"Aconteceu lá em Barbacena ..." (*)

Maria sofria com a perda do marido.

Para chorar tamanha dor, fazia visitas quase que diárias ao cemitério. Gastava uma quantidade razoável de dinheiro em flores. "Decorando" o túmulo do marido amenizava um pouco o sofrimento da viúva.

Porém, desde algum tempo, Maria havia percebido que as flores do túmulo do esposo, como num passe de mágicas, desapareciam. Desapareciam modo de dizer porque, na verdade, elas mudavam de lugar: ou apareciam no lixo ou no túmulo de qualquer outro defunto do pequeno cemitério.

O sofrimento deu lugar à intriga: " O que estará acontecendo com as flores do defunto??"

Maria sentia vergonha de perguntar aos parentes dos túmulos vizinhos por que aquele vaso lindo de azaléas que ela com tanto carinho havia comprado pro marido agora adornavam o túmulo da Giselda, ou do João, do  Jerônimo... mas ela tinha certeza que aquela azaléa branca, enfeitada com o papel de seda azul, envolto com a fita branca,  era do seu defunto.

O fato se repetiu por muitas e muitas semanas. A cada visita ao cemitério, Maria sabia que a esperava uma 'surpresa', ou seja, um novo sumiço.

Cansada de tamanho desrespeito, Maria resolveu fazer queixa à polícia.

Pobre Maria! Um pouco constrangida mas com muita tristeza no corpo (pela morte do marido e pelos "sumiços" das flores), quase nem sabia direito como contar a história.

- "Bom, o que podemos fazer pra resolver a situação é colocar câmeras no cemitério para ver se conseguimos descobrir o que acontece ali. Mas teremos um prazo pra isso."

E continuou o seu Delegado:

- "Se durante esse tempo não descobrirmos nada, a senhora terá que arcar com os custos de instalação das câmeras".

- "Tudo bem." Maria concordou na hora. Não queria saber nem quanto eram tais custos. Ela tinha certeza de que logo descobririam o enigma.

Na mais absoluta discrição as câmeras foram instaladas no pequeno cemitério.

Durante alguns dias nada mais se viu do que os visitantes chorando suas penas, limpando túmulos, cachorros e gatos que passeavam, se escutava até o sino das vacas pastando no terreno ao lado, vizinhas que se encontravam e colocavam as notícias em dia. Até a Maria se via, limpando o túmulo do falecido.

Alguns dias depois, Maria recebe um telefonema da delegacia de polícia. Necessitavam de sua presença.

Maria apagou o fogo da massa, desligou a tv e, de avental mesmo, se apresentou diante do seu Delegado.

Chocada! Maria ficou chocada.

Com uma qualidade quase que perfeita, naquela televisãozinha de 10 polegadas, Maria vira como Juvenal (carteiro da cidade durante 30 anos, agora aposentado), com o auxílio da filha, assaltava o túmulo do defunto de Maria. Juvenal espiava nos corredores para ter a certeza de que não haveria testemunha e, logo, ordenava à filha:

- "Vai, agora!"

A filha, mais que obediente, na afirmativa do pai, com toda pressa trocava as flores do defunto de lugar, algumas jogava no lixo até. E assim, por várias vezes seguidas.

Maria, de avental, chorou todas as suas penas ... e suas raivas também. Homem maldito! Como é possível que não deixasse seu defunto descansar em paz?

Mas Juvenal era homem de palavra. E desde "aquela vez" em que o então vivo marido de Maria o ganhara nas cartas no campeonato do bar, ele jurou: "esse não vai descansar nem morto".

Homem de palavra,  o Juvenal.

Só que agora, vai carregar o peso de ser o "devastador do cemitério da cidade", vai ter que conviver com a vergonha de não mais passar desapercebido na rua (sabe como é, cidade pequena ...), vai ter que pagar todos os prejuízos em flores que Maria teve durante muito tempo e, ainda por cima, pagar os gastos da instalação das câmeras no cemitério (mais ou menos uns 10 salários da pensão de carteiro).
Essa rixa antiga saiu cara pro Juvenal. O defunto da Maria deve de estar batendo palmas dentro do caixão.

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(*) o fato é verídico, mas o motivos e os personagens foram inventados por mim.
Barbacena = Capistrello City

7 comentários:

  1. ixiiii, bom, outro dia te conto uma história meio parecida, na real tu jah deve saber neh??? heheheheh

    bjaooo, saudades

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  2. Sei de nada nao, Binho.
    Aguardo os babados :)

    Bjos!

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  3. Hahaha nao to acreditando nisso rsrsrs isso realmente é reallllll??? hahaha muito bom rsrsrsrs. Beijoss

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  4. Oi, Diana!
    Verdade verdadeira, mulher! Jà nao basta ter q aguentar os inimigos em vida, eles vao e atrapalham o sossego eterno tb ... coisa séria!
    Bjos!

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  5. Sério????
    Estou chocada ahuahahahaua
    Piorrrrrr Tati! " Jà nao basta ter q aguentar os inimigos em vida, eles vao e atrapalham o sossego eterno tb ... coisa séria!" rsrsr Séríiiiiiiissima rsrsrs

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  6. Ops, esqueci de assinar hehehe


    Rose Mazza

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  7. aiiiii quero saber quem è a maria!!! menina, vira escritora, adorei teu estilo!!! :)))) Val

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