A paz nasce do silêncio ...

     Final de semana passado fomos para Capistrello. Como costumamos fazer, paramos sempre mais ou menos no meio do caminho para dormirmos e no dia seguinte seguirmos viagem. Quase sempre a gente para na região da Toscana. Desta vez marido quis fazer algo diferente: ao invés de reservar um hotel, reservou um quarto numa residência de freiras (um Convento) na cidade de Loreto.

    Loreto é uma cidade bonitinha na região Marche. É um dos centros de peregrinação mariana (li em algum lugar que é um dos mais importantes centros de peregrinação do mundo). Abriga a Santa Casa de Nazaré dentro da Basílica della Santa Casa. A tradição católica afirma que esta casa, onde a Virgem Maria recebeu a Anunciação e Jesus viveu, foi milagrosamente transportada por anjos no século XIII.


    A cidade desenvolveu-se inteiramente ao redor do Santuário e mantém uma atmosfera profunda de fé e história, sendo um destino essencial para turismo religioso na Itália. A Madonna di Loreto é considerada a padroeira dos aviadores e viajantes aéreos, com o dia de sua festa celebrado em 10 de dezembro (dia do aniver do Nick Sr.).


    Nós ficamos na Casa di Accoglienza "Sacra Famiglia di Nazareth", um convento conhecido como o "convento das freiras polacas". (mais informação clica aqui), fica situado juntinho ao Santuario di Loreto.


    Chegamos e fomos  recepcionados por uma freira simpática e sorridente (desculpem minha ignorância mas não sei como definir: irmã, freira, ou se naquela congregação tem outro nome - não é falta de respeito, é ignorância mesmo).

    Fiquei conversando com ela enquanto marido foi estacionar o carro. Ela confirmou se nosso nome estava na lista (uma lista feita à mão). Pediu meu documento para fazer o "check-in" e logo me deu duas chaves com seus respectivos chaveiros. Sorriu e me disse: 

    - "É que aqui nós não somos modernos, vai ter que sair com duas chaves".

    Uma era a do nosso quarto e a outra era da porta de entrada da residência. Me explicou que quando saísse teria que girar a chave duas vezes. Quando voltasse, precisava  girar a segurança da fechadura em duas voltas. Caso tivesse ficado alguma dúvida, repetiu resumidamente:

    - "Quando sai gira a chave duas vezes (fez sinal com a mão) ... quando volta o botão aqui duas vezes."

    Confirmei que havia entendido (vai que ela repetisse ...) e quando marido voltou fiz questão de repetir a informação na frente dela.

    Logo nos acompanhou até nosso quarto. Antes, como era tudo muito próximo, no mesmo corredor, nos mostrou a Capela para oração (com um altar bem bonito) e nesta residência tem também o quarto onde esteve  João Paulo II que, durante a  peregrinação à Loreto (no ano de 1979) passou por ali.

    - "Este é o quarto do Santo João Paulo II, vocês podem entrar e ver ..."

    Marido ficou todo emocionado, eu fiquei meio sem jeito de entrar e bisbilhotar.

    A irmã seguiu:

    - "E aqui do lado do quarto dele ... é o quarto de vocês ..."

    - "Como assim vou dormir do lado do quarto de João Paulo II???", pensei.

    Entramos os três. Ela foi conferir se estava tudo ok. Verificou que os aquecimentos não estavam ligados. Ficou alguns minutos ali conosco, tentando fazer o aquecimento funcionar. Mesmo a gente dizendo de que não tinha necessidade de ligá-los, pois o quarto já estava com uma temperatura agradável.

    Ela saiu, fechei a porta, olhei pro marido, arregalei o olho e disse: "estamos do lado do quarto do João Paulo II ...".

    Logo percebi que aquele era um lugar de silêncio absoluto. Absoluto mesmo, onde qualquer pequeno barulhinho é percebido: escutei que os passos da freira foram se distanciando, ao mesmo tempo em que escutava cada luz que ela apagava. Marido foi abrir a mala dele e fez um barulhão danado. 

