"Perder" Tempo.

     Quem mais carrega consigo uma sensação quase que diária de "perda de tempo"?

    Situações em que temos plena consciência de estar perdendo tempo mas, mesmo assim, a gente insiste. E continua. Prossegue e repete.

    "Ah, Tatiana! Mas estás falando do quê especificamente?"

    De nada em específico mas ao mesmo tempo falo de um monte de coisa.    

    Um exemplo: (e ele vai no próximo parágrafo, pra dar a importância que merece) 

    Até os meus vinte e poucos anos tive apenas um furo em cada orelha. Com vinte e poucos, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, numa farmácia qualquer de Copacabana, resolvi fazer um segundo furo.

     Há uns dois anos (ou seja, com quarenta e muitos) resolvi fazer um terceiro furo em cada orelha. Por quê? Porque eu queria radicalizar :)

    Pois bem. Aguentei o tempo determinado sem tirar os brincos da orelha, o tempo necessário para que cicatrizasse e o furo não fechasse mais.


    Eu amo brincos! Eu saio de casa sem documento, sem bolsa, sem batom, sem marido, sem filho, sem protetor solar. Mas não saio sem brincos. Estar sem  brincos me causa uma sensação de nudez da alma. Uma mania que tenho ... sei lá!

    Acontece que, por outro lado, não consigo dormir de brincos. Por menor que eles sejam me causam fastidio, incomodam.

    Assim que todos os dias, ao acordar, eu coloco seis brincos, pacientemente. E todos os dias, ao ir dormir, tiro pacientemente seis brincos. E olha que pacientemente é uma palavra e um ato quase desconhecido para mim.

       Todos os dias, sem exceção, enquanto coloco e tiro brincos, reflito sobre a quantidade de tempo que já perdi na minha vida realizando esta ação.

    E pra deixar esse papo ainda mais complexo, vou contar pra vocês um segredo: eu estou pensando em fazer um quarto furo :)

    Pra quê? Pra radicalizar ... e porque eu quero. Mesmo sabendo que serão 8 brincos diários pela manhã e 8 à noite. Mesmo sabendo que não vou dormir direito porque me incomodarão e mesmo sabendo que vai doer pra furar porque agora pega cartilagem.

    Vai entender ... sabe que perde tempo, insiste, se complica mais ainda ... e tudo isso conscientemente.

    Pode parecer que esteja falando "só" de brincos ... mas ... vai saber ...  poderia estar falando da Vida ...

Maturità.

    


    Lembro como se fosse agorinha mesmo do dia em que o deixei na escolinha pela primeira vez, lá em Roma. Nick Jr. tinha 2 aninhos. Moira, a auxiliar da escolinha, veio nos receber sorridente e cheia de carinho. Logo o levou para conhecer a escolinha e depois o acompanhou à sala com os coleguinhas. Algum tempo depois veio ainda mais sorridente e me disse: 

    - "Olha só, ele está super bem lá na sala com os colegas e a profe. Eu acho que você pode ir pra casa. Qualquer coisa a gente te liga mas acho que não será preciso."

    - "Tem certeza?", perguntei.

    Ela tinha certeza. E eu também. Nick Jr. precisou de apenas algumas horas para se integrar e foi muito feliz lá no Asilo L'albero delle ciliegie (creche), sob os cuidados da profe Federica.


    No ano seguinte foi para "a escola dos grandes", como ele costumava dizer. Scuola dell'infanzia Don Bosco, que ficava literalmente atrás da nossa casa lá em Roma. Era o mascotinho da turma (era o menorzinho) e foi igualmente acolhido com muito amor pela maestra Nina.


    Que tristeza foi dizer adeus para a profe e para os coleguinhas quando decidimos, um ano e meio depois,  mudar para o Rio de Janeiro. Nicola sofreu com saudade da escolinha, da profe e dos amigos. E que felizes que ficamos, alguns meses depois, quando recebemos uma cartinha cheia de carinho da profe e dos coleguinhas, onde cada um fez um desenho para ele.





    No Rio de Janeiro demoramos um pouco para encontrar casa e consequentemente para encontrar uma escola para Nick Jr.

