade da escolinha, da profe e dos amigos. E que felizes que ficamos, alguns meses depois, quando recebemos uma cartinha cheia de carinho da profe e dos coleguinhas, onde cada um fez um desenho para ele.





    No Rio de Janeiro demoramos um pouco para encontrar casa e consequentemente para encontrar uma escola para Nick Jr.

    Lembro também, como se fosse agorinha mesmo,  quando fomos visitar o Colégio da Imaculada Conceição, enquanto conversávamos com a diretora, ele pegou na mão da Irmã Inácia e foi passear pela escola: uma delícia de ambiente, em meio ao verde, com uma boa estrutura, um parquinho legal. Voltou todo sorridente com um sotaquezinho ainda gringo disse:

    -"Essa é a minha escolinha, eu quero estudar aqui, eu gostei."

    E assim foi. O Imaculada foi sua segunda casa por alguns anos. Lá fez o Pré 1, Pré 2 e o 1° ano do Fundamental. As "tias" Alice, Pri e Vivian deram pra ele além de muito conhecimento o principal: muito amor e carinho. Eternamente grata!



    Logo veio a etapa no Colégio Ph. Uma escola diferente, com um  método diferente. Lá iniciou a rotina de ter um profe pra cada materia e lá também iniciamos os estresses com os deveres de casa. Assim como no Imaculada, no Ph Nick Jr. viveu bons momentos, aprendeu muita coisa mas sobretudo conheceu muita gente legal que levaremos pra sempre nos nossos corações (e fico feliz em ver que apesar da mudança e da distância, ele consegue ainda manter contato com alguns amigos dessa época).
    

    


    Felizmente ele conseguiu terminar todo o ciclo do Fundamental 1 no Brasil, até que veio a Vida e nos deu outra oportunidade de mudança. Novamente amigos que ficavam para trás, novamente uma preocupação nossa com respeito a adaptação à uma nova escola. Ele sofreu com as despedidas. E de todas as mudanças a que foi mais difícil foi a do Rio de Janeiro.

    Nick Jr. chegou na Itália no meio do ano escolar já em curso. A Scuola Leonardo da Vinci o acolheu de braços abertos. Logo ele já estava super inserido na turma, adaptado com o idioma e disposto a mostrar para quem quisesse ver (e para quem não quisesse também) seu caráter "aparecido" e eloquente. Foram 3 anos de aprendizado, independência (ainda lembro do terceiro dia de escola onde ele pediu que, por favor, não o acompanhasse mais porque era o único que a mãe levava na escola), bons momentos, novos amigos, uma pandemia e um início de adolescência sem grandes traumas. Isso sim: os estresses com os deveres de escola seguiram.









    
    E então chegou o momento de escolher em que tipo de escola fazer o ensino médio. Aqui na Itália você pode escolher que tipo de estudo seguir (são 5 longos, quase  infinitos anos de estudo).   Existe o Liceo: Liceo Classico (Clássico), Liceo Scientifico (Científico), Liceo Artistico, Liceo Linguistico, Liceo Musicale (Musical) e Liceo delle Scienze Umane (Ciências Humanas). Existem também os  Istituti. Eles são destinados para aqueles estudantes que querem obter uma formação científica, técnica e profissional para entrar no mercado de trabalho logo após o fim do ensino médio (como o ensino médio técnico no Brasil).
    
    Nick Jr. como adora um desafio :)  escolheu fazer o Liceo Classico. Onde basicamente se estuda língua e literatura italiana, língua e cultura latina (latim), língua e cultura grega, filosofia, história, geografia, história da arte, física, língua e cultura estrangeira (inglês), matemática, ciências, educação física,  religião ou atividade alternativa (para quem opta por não fazer as aulas de religião).

    Foram 5 anos desafiadores. Poderia terminar esse parágrafo por aqui. Mas foram 5 anos  de muito estresse, muitas brigas, choros, mais brigas (eu falei muitas?). Nos dois primeiros anos tentamos convencê-lo a mudar de escola. Ficamos sem entender a insistência do menino mas respeitamos sua escolha em prosseguir neste percurso.

    Eu achava engraçado quando as pessoas (principalmente no Brasil) perguntavam pra ele:

    - "Mas pra quê tu quer estudar latim e grego?"

    Ele sorria e seguia firme no seu propósito.

    Nem tudo, óbvio, foi negativo. Nick Jr. adquiriu uma bagagem de conhecimento que eu posso viver outras cinco vidas e não a terei. Passar por todos os momentos que passou - os bons mas sobretudo por aqueles difíceis - o fizeram crescer como ser humano, aprender com os erros e seguir adiante.
    