    O aquecimento começou a funcionar. Marido foi avisar a freira. Abri a porta para dar uma espiada e vejo passar uma freira bem jovem, carregando um aspirador. Entre a Capela e o quarto de João Paulo passa uma freira com hábito cinza carregando um aspirador. Achei engraçada aquela cena ... 

    O quarto era simples, com duas camas de solteiro, um pequeno guarda-roupa, uma mesa e duas cadeiras. Sobre a mesa um pequeno abajur para leitura e um livro do Evangelho.


    Enquanto marido tomava banho, li o Evangelho do dia. Logo disse pra ele:

    - "Lê o Evangelho!"

    - "Eu já li!", respondeu ele ... que tem o hábito de ler o Evangelho do dia todas as manhãs.

    - "Não! Tem que sentar aqui na mesinha, ligar o abajur e ler ...", disse bem mandona.

    O banheiro era bem antigo mas assim como o quarto, tudo muito bem cuidado e muito limpo. A toalha de banho era do tamanho de uma toalha de rosto ... mas, tudo bem.

    Logo saímos para irmos ao Santuário. Nós já conhecíamos Loreto de uma outra vez que estivemos por ali de passagem. Mas é uma cidade com uma atmosfera especial e vale a pena voltar.

    Visitamos o Santuário e logo tivemos tempo de assistir à missa daquele final de tarde (onde o Padre repetiu o Evangelho e eu quase já o sabia de cor e salteado).

      Após a missa, passeamos um pouquinho pela cidade. Pouquinho mesmo pois tinha uma neblina densa e fria.


    Jantamos no Ristorante Casa Accoglienza Pellegrini (que já conhecíamos da outra vez). Uma comida boa, com um preço justo, uma batata frita deliciosa e um vinho da casa bem bom.

    Voltamos cedo para a residência (não dá pra chegar tarde na casa das freiras ... até "dava", a irmã nos disse que não tinham restrições de horário mas, por respeito, voltamos cedo). A ideia era dormir cedo, pra acordar cedo e seguir viagem no dia seguinte.

    Deitei e pensei: "que beleza! Vou dormir umas 10 horas de sono tranquilo".

    De repente começo a escutar um barulho de gota. Uma única gota que caía, com uma precisão de mais ou menos 1 segundo por gota (ou seria 1gota/segundo?). Até pensei que poderia ser algum desses relógios antigos ... será que tinha algum relógio no quarto de João Paulo II? Acho que não. Era gota mesmo, de algum lugar.

    O pé direito do quarto era bastante alto, o que fazia com que o barulho ecoasse e dava a sensação de que a gota estava ali no quarto.

    - "Não tava ouvindo essa gota antes ... daqui a pouco ela passa.", pensei enquanto virava de um lado para o outro, na minha cama singola, tentando dormir.

    Plim ... Plim ... Plim ...

    Nada de conseguir dormir por conta da bendita gota.

    Parecia que estava tentando dormir há uma eternidade. Olho o relógio, marcava meia noite. Fazia realmente "um tempão", já que fui deitar umas nove da noite.

    Conseguia pegar no sono mas logo acordava com aquele Plim insistente e irritante.

    Lá pelas duas da manhã, fiz uma introspecção, bati um papo cabeça comigo mesma:

    - "Tatiana, minha filha, veja só ... se você está em um lugar de paz, de silêncio, e não está tendo nem paz e nem silêncio, cara pessoa, reflita: o problema deve estar em você, na sua aura, no seu pensamento, no seu coração."

    Acabei batendo boca mentalmente comigo:

    - "Torração de paciência! Já não consigo dormir e ainda vem botar ideia na minha cabeça ..."

    3 da manhã resolvi levantar, pé por pé, pra não fazer barulho pra ninguém. Liguei a lanterna do celular e saí à caça da gota maldita. Achei que estivesse pingando nos aquecedores do quarto ou do banheiro. No do quarto com certeza não era. Fui até o banheiro ... ali também não tinha nada pingando. Resolvi desligar o aquecedor do banheiro, afinal ninguém precisava de um banheiro quentinho.