    Lembro também, como se fosse agorinha mesmo,  quando fomos visitar o Colégio da Imaculada Conceição, enquanto conversávamos com a diretora, ele pegou na mão da Irmã Inácia e foi passear pela escola: uma delícia de ambiente, em meio ao verde, com uma boa estrutura, um parquinho legal. Voltou todo sorridente com um sotaquezinho ainda gringo disse:

    -"Essa é a minha escolinha, eu quero estudar aqui, eu gostei."

    E assim foi. O Imaculada foi sua segunda casa por alguns anos. Lá fez o Pré 1, Pré 2 e o 1° ano do Fundamental. As "tias" Alice, Pri e Vivian deram pra ele além de muito conhecimento o principal: muito amor e carinho. Eternamente grata!



    Logo veio a etapa no Colégio Ph. Uma escola diferente, com um  método diferente. Lá iniciou a rotina de ter um profe pra cada materia e lá também iniciamos os estresses com os deveres de casa. Assim como no Imaculada, no Ph Nick Jr. viveu bons momentos, aprendeu muita coisa mas sobretudo conheceu muita gente legal que levaremos pra sempre nos nossos corações (e fico feliz em ver que apesar da mudança e da distância, ele consegue ainda manter contato com alguns amigos dessa época).
    

    


    Felizmente ele conseguiu terminar todo o ciclo do Fundamental 1 no Brasil, até que veio a Vida e nos deu outra oportunidade de mudança. Novamente amigos que ficavam para trás, novamente uma preocupação nossa com respeito a adaptação à uma nova escola. Ele sofreu com as despedidas. E de todas as mudanças a que foi mais difícil foi a do Rio de Janeiro.

    Nick Jr. chegou na Itália no meio do ano escolar já em curso. A Scuola Leonardo da Vinci o acolheu de braços abertos. Logo ele já estava super inserido na turma, adaptado com o idioma e disposto a mostrar para quem quisesse ver (e para quem não quisesse também) seu caráter "aparecido" e eloquente. Foram 3 anos de aprendizado, independência (ainda lembro do terceiro dia de escola onde ele pediu que, por favor, não o acompanhasse mais porque era o único que a mãe levava na escola), bons momentos, novos amigos, uma pandemia e um início de adolescência sem grandes traumas. Isso sim: os estresses com os deveres de escola seguiram.









    
    E então chegou o momento de escolher em que tipo de escola fazer o ensino médio. Aqui na Itália você pode escolher que tipo de estudo seguir (são 5 longos, quase  infinitos anos de estudo).   Existe o Liceo: Liceo Classico (Clássico), Liceo Scientifico (Científico), Liceo Artistico, Liceo Linguistico, Liceo Musicale (Musical) e Liceo delle Scienze Umane (Ciências Humanas). Existem também os  Istituti. Eles são destinados para aqueles estudantes que querem obter uma formação científica, técnica e profissional para entrar no mercado de trabalho logo após o fim do ensino médio (como o ensino médio técnico no Brasil).
    
    Nick Jr. como adora um desafio :)  escolheu fazer o Liceo Classico. Onde basicamente se estuda língua e literatura italiana, língua e cultura latina (latim), língua e cultura grega, filosofia, história, geografia, história da arte, física, língua e cultura estrangeira (inglês), matemática, ciências, educação física,  religião ou atividade alternativa (para quem opta por não fazer as aulas de religião).

    Foram 5 anos desafiadores. Poderia terminar esse parágrafo por aqui. Mas foram 5 anos  de muito estresse, muitas brigas, choros, mais brigas (eu falei muitas?). Nos dois primeiros anos tentamos convencê-lo a mudar de escola. Ficamos sem entender a insistência do menino mas respeitamos sua escolha em prosseguir neste percurso.

    Eu achava engraçado quando as pessoas (principalmente no Brasil) perguntavam pra ele:

    - "Mas pra quê tu quer estudar latim e grego?"

    Ele sorria e seguia firme no seu propósito.

    Nem tudo, óbvio, foi negativo. Nick Jr. adquiriu uma bagagem de conhecimento que eu posso viver outras cinco vidas e não a terei. Passar por todos os momentos que passou - os bons mas sobretudo por aqueles difíceis - o fizeram crescer como ser humano, aprender com os erros e seguir adiante.
    