    Nós, eu e Nick Sr., aprendemos muito com ele também. Foi admirável vê-lo se manter firme em um propósito, saber lidar com as adversidades, não se importar com a opinião dos outros e, principalmente, num momento pontual que foi um divisor de águas, respirar fundo, se reencontrar, se reerguer e seguir em frente.


    Sábado passado, finalmente (aleluia!)  encerrou-se mais  um ciclo para o Nick Jr.: ele terminou o tão esperado "esame di maturità - esame di Stato".  Apesar das aulas terem terminado no dia 8 de junho, ainda faltava este bendito exame.

    É uma prova de conclusão do ensino médio. Resumidamente, trata-se de duas etapas: 

    1) a primeira etapa são duas provas. No primeiro dia prova escrita de italiano (comum para todos os cursos); no segundo dia prova escrita com  a matéria principal de cada curso - que é escolhida por sorteio (no caso da escola do Nick Jr., Liceo Classico, as matérias poderiam ser grego ou latim. Neste ano foi latim a matéria sorteada). 

    2) a segunda etapa são provas orais onde entram as matérias já citadas: italiano, latim, além de outras duas disciplinas também sorteadas (neste ano história e matemática), além de uma breve entrevista, repasso do que foi estudado durante os 5 anos de Liceo, perguntas sobre o trabalho final do curso, etc.

    A prova oral é aberta ao público mas, por pedido do Nick Jr., eu e seu pai não fomos assistir. Mas o acompanhamos até a escola e ficamos do lado de fora esperando. Amigos e colegas foram autorizados a assistir (filho da mãe!). Em determinado momento eu, marido e um amigo que chegou atrasado ficamos grudadinhos à sala de aula onde Nick Jr. explanava com uma facilidade de argumentação típica. Eu tinha certeza que o exame oral seria fácil pra ele! 

    Durou mais ou menos 1 hora e quando saiu da sala de aula, acompanhado por seus amigos, tinha os olhos brilhantes mas uma fisionomia de preocupação que se misturava com alívio. Os amigos disseram que ele havia se saído muito bem, à parte matemática que, como  intuíamos, seria um pequeno desastre.

    Um pouco mais tarde saiu o resultado oficial: Nick Jr. havia superado o esame di maturità. Se concluía ali, oficialmente, uma etapa super importante de sua vida.


    Eu e seu pai respiramos aliviados, felizes e orgulhosos. Também bastante nostálgicos. Afinal, como não relembrar de todos os momentos que relatei acima? As escolas de Roma, do Rio, a volta para Itália ...  sobretudo porque foram momentos bastante felizes e significativos para nossa família.

    Guardamos no coração cada professor que cruzou no caminnho do Nick Jr. Agradecemos profundamente por todos os ensinamentos, pela paciência, pela severidade, pela amizade, pelo respeito.  Sempre acreditamos na união entre família x escola. 

    Anos intensos ... que hoje deixam a sensação de que passaram voando.

    Daqui a pouco se inicia uma nova etapa ... mas sobre isso a gente conversa depois.

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Recadinho especial para o Pequeno, agora Nick Jr.:

    Que a tua vida continue sendo de bons momentos, que as tuas escolhas sejam guiadas pelo teu coração, que teus sonhos sejam a tua prioridade, que sigas te mantendo firme nos teus propósitos, que sigas levando a vida de uma maneira leve e que tenhas a certeza de que eu e teu pai estaremos sempre para ti  ... mesmo quando nos deixes do lado de fora da porta - seu danado! - ... ainda assim estaremos ali, te esperando para um abraço. Te amamos!




Nem pareço ...

     - "Mas você nem parece brasileira!".

    Nesses meus quase um quarto de século como estrangeira, talvez essa seja a frase que mais tenha escutado.

    No início dessa minha vida nômade até me chocava um pouco. Mas logo eu compreendi: venho de um país tropical, abençado por Deus, bonito por natureza e multiétnico.

    Apesar de já estar acostumada com essa afirmação, que na maioria das vezes é entoada em som exclamativo, por vezes ainda me pega desprevenida. E voltaram a acontecer, num período de tempo muito próximo (um numa semana e outro na semana seguinte). O bom de tudo isso é que, apesar do costume, ainda me causa uma necessidade de reflexão.

    Há alguns dias estava conversando com minha vizinha (a dos vasos - se não sabe do que estou falando, basta clicar aqui). Em determinado momento ela solta:

    - "Mas tu nem parece uma brasileira, tu parece uma italiana."