    Voltei para a cama ... e o barulho parou.

    - "Eu sabia! Eu sabia!", comemorei mentalmente.

    Mas a felicidade durou pouco tempo. Logou começou o Plim Plim de novo.

    Rezei para todos os Santos possíveis para que me ajudassem a dormir nas poucas horinhas de sono que me restavam.

    Logo passei a mentalizar uma frase que gosto muito, que a li num Santuário que tem próximo de Capistrello, a terra do Nick Sr.:

    - "La pace nasce dal silenzio" ... A paz nasce do silêncio.

    Fiquei repetindo essa frase quase como um mantra, enquanto tentava entender naquele silêncio absoluto o barulhão ensurdecedor de uma gota: quando o silêncio é total qualquer pequeno rumor vira um barulhão.

    Cinco e pouca da manhã o hóspede do quarto de cima resolveu ir ao banheiro. Parecia que ele estava no nosso banheiro. Um simples abrir de torneiras soava como as Cataratas do Iguaçu.

    Tirei um cochilo e acordei às 7 da matina, cansada, com dor de cabeça de sono, querendo sentir raiva do vizinho de cima mas lembrando que estava num local espiritualmente abençoado, nenhum sentimento ruim deveria prevalecer.

    Acabei batendo um papo mental introspectivo novamente: havia entendido o recado. A paz que eu estava buscando fora deveria iniciar partindo de dentro. Se eu não estou em paz comigo mesma, até uma gota é capaz de tirar meu sossego.

    Li o Evangelho do dia. Aquele que fala sobre "amar até o nosso inimigo". 

    Tomamos banho, arrumamos nossas coisas, nos despedimos da freira que estava na recepção (não  era a mesma do outro dia) e fomos tomar café (oferecido pelas freiras mas num bar que fica na praça do Santuário). 


   Queríamos  ter passeado um pouco mais pela cidade, curtir a vista do Mar Adriático  mas a neblina continuava. Assim que pegamos o carro e seguimos viagem para Capistrello.


    Onde, naquela noite, descobri que era o melhor lugar do mundo para se estar: dormi em paz, no silêncio total e absoluto, o sono dos deuses ...

    La Pace Nasce dal Silenzio ... já tive vontade de tatuar essa frase ... mas ela agora virou um mantra, mais do que na pele, está registrada na minha alma. Entendi o recado, Papai do Céu!


           (vai para um local com silêncio, coloca o volume no máximo e me diz que você escuta a gota também. Gota, carro passando, gota novamente ... confirma que não  é coisa da minha cabeçapor favor! )

Hora do Chima.

    Dentre as tantas coisas das quais sinto saudades do Brasil, uma delas é da hora do chimarrão.

    Chimarrão  é uma  bebida típica da cultura sul-americana, especialmente no Sul do Brasil (RS), Argentina, Uruguai e Paraguai, feita da infusão de erva-mate (Ilex paraguariensis) moída em água quente (não fervente). É consumido em uma cuia com auxílio de uma bomba de metal, representando um forte elo social, cultural e de pertencimento.O chimarrão é um símbolo da identidade gaúcha, consumido diariamente como um hábito que promove o encontro e o compartilhamento.

    Sinto falta daquela roda de pessoas batendo papo enquanto a cuia vai girando de mão em mão  (e eu nunca sei qual é o sentido certo do giro). Tem sempre um espertinho que tenta furar a fila, dependendo do tamanho da roda é fácil que a pessoa que está servindo o chima (ou chimas como dizemos carinhosamente) se perca na ordem da fila. 

    A hora do mate vai além dos muros caseiros: se toma chimarrão no trabalho, numa reunião, eu tomava chima com os colegas na escola, faculdade. Se toma chima até na praia! Faz realmente parte da rotina dos gaúchos.