    Nós, eu e Nick Sr., aprendemos muito com ele também. Foi admirável vê-lo se manter firme em um propósito, saber lidar com as adversidades, não se importar com a opinião dos outros e, principalmente, num momento pontual que foi um divisor de águas, respirar fundo, se reencontrar, se reerguer e seguir em frente.


    Sábado passado, finalmente (aleluia!)  encerrou-se mais  um ciclo para o Nick Jr.: ele terminou o tão esperado "esame di maturità - esame di Stato".  Apesar das aulas terem terminado no dia 8 de junho, ainda faltava este bendito exame.

    É uma prova de conclusão do ensino médio. Resumidamente, trata-se de duas etapas: 

    1) a primeira etapa são duas provas. No primeiro dia prova escrita de italiano (comum para todos os cursos); no segundo dia prova escrita com  a matéria principal de cada curso - que é escolhida por sorteio (no caso da escola do Nick Jr., Liceo Classico, as matérias poderiam ser grego ou latim. Neste ano foi latim a matéria sorteada). 

    2) a segunda etapa são provas orais onde entram as matérias já citadas: italiano, latim, além de outras duas disciplinas também sorteadas (neste ano história e matemática), além de uma breve entrevista, repasso do que foi estudado durante os 5 anos de Liceo, perguntas sobre o trabalho final do curso, etc.

    A prova oral é aberta ao público mas, por pedido do Nick Jr., eu e seu pai não fomos assistir. Mas o acompanhamos até a escola e ficamos do lado de fora esperando. Amigos e colegas foram autorizados a assistir (filho da mãe!). Em determinado momento eu, marido e um amigo que chegou atrasado ficamos grudadinhos à sala de aula onde Nick Jr. explanava com uma facilidade de argumentação típica. Eu tinha certeza que o exame oral seria fácil pra ele! 

    Durou mais ou menos 1 hora e quando saiu da sala de aula, acompanhado por seus amigos, tinha os olhos brilhantes mas uma fisionomia de preocupação que se misturava com alívio. Os amigos disseram que ele havia se saído muito bem, à parte matemática que, como  intuíamos, seria um pequeno desastre.

    Um pouco mais tarde saiu o resultado oficial: Nick Jr. havia superado o esame di maturità. Se concluía ali, oficialmente, uma etapa super importante de sua vida.


    Eu e seu pai respiramos aliviados, felizes e orgulhosos. Também bastante nostálgicos. Afinal, como não relembrar de todos os momentos que relatei acima? As escolas de Roma, do Rio, a volta para Itália ...  sobretudo porque foram momentos bastante felizes e significativos para nossa família.

    Guardamos no coração cada professor que cruzou no caminnho do Nick Jr. Agradecemos profundamente por todos os ensinamentos, pela paciência, pela severidade, pela amizade, pelo respeito.  Sempre acreditamos na união entre família x escola. 

    Anos intensos ... que hoje deixam a sensação de que passaram voando.

    Daqui a pouco se inicia uma nova etapa ... mas sobre isso a gente conversa depois.

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Recadinho especial para o Pequeno, agora Nick Jr.:

    Que a tua vida continue sendo de bons momentos, que as tuas escolhas sejam guiadas pelo teu coração, que teus sonhos sejam a tua prioridade, que sigas te mantendo firme nos teus propósitos, que sigas levando a vida de uma maneira leve e que tenhas a certeza de que eu e teu pai estaremos sempre para ti  ... mesmo quando nos deixes do lado de fora da porta - seu danado! - ... ainda assim estaremos ali, te esperando para um abraço. Te amamos!




Nem pareço ...

     - "Mas você nem parece brasileira!".

    Nesses meus quase um quarto de século como estrangeira, talvez essa seja a frase que mais tenha escutado.

    No início dessa minha vida nômade até me chocava um pouco. Mas logo eu compreendi: venho de um país tropical, abençado por Deus, bonito por natureza e multiétnico.

    Apesar de já estar acostumada com essa afirmação, que na maioria das vezes é entoada em som exclamativo, por vezes ainda me pega desprevenida. E voltaram a acontecer, num período de tempo muito próximo (um numa semana e outro na semana seguinte). O bom de tudo isso é que, apesar do costume, ainda me causa uma necessidade de reflexão.