    Mal sabia minha vizinha que ela estava me dando entrada para um discurso que já tenho bem organizado na minha mente e que adoro explanar, explicar, esclarecer e todos os demais sinônimos compatíveis.

    - "Pois a senhora sabe que no Brasil não temos essas questões de "parecer" ou não, porque o Brasil é um pais com uma mistura de povos incrivelmente bela. A senhora sabia (claro que não!) que de onde venho, do Sul do Brasil, existiu uma grande imigração italiana? Muitos italianos foram pro Brasil, lá pelo final de 1800. O Brasil tem milhões (MILHÕES) de descendentes italianos."

    Ela, que fala muito, ficou muda. Continuei:

    - "A avó paterna do meu marido nasceu em São Paulo, a senhora acredita?"

    Ela sorriu e eu prossegui:

    - "De onde eu sou, do Sul do Brasil, se a senhora olhar no mapa, aquele estado láááaaaa embaixo, pertinho da Argentina, teve uma grande imigração, daqui do Norte da Itália, muitos do Vêneto (região ao lado da que moramos)."

    - "Tá aí! Por isso que tu parece italiana ..."

    - "E se eu lhe contar que na minha árvore genealógica não tem italianos? São portugueses e espanhóis."

    Ela ficou pensando ...

    E eu sorri. Sorrio de verdade porque não me incomoda, pelo contrário, fico feliz com a oportunidade perfeita de contar um pouquinho de história. E de fazê-los perceber que, no final, somos mais ligados do que imaginamos. (no caso, eles imaginam).

    Gosto de contar que no Sul do Brasil ainda hoje se falam dialetos do Norte da Itália que atualmente não se falam mais aqui por essas bandas. Ainda brinco: nós mantemos as tradições que vocês já perderam.

    Gosto de contar que lá no Sul existe o  chamado Talian, um dialeto reconhecido como patrimônio cultural brasileiro que mistura o vêneto com o português.

    Quando falo que só a região de São Paulo tem milhões e milhões de descendentes italianos, o povo se assusta. 

    Segundo o Google, além dos cidadãos oficialmente registrados (por volta de 390.000), estima-se que a Grande São Paulo abrigue entre 15 e 20 milhões de descendentes de italianos.

    Pois bem ... passaram-se alguns dias e fomos para Capistrello, a cidade do marido. Aquela rotina de cidade pequena, sempre encontra algum conhecido ou parente pela rua. Encontramos os primos do marido. Conversando com a esposa do primo, de repente ela me solta:

    - "Mas tu nem parece brasileira ... até como tu fala ..."

    Sorri. E o resto da conversa vocês já sabem:

    - "E se eu te contar que de onde eu sou, do Sul do Brasil ..."

    Acho que falta ensinar nas escolas essa parte da história deles, que se mistura com a nossa.

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    P.S.: Nick Jr., que na época ainda era "Pequeno" estudou sobre isso no Brasil :) teve até post resumido sobre a história , basta clicar aqui para ver

"Quarent'oitei"

    Dia 18 de Abril (que data bonita!) completei 48 anos. 

    Não. Não estou aqui para escrevê-los sobre idade, o peso dela e o quanto ela me preocupa. Nunca tive problema com idade, não tive crise dos "inta" e muito menos dos "enta". A idade não me preocupa e nem o que ela traz consigo. Tenho, óbvio, algumas questões mas nada que tire meu sono ou me dê medo. Quem sabe com alguma graninha extra faria algum que outro retoquezinho? Talvez ... mas se tivesse que escolher entre um retoque ou viver uma experiência, uma viagem ... escolheria a segunda opção, com certeza!

    Quem convive comigo há algum tempo sabe que não gosto do meu aniversário. Não é meu dia mais esperado, não gosto de comemorar, bolo e parabéns então ... me dão urticária. Já falei sobre isso algumas vezes aqui no blog. Quem perdeu clica pra ver o aniver de 2010, o aniver de 2011, o aniver de 2012, o aniver de 2013. Depois fiquei algum tempo sem fazer post. Mas tem também o de 2018, o aniver em quarentena de 2020 e o de 2025.

    Não significa que eu sempre tenha detestado fazer aniversário (se for ler os posts que mencionei aí acima vai visualizar e, talvez, entender esse meu turbilhão de sentimentos). 

    Óbvio que quando era criança amava meu dia, minhas festas com meus amigos em casa, adorava receber presente e fazia questão de avisar aos desinformados que aquele era o meu dia, só pra ganhar parabéns.

    Também amei as minhas festas adoslescentes e depois já maiorzinha, curtindo baladas, farras, dando muita risada e sendo feliz.