    Como já contei num post  recente, Nick Jr. desta vez voltou do Brasil mais nostálgico. Desde sempre, desde muito pequeno, ele se sente "gaúcho" (já contei aqui, e nesse post aqui - pra citar alguns deles). Quando ele era pequenino, costumava dizer: "se minha mãe é gaúcha, sou gaúcho também". A herança materna segundo a visão dele.

    Desde que voltamos de viagem, temos uma espécie de rotina para nosso chima diário: no final da tarde nos reunimos (eu e ele, porque Nick Sr., não tem jeito, não gosta de chima). Nick Jr. prepara o chimarrão, nos sentamos na cozinha e bebemos nosso mate.


    Não são todos os dias que temos papo para conversar. Aliás, já teve até dia em que passamos o dia inteiro sem trocar palavra (adolescência, sabe?!) mas mantivemos nossa hora do chima. Definitivamente o chimarrão aproxima.


    Rico em antioxidantes, vitaminas do complexo B, cafeína e minerais, ele é um estimulante natural que ajuda na concentração, no funcionamento do intestino e na redução do colesterol ruim. (Fonte: diversas da Internet)

    Eu sei que pra quem não conhece e olha assim de fora parece meio estranho: uma  bebida quente que o povo toma seja de inverno que de verão, um gosto amargo, tem até quem diga que é meio "nojento", sem contar esse negócio de "só passa a cuia quando roncar" ... eu sei. Você pode  achar estranho ... mas, de verdade, se você nunca provou, não sabe o que está perdendo.

    Mesmo com todas as pressas e correrias do mundo, dos estresses e discussões (de mães/pais/adolescentes), o velho e bom chimas está aí pra mostrar que, apesar de tudo, a gente precisa manter tradições e que  uma pausa,  uma boa conversa e, sobretudo, a companhia rende esta Vida muito mais bonita, tchê!.








o Batizado da Luísa.

    No ano passado, quando fomos pra Lisboa passar a Páscoa (e meu aniversário) com a Carol (dinda do Nick Jr.) e o Renan (senhor seu marido), recebemos com felicidade e emoção a notícia de que seríamos padrinhos da Luísa. (Contei sobre esse feliz momento aqui)

    No último dia 04 de janeiro oficializamos esse compromisso. Aproveitando que estávamos no Brasil de férias, os papais organizaram a cerimônia do batizado.

    Luísa, coisa mais amada dessa vida, ficou quietinha e atenta durante a missa que precedeu a cerimônia de batismo.

    Já tinha sido assim quando, alguns dias antes, fizemos o curso de padrinhos em Tramandaí, cidade do litoral vizinha a Osório.  Passou todo o tempo com olhar curioso e encantada com os vitrais da igreja, prestando atenção em cada palavra que a ministrante do curso dizia. 

    Durante a cerimônia do batizado em si, passou todo o momento com um olhar atento, analisando cada detalhe: o colorido da igreja, as pessoas que ali estavam e bem concentrada no que o padre fazia e dizia.

    No momento da benção com a água (aspersão) achei que fosse reclamar ou chorar. Mas ... que nada! Ainda focou o olhar na imagem da "pombinha" (Espírito Santo) fixada no teto da igreja.

    Logo o padre nos chamou para ficarmos próximos da imagem de Nossa Senhora que segurava o Menino Jesus, para uma benção especial. A danada da menina fixou o olhar na imagem da Nossa Senhora que estava em alto. A olhava com atenção. Tão fixamente que cheguei a me emocionar. Parecia que ela tinha entendido que era pra pedir uma benção pra santinha.

que bom que a fotógrafa  @tatischwanckfoto conseguiu registrar esse momento

    A parte engraçada, curiosa e  ao mesmo tempo emotiva,  ficou por conta do dindo da Luísa, o Nick Sr, senhor meu marido.

    Ele ficou encarregado de acender a vela na chama do Círio Pascal. E assim o fez. Porém, eu que estava bem do ladinho dele (e assim como todo o resto das pessoas que ali estavam), percebi(emos)  que a vela tremia mais do que vara verde. Na verdade o dindo tremia ...