    Há alguns dias estava conversando com minha vizinha (a dos vasos - se não sabe do que estou falando, basta clicar aqui). Em determinado momento ela solta:

    - "Mas tu nem parece uma brasileira, tu parece uma italiana."

    Mal sabia minha vizinha que ela estava me dando entrada para um discurso que já tenho bem organizado na minha mente e que adoro explanar, explicar, esclarecer e todos os demais sinônimos compatíveis.

    - "Pois a senhora sabe que no Brasil não temos essas questões de "parecer" ou não, porque o Brasil é um pais com uma mistura de povos incrivelmente bela. A senhora sabia (claro que não!) que de onde venho, do Sul do Brasil, existiu uma grande imigração italiana? Muitos italianos foram pro Brasil, lá pelo final de 1800. O Brasil tem milhões (MILHÕES) de descendentes italianos."

    Ela, que fala muito, ficou muda. Continuei:

    - "A avó paterna do meu marido nasceu em São Paulo, a senhora acredita?"

    Ela sorriu e eu prossegui:

    - "De onde eu sou, do Sul do Brasil, se a senhora olhar no mapa, aquele estado láááaaaa embaixo, pertinho da Argentina, teve uma grande imigração, daqui do Norte da Itália, muitos do Vêneto (região ao lado da que moramos)."

    - "Tá aí! Por isso que tu parece italiana ..."

    - "E se eu lhe contar que na minha árvore genealógica não tem italianos? São portugueses e espanhóis."

    Ela ficou pensando ...

    E eu sorri. Sorrio de verdade porque não me incomoda, pelo contrário, fico feliz com a oportunidade perfeita de contar um pouquinho de história. E de fazê-los perceber que, no final, somos mais ligados do que imaginamos. (no caso, eles imaginam).

    Gosto de contar que no Sul do Brasil ainda hoje se falam dialetos do Norte da Itália que atualmente não se falam mais aqui por essas bandas. Ainda brinco: nós mantemos as tradições que vocês já perderam.

    Gosto de contar que lá no Sul existe o  chamado Talian, um dialeto reconhecido como patrimônio cultural brasileiro que mistura o vêneto com o português.

    Quando falo que só a região de São Paulo tem milhões e milhões de descendentes italianos, o povo se assusta. 

    Segundo o Google, além dos cidadãos oficialmente registrados (por volta de 390.000), estima-se que a Grande São Paulo abrigue entre 15 e 20 milhões de descendentes de italianos.

    Pois bem ... passaram-se alguns dias e fomos para Capistrello, a cidade do marido. Aquela rotina de cidade pequena, sempre encontra algum conhecido ou parente pela rua. Encontramos os primos do marido. Conversando com a esposa do primo, de repente ela me solta:

    - "Mas tu nem parece brasileira ... até como tu fala ..."

    Sorri. E o resto da conversa vocês já sabem:

    - "E se eu te contar que de onde eu sou, do Sul do Brasil ..."

    Acho que falta ensinar nas escolas essa parte da história deles, que se mistura com a nossa.

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    P.S.: Nick Jr., que na época ainda era "Pequeno" estudou sobre isso no Brasil :) teve até post resumido sobre a história , basta clicar aqui para ver

"Quarent'oitei"

    Dia 18 de Abril (que data bonita!) completei 48 anos. 

    Não. Não estou aqui para escrevê-los sobre idade, o peso dela e o quanto ela me preocupa. Nunca tive problema com idade, não tive crise dos "inta" e muito menos dos "enta". A idade não me preocupa e nem o que ela traz consigo. Tenho, óbvio, algumas questões mas nada que tire meu sono ou me dê medo. Quem sabe com alguma graninha extra faria algum que outro retoquezinho? Talvez ... mas se tivesse que escolher entre um retoque ou viver uma experiência, uma viagem ... escolheria a segunda opção, com certeza!