    Talvez com a idade tenha ficado mais introspectiva. 18 de Abril não é um dia terrível mas hoje prefiro menos alardes, menos comemorações, menos publicidade. Eu não sei explicar direito essa minha sensação: sou feliz e agradeço por todo o carinho que recebo (e recebo tanto carinho mesmo! Que sorte a minha!).

    De uns anos pra cá meu dia tem ficado mais triste. Faz uma falta tremenda o Parabéns do meu pai. Me bate uma tristeza, uma nostalgia, uma dor no peito. Como eu queria ouvir do meu velhinho bonitinho aquelas palavras bem entonadas, bem organizadas, naquele tom de voz alto, ditas também com os olhos, com toda a sua eloquência e expressividade. Mais ou menos como ele fez aqui nesse dia. Talvez me dedicasse uma música na rádio da cidade, competisse com minha mãe pra ver quem me "abraçava" primeiro. Quando a vida deixa de ser no Presente e passa a ser no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, indicando uma possibilidade passada ou hipotética que a gente sabe que não vai mais acontecer, fica tudo bastante triste.

    Mas eu vivo nesses altos e baixos, nessas misturas doidas de sentimentos, os alternando entre tempos passados, presentes e futuros.  Ao mesmo tempo em que sofro pelo que não tenho mais, sou imensamente grata pelo tanto que ainda tenho. Quanto carinho eu recebi da minha família (se reuniram na casa da minha mãe para o café da tarde, me ligaram e cantaram parabéns, com direito a bolo) e carinho dos amigos também! Que sorte a minha ter conseguido cultivar e manter tanta gente querida perto de mim, apesar da distância, das minhas mudanças.

    Falando em amigos, neste ano celebrei com as amigas também. Tenho uma amiga querida que faz aniver dia 17. Assim que nos reunimos e celebramos nossos anivers com nossas amigas, num aperitivo bem bom, daqueles onde o papo rola e quando a gente vê já é uma da manhã :)


    Os meus Nicola's resolveram me fazer uma surpresa (logo eles que são péssimos para guardar segredos). Organizaram uma viagem (para um lugar aqui perto, umas 2 horas e meia de casa). Reservaram hotel, restaurante e conseguiram, a muito custo (muito mais pro Nicola Sr., devo dizer) manter segredo até o momento da nossa chegada na cidade.

    Eles queriam ir para um lugar que fosse novidade para os 3 e que não fosse uma viagem longa.

    Meu desejo de presente ideal seria passar meu aniver em Madrid :) ... mas seria mais cansaço que divertimento, pouco tempo ... nada feito.

    Meu sonho de presente também poderia ser as Maldivas :) ... só para enlouquecê-los.

    Como sabia que o destino final não seria nem um e nem outro, não fiz questão de ficar perguntando muita coisa. Só pedi que me dessem a previsão metereológica e algumas pistas, afinal tinha que arrumar minha mala para o final de semana. E não sou nenhum pouquinho doida de encarregá-los esta tarefa.

    Chegamos em Bassano del Grappa e a verdade é que num primeiro momento não fiquei impactada mas logo fomos passear pela cidade e ela me surpreendeu gratamente. Tanto que fiquei com vontade de voltar.








    A cidade é conhecida como a "capitale mondiale degli Alpini".  E é também a cidade da grappa.

    Passamos um final de semana muito legal, curtimos muito o meu dia e à noite só não foi perfeita porque inventaram de falar no restaurante que era meu aniversário e no momento do doce, vieram cantar "Tanti Auguri" com uma vela em cima do meu gelato :( ... passei uma vergonha daquelas ... nessa altura do campeonato e da convivência, meus Nicola's deveriam saber que não gosto disso. Mas como boa ariana ... prometi  vendetta  ... eles que me aguardem!



    No dia seguinte a previsão era de chuva assim que deixamos o hotel e pegamos a estrada de volta pra casa. Queríamos aproveitar pra passar em Sirmione (lugar que adoro na região do Lago di Garda) e passarmos na nossa cantina preferida pra comprar alguns vinhos. Mas a cantina estava fechada. Fica para uma próxima oportunidade.

    Assim que passaram-se os 48, sem grandes traumas, com bons momentos, muito carinho, sendo muito feliz e grata por todos que eu tenho.

    O que não significa que não siga cada vez mais chata, reclamona, pessimista, resmungona ... mas isso já é papo pra outro post ... :)

Grazie mille, my boys! Eu amo vocês!

Uma Breve História ...

     Dia 04 de setembro Nick Jr. completou  19 anos (DEZENOVEANOS!!!).     Pela primeira vez (em 19 anos) não passou seu aniversário conosco...