    Eu fiquei com vontade rir ... mas eu estava na frente do padre, diante da chama do Círio Pascal e com a afilhada em braços.  Não seria tão desrespeituosa.

    Marido seguiu tremendo, tanto que da graça passei a preocupação. 

    Já no final da cerimônia, na primeira oportunidade, perguntei:

    - "Nicola, criatura! Por que tu tremia daquele jeito?", fiquei realmente preocupada.

    - "Eu fiquei nervoso, preocupado se a vela se apagaria ..."

    E nem dando tempo para que seguisse perguntando algo, continuou:

    - "... e eu tava emocionado! Minha primeira afilhada!", reconheceu o dindo babão.

    Minha cunhada, vovó da Luísa, depois me disse que além das mãos ele tremia até as pernas :)

    Após a cerimônia da igreja, a mamãe e o papai da Lulu organizaram um almoço para as famílias. Um momento especial de confraternização. Carol pensou em cada detalhe, a comida estava uma delícia e teve até música ao vivo, com competição de karaoke. 

    Alguns dias após o batizado, jantávamos na casa de uns amigos, quando comentávamos sobre  a surpresa (abençoada e linda) da vinda da Luísa. E foi ali, conversando,  que me dei conta de uma dessas coincidências da vida que, pra muitas pessoas, não fazem sentido nenhum. Mas que pra mim faz tanto sentido que cheguei a me arrepiar: o batizado da Luísa foi dia 04 de janeiro de 2026. E há exatamente um ano, no dia 04 de janeiro de 2025 foi quando a Carol descobriu que estava grávida.

    A Carol e o Renan não escolheram a data do batizado (era a que se encaixava melhor na agenda da igreja, aproveitando o período que estaríamos por lá). Provavelmente você esteja pensando: coincidência ... e basta. 

    Meu amigo Google me disse que:

    "Coincidência é a ocorrência simultânea de dois ou mais eventos que parecem relacionados mas não tem conexão causal aparente, sendo vista pela ciência como resultado do acaso e estatística, mas por outras visões (psicológicas, espirituais) como sincronicidade, significado profundo, intervenção divina (...)"



    Uma das tantas coisas importantes que o padre falou naquele dia, foi da importância dos padrinhos nunca se esquecerem da data do batismo dos seus afilhados.

    Tem um provérbio que diz mais ou menos assim:  

    "Coincidências são pequenos milagres onde Deus prefere não aparecer."

    04 de janeiro ... e nesse caso,  Ele apareceu :)

    Como esquecer?

dindos Nicola Sr. e Vitor, papai Renan e mamãe Carol, o padre com a Luísa, dindas Tati e Laura.


Brasil, meu Brasil brasileiro.

Finalmente fomos para o Brasil! (leia isso em tom de felicidade!).


Embarcamos no dia 21 de dezembro. Uma longa e cansativa viagem com conexões demoradas em Lisboa e em São Paulo.

Chegamos em Osório no dia 22 de dezembro. E bem nesse dia, nasceu meu oitavo sobrinho-neto: Rafael (Rafinha para os íntimos). Deu tempo de brindar com a família a chegada do novo membro.

Bem-vindo, Rafael!


Piscamos e já estávamos na função de Natal. Aquela bagunça com a família, um  Papai Noel meio improvisado (que assustou as crianças e fez rir aos adultos). Ainda estávamos sofrendo com a diferença do fuso horário, aquela coisa chata de acordar cedo demais e querer dormir às 06 da tarde ...



São Pedro não colaborou muito e nossa primeira semana foi de tempo feio e chuva. Isso sim: bastante calor.

Nossos primeiros 10 dias foram assim :/


Entre Natal e Ano Novo, comemoramos o mesversário da nossa afilhada, Luísa (Lulu para os íntimos). O tema escolhido não poderia ter sido outro já que comemoramos com a presença do vovô Beto: Grêmio, nosso time do coração.