    Quem convive comigo há algum tempo sabe que não gosto do meu aniversário. Não é meu dia mais esperado, não gosto de comemorar, bolo e parabéns então ... me dão urticária. Já falei sobre isso algumas vezes aqui no blog. Quem perdeu clica pra ver o aniver de 2010, o aniver de 2011, o aniver de 2012, o aniver de 2013. Depois fiquei algum tempo sem fazer post. Mas tem também o de 2018, o aniver em quarentena de 2020 e o de 2025.

    Não significa que eu sempre tenha detestado fazer aniversário (se for ler os posts que mencionei aí acima vai visualizar e, talvez, entender esse meu turbilhão de sentimentos). 

    Óbvio que quando era criança amava meu dia, minhas festas com meus amigos em casa, adorava receber presente e fazia questão de avisar aos desinformados que aquele era o meu dia, só pra ganhar parabéns.

    Também amei as minhas festas adoslescentes e depois já maiorzinha, curtindo baladas, farras, dando muita risada e sendo feliz.

    Talvez com a idade tenha ficado mais introspectiva. 18 de Abril não é um dia terrível mas hoje prefiro menos alardes, menos comemorações, menos publicidade. Eu não sei explicar direito essa minha sensação: sou feliz e agradeço por todo o carinho que recebo (e recebo tanto carinho mesmo! Que sorte a minha!).

    De uns anos pra cá meu dia tem ficado mais triste. Faz uma falta tremenda o Parabéns do meu pai. Me bate uma tristeza, uma nostalgia, uma dor no peito. Como eu queria ouvir do meu velhinho bonitinho aquelas palavras bem entonadas, bem organizadas, naquele tom de voz alto, ditas também com os olhos, com toda a sua eloquência e expressividade. Mais ou menos como ele fez aqui nesse dia. Talvez me dedicasse uma música na rádio da cidade, competisse com minha mãe pra ver quem me "abraçava" primeiro. Quando a vida deixa de ser no Presente e passa a ser no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, indicando uma possibilidade passada ou hipotética que a gente sabe que não vai mais acontecer, fica tudo bastante triste.

    Mas eu vivo nesses altos e baixos, nessas misturas doidas de sentimentos, os alternando entre tempos passados, presentes e futuros.  Ao mesmo tempo em que sofro pelo que não tenho mais, sou imensamente grata pelo tanto que ainda tenho. Quanto carinho eu recebi da minha família (se reuniram na casa da minha mãe para o café da tarde, me ligaram e cantaram parabéns, com direito a bolo) e carinho dos amigos também! Que sorte a minha ter conseguido cultivar e manter tanta gente querida perto de mim, apesar da distância, das minhas mudanças.

    Falando em amigos, neste ano celebrei com as amigas também. Tenho uma amiga querida que faz aniver dia 17. Assim que nos reunimos e celebramos nossos anivers com nossas amigas, num aperitivo bem bom, daqueles onde o papo rola e quando a gente vê já é uma da manhã :)


    Os meus Nicola's resolveram me fazer uma surpresa (logo eles que são péssimos para guardar segredos). Organizaram uma viagem (para um lugar aqui perto, umas 2 horas e meia de casa). Reservaram hotel, restaurante e conseguiram, a muito custo (muito mais pro Nicola Sr., devo dizer) manter segredo até o momento da nossa chegada na cidade.

    Eles queriam ir para um lugar que fosse novidade para os 3 e que não fosse uma viagem longa.

    Meu desejo de presente ideal seria passar meu aniver em Madrid :) ... mas seria mais cansaço que divertimento, pouco tempo ... nada feito.

    Meu sonho de presente também poderia ser as Maldivas :) ... só para enlouquecê-los.

    Como sabia que o destino final não seria nem um e nem outro, não fiz questão de ficar perguntando muita coisa. Só pedi que me dessem a previsão metereológica e algumas pistas, afinal tinha que arrumar minha mala para o final de semana. E não sou nenhum pouquinho doida de encarregá-los esta tarefa.

    Chegamos em Bassano del Grappa e a verdade é que num primeiro momento não fiquei impactada mas logo fomos passear pela cidade e ela me surpreendeu gratamente. Tanto que fiquei com vontade de voltar.








    A cidade é conhecida como a "capitale mondiale degli Alpini".  E é também a cidade da grappa.