No mesmo dia do mesversário da Luísa, Nick Jr. foi jogar bola com os primos. Já havia jogado uns dias antes e para aquele jogo se preparou especialmente: comprou até chuteira nova. Estava tudo perfeito até o menino fazer uma péssima combinação: estrear chuteira com a meia errada. Resultado: pés esfolados. Sim, pés, no plural. Porque com o Nick Jr. é assim: pra que quebrar só um dente se pode quebrar os dois? (não sabe do que estou falando? Clica aqui). Pra que cair e esfolar o joelho se pode esfolar o corpo todo? (também não sabe do que estou falando? Clica aqui). Pra que tirar a pele de só um pé se pode esfolar os dois na véspera do Ano Novo? Aventura pouca é bobagem para este menino ...


Piscamos e já era 31 de dezembro. Minha família alugou um salão para fazermos a nossa festa. Sim, somos muitos e enchemos um salão. Antes da função de comidas, bebidas, contagens regressivas, lentilhas e etc, organizaram um bingo. Um momento de diversão, pra passar tempo mesmo. E foi bem legal: ganhei até prêmio :)


Logo foi aquela função de comemoração, festa, beberagem (espumantes e prossecos até o fígado dizer chega), comilança e dança, muita dança.

Minha mãe e os netos - faltaram a Jéssica e o Nando.

As noras e os genros

viu porque precisava de um salão?




Nick Jr. que havia passado o dia na cama com os pés pra cima e cheio de pomada, resolveu fazer um curativo (afinal ele queria celebrar!). Teve a ajuda da prima Jéssica que mesmo estando no puerpério cuidou dos pés do menino fazendo um laser especial que foi ajudando na cicatrização. Empapou os pés com pomada, fez um curativo com gaze e esparadrapo. Colocou seus chinelos e com o melhor look de gringo curtiu a festa: abriu a pista de dança e só parou de dançar quando fomos embora. Afinal, dois pés esfolados não iriam atrapalhar o momento de confraternização com a família.


Piscamos e já era 04 de janeiro, um dia muito especial: dia do batizado da Luísa (e foi tão especial que vai ter um post só pra esse dia!). O papai e a mamãe da Lulu organizaram uma festa pós batizado bem legal, curtimos novamente em família e curtimos a nossa pitoca que se comportou lindamente e, acredite, curtiu desde a cerimônia na igreja até a  sua festa.






Como de costume, não consegui fazer tudo o que gostaria, ver todas as pessoas que tinha vontade, comer todas as minhas saudades gastronômicas, passear o quanto gostaria, ver todas as paisagens que sentia falta. A sensação foi realmente a de que "piscamos" e já era hora de voltar pra casa.


Claro que curtimos tudo o que deu, matei a saudade da minha família, conheci um monte de bebê coisa mais linda da vida, almoçamos/jantamos com amigos queridos. Curtimos o aniversário da prima. Matei saudade de xis, churrasco, chimarrão e caipirinha (aliás, Nick Jr. aprendeu a fazer caipirinha e, diga-se de passagem, o menino manda bem pra caramba! E olha que eu sou expert no quesito pinguça ...).

A maternidade dando retorno :)


Deu tempo de curtir a praça da Igreja e suas luzes de Natal. Matei a saudade da tia Iracema que foi nos visitar junto com a prima Gilma. O mar eu vi de longe, não  peguei nenhum solzinho (imagina, estragar minha branquelice europeia!).

As luzes de Natal da praça da Matriz


Tramandaí


Piscamos ... e era hora de vir embora. Saímos com um pouco de antecedência  já que tínhamos que pegar estrada (e a Freeway no verão é sempre uma incógnita).  Tínhamos   que  devolver o carro que alugamos, chegar antes no aeroporto para despachar malas ... aquele estresse e chatice de função de viagem. Nos despedimos da família e nem ainda havíamos entrado na Freeway (a autoestrada que liga Osório a Porto Alegre) e escuto um menino fungando: era Nick Jr., chorando de tristeza por estar indo embora.

Foi então, ali naquele momento, que percebi que tinha valido a pena. Não aquelas nossas férias. Não somente elas mas todas as outras que passamos com a família. Valeu a pena termos, nesses 18 anos, abdicado de passear em outros lugares. Valeu a pena priorizar tempo e dinheiro para que ele estivesse junto da família. Nossa prioridade sempre foi essa: quando moramos aqui, priorizar as férias com a família do Brasil e, quando morávamos no Brasil, priorizar as férias na Itália.

Valeu a pena ter insistido e investido na convivência dele com os avós, com os tios e com os primos. Valeu a pena termos trabalhado para que ele criasse laços e, mesmo sendo um menino sem uma terra pra chamar de sua (já que mudamos tantas vezes quando ele ainda era bem pequeno), o menino criou raízes.

As lágrimas daquele homenzarrão sentado no banco de trás de um carro atulhado de malas expressavam a tristeza por estar indo embora mas também a felicidade por ter vivido tantos bons momentos junto aos seus. E, acho,   valeu a pena ...

Chegamos com antecedência no aeroporto e Nick Jr. perguntou se dava para dar uma passadinha na Arena: estádio do Grêmio em Porto Alegre que fica bem próximo do aeroporto. 

Deixamos o carro na locadora, fomos para o aeroporto e de lá, Nick Jr. e Nick Sr. pegaram um taxi para o estádio. Fiquei no aeroporto de guardiã das bagagens.


Nick Jr. queria se despedir do seu time de coração e do seu avô (meu pai que há 04 anos não está mais aqui conosco  mas era um gremista apaixonado e passou essa paixão para nós). Uma despedida simbólica.

Essa ida rapidinha à Arena virou uma grande aventura. Fizeram amizade com o taxista (colorado) que deu boas dicas e os ajudou  a chegar num ponto especial para que Nick Jr. pudesse tirar uma boa foto. A Arena já estava fechada assim que ele não conseguiu ver muito mas matou as saudades e, segundo ele, com a ajuda do vô, viveu uma experiência bem legal.



Piscamos e já estávamos sentados no avião de volta pra casa.

Após uma conexão quase eterna em Lisboa, chegamos no dia 10 de janeiro em Milão. De madrugada e num frio daqueles. Como perrengue pouco é bobagem, nossas malas demoraram outra eternidade para saírem da esteira das bagagens. Eu já estava literalmente dormindo em pé, só querendo chegar em casa, tomar um banho e dormir.

Por sorte o ônibus que nos levaria até o estacionamento onde havíamos deixado nosso carro estava ali, paradinho, nos esperando. Logo chegamos até o nosso carro ... e encontramos o bichinho todo congelado. Também pudera! O termômetro marcava -6°. Rezei para todos os santos possíveis para que nosso carro ligasse logo (tinha uma grande possibilidade de isso não acontecer já que o coitado ficou 20 dias sofrendo no frio). Mas ele ligou! (leia isso em tom de agradecimento!). Marido ligou todos os aquecimentos internos possíveis e foi tirar o gelo do parabrisas, enquanto eu e Nick Jr. batíamos queixo de frio dentro do carro.


Chegamos em casa, arrumei as camas enquanto marido ligava o aquecimento da casa, tomei banho e literalmente desmaiei. Nosso plano era acordar relativamente cedo no dia seguinte para já ir acostumando novamente com o horário. Mas acordamos tarde pra caramba.

Piscamos e já estávamos de volta em casa. Com uma bagunça pra organizar, um corpo para acostumar de volta com o frio, uma sensação de "não deu tempo de nada" misturada com a sensação de "que saudade de casa" e com um jovem senhor reclamando da paisagem cinza e dizendo ter vontade de morar no Brasil.

Piscamos ...  e descobrimos que sim, valeu a pena!




A paz nasce do silêncio ...

      Final de semana passado fomos para Capistrello. Como costumamos fazer, paramos sempre mais ou menos no meio do caminho para dormirmos ...