    Passamos um final de semana muito legal, curtimos muito o meu dia e à noite só não foi perfeita porque inventaram de falar no restaurante que era meu aniversário e no momento do doce, vieram cantar "Tanti Auguri" com uma vela em cima do meu gelato :( ... passei uma vergonha daquelas ... nessa altura do campeonato e da convivência, meus Nicola's deveriam saber que não gosto disso. Mas como boa ariana ... prometi  vendetta  ... eles que me aguardem!



    No dia seguinte a previsão era de chuva assim que deixamos o hotel e pegamos a estrada de volta pra casa. Queríamos aproveitar pra passar em Sirmione (lugar que adoro na região do Lago di Garda) e passarmos na nossa cantina preferida pra comprar alguns vinhos. Mas a cantina estava fechada. Fica para uma próxima oportunidade.

    Assim que passaram-se os 48, sem grandes traumas, com bons momentos, muito carinho, sendo muito feliz e grata por todos que eu tenho.

    O que não significa que não siga cada vez mais chata, reclamona, pessimista, resmungona ... mas isso já é papo pra outro post ... :)

Grazie mille, my boys! Eu amo vocês!

Cicatrizes.

    O ano era 2009. Pequeno (atualmente Nick Jr.) frequentava a escolinha (a primeira) em Roma.

    Numa tarde qualquer, chego na escola para buscá-lo e, lembro como se fosse agora mesmo, o olhar de desespero da assistente da escola. De uma maneira muito preocupada, constrangida e nervosa, me contou que uma coleguinha (a melhor amiga do Nicola) havia, sem querer, batido com um caminhão de brinquedo no rosto dele.

    Eu ainda não o tinha visto e,  pelo desespero dela, comecei a me preocupar.

    Logo Nicola veio. Apareceu com uma ferida, nada de grave nem desesperado, bem na bochechinha. Dava peninha porque ele era redondinho bochechudo coisa mais fofa deste mundo  mas aparentemente não tinha nada de exagerado ou preocupante por ali. Tanto que ficou por isso mesmo.

    Francesca, a amiguinha preferida (que mesmo depois disso seguiu sendo a preferida) pediu desculpas, a mãe da Francesca também se desculpou. E pronto. Nada demais. Acontece.

    E a vida que seguiu ... e tanto seguiu sem preocupação que, procurando registros deste momento, acabei me dando por conta de que ... não tem registros deste momento (tamanha a não importância que demos).

    Pequeno foi crescendo ... e junto com ele  uma cicatriz boba, que dependendo do momento, aparecia mais ou menos:






    Tem que fazer um esforço muito grande para conseguir enxergar a marca na bochecha do Pequeno Nicola.

    Nesses dias, enquanto tomávamos nosso chimarrão, percebi o quão profunda, grande e aparente virou essa danada dessa cicatriz. Ele cresceu ... e ela cresceu junto com ele.


    Ficou ali, pra sempre, registrado no rosto do pequeno Nick Jr. a marca de um momento bobo.

    Ao longo da sua vida, Nick Jr. foi acumulando cicatrizes: os infinitos tombos de bicicleta, machucados de futebol ... até algumas míseras picadas de mosquito deixaram marcas pra sempre. Aliás, uma dessas cicatrizes de picada de mosquito rendeu até um estresse quando fomos morar no Rio de Janeiro (contei aqui). Tombos de skate, patinete, tombos na praia também deixaram alguma que outra marca.

    Mas ... quem nunca? Eu tenho muitas ... marcas nos joelhos dos tombos que levei quando pequena, a cicatriz que carrego na mão por conta de um copo de vidro que quebrou enquanto lavava louça, cicatrizes por conta das minhas alergias. Mas a maior cicatriz que tenho é a que carrego com orgulho: a cicatriz da cesárea.

    O Nick Sr. também, cheio de cicatrizes: na palma da mão quando caiu em cima da lareira (acesa) quando era criança,  as marcas nos ombros por conta dos pontos de uma cirurgia ... e por aí vai.

    Quem não tem cicatriz não tem história pra contar ...




"Perder" Tempo.

      Quem mais carrega consigo uma sensação quase que diária de "perda de tempo"?     Situações em que temos plena consciência de...