Bom, na verdade já é o segundo. Mas como o primeiro casamento que fui aqui na Itália não era desses "tradicionais", então nem conta.
Não digo que estivesse mais ansiosa que os próprios noivos (baita exagero!), mas estava sim torcendo para que o dia chegasse de uma vez. Queria presenciar pra saber como era realmente o vero casamento aqui na terra da pizza. O vero casamento de cidade do interior.
Atenção! Todo e qualquer momento descrito aqui não significa que seja praxe pra todos os casamentos. Vou descrever esse em que fui. Se nos outros locais funcionam assim eu não sei.
A função do casamento começou há alguns meses quando o noivo foi de viagem com os amigos. Só a "macharada", sabe-se lá fazendo o quê. A noiva, por vontade própria, não quis fazer o mesmo e preferiu seguir na tranquilidade da cidadezinha onde eles moram (que é a mesma onde mora minha sogra).
Uma semana antes do grande dia, o noivo foi de acampamento com os amigos e familiares (sempre da ala masculina). Dois dias acampados na montanha, bebendo, comendo, fazendo xixi detrás das árvores. Uma "beleza"!
Até aonde eu sei, a noiva algo fez também com as amigas. Mas como nós mulheres somos muito mais práticas (e limpinhas!), não precisamos de programinhas de índio (quase que literalmente) pra jogar conversa fora. Provavelmente ela deve de ter saído pra jantar com as amigas, num restaurante com um menu delicioso.
Alguns dias antes do casamento, como manda a tradição, o noivo e alguns amigos e familiares foram até a casa da noiva fazer uma serenata. Olha que romântico! Na verdade o romântico nem importa tanto assim. O que importava mesmo era ter mais um motivo pra comemorar (= beber).
O GRANDE DIA
Tanto o noivo quanto a noiva, em suas respectivas casas, fizeram um aperitivo para esperar os seus convidados (os convidados do noivo vão na casa do noivo e os da noiva, na casa da noiva - nada de misturança).
Tendo em vista que o casamento estava marcado pras 11hs, as 10h estávamos na casa do noivo. Bom, 'estávamos' é modo de dizer, porque o noivo mora do ladinho da casa da minha sogra. Então, foi só abrir o portão de casa e já estávamos prontos pro aperitivo.
Se felicita o noivo, os pais do noivo, os irmãos, tios, tias, avós, cachorro, papagaio e por aí vai ...
Todo mundo na melhor beca possível (achei interessante a mistura de looks: tinha vestido longo, vestido curto, traje social, calça jeans, ternos e gravatas, ternos sem gravatas, uma misturança legal ... assim todo mundo estava à vontade, porque tinha de tudo um pouco).
Laços de fitas foram entregues aos convidados para adornar os carros. Assim, quando a gente encontra um carro com um laço dependurado na antena do carro, já sabe: esse está participando de um casamento.
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| o local do aperitivo e o noivo saindo pra igreja de braço com a mãe (que é prima do Papai) |
Um pouco em cima da hora deixamos o aperitivo (o noivo incluído) e seguimos caminho pra cidadezinha vizinha onde seria o casamento.
Perdi a entrada da noiva (Papai ficou de papo com um primo que não via há não sei quantos anos e eu perdi a parte mais bonita do casamento).
A igrejinha era bem bonitinha e estava repleta de convidados. Dizem que no total, eram umas 400 pessoas. Povo que não acabava mais.
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| os "anjinhos" durante a missa |
Ok. "O que Deus uniu o homem não separa" (aham!) e pronto. Já estão casados. Mas ... peraí! Cadê o beijo???? Eles não se beijaram. Não se beijaram!!!!!!! Que sem graça.
Esperamos trocentas horas para que eles saíssem de dentro da igreja. Aquele bando de gente sem simancol foi parabenizá-los em pleno altar.
Na saída, jogaram arrozinhos coloridinhos (especialmente preprados pra ocasião), os noivos sairam num carrinho de época bem bonitinho, foram por aí tirar fotos e nós, convidados, fomos para o restaurante onde seria a festa.
Ahhhh ... os noivos antes de irem pro restaurante, passaram na casa de uns senhores que prepararam um aperitivo para os noivos. Quando eles chegam na casa cortam uma fita, bebem algo e, dizem as más línguas, os noivos deixam um envelope com algo de dinheiro em forma de agradecimento pela preparação do aperitivo (isso eu escrevo meio assim porque optamos por ir direto ao restaurante e não presenciei o momento).
No restaurante, um pequeno coquetel de boas-vindas aos convidados no jardim do local onde, supostamente, não se comia e nem bebia nada até a chegada dos noivos (supostamente porque não tem como agarrar 400 pessoas ou ficar dizendo "aqui não se toca").
Depois do coquetel, simbora pra dentro do restaurante. E aí, meu amigo, minha amiga, é onde o bicho pega. Comilança total. Muitos pratos, muita comida, muita bebida. Fiz vários passeinhos no jardim do restaurante entre um prato e outro na esperança de fazer um lugarzinho no estômago para que pudesse entrar tanta comida. Mas, mesmo assim, o último prato deixei intacto. Entre o prato de peixe e o de carne, um sorvetinho de limão pra tirar o gosto do peixinho (estava uma delícia o sorvete). De doce, somente o bolo de casamento acompanhado de champagne.
E entre um prato e outro, a dança rolava solta. Dança, cantorias, risadas, fofocas (sabe como é festa em família, né?!) ... e por aí vai.
Pequeno ficou com a turma dos pestinhas. Os noivos contrataram recreacionistas para a turma dos kids, assim que nós papais e mamães pudemos curtir o festerê um pouco mais tranquilos.
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| Pequeno e a priminha |
Pensa que acabou? Na na ni na não.
Lá pelas 19hs fomos pra casa trocarmos de roupa e, por volta das 21hs, voltamos pro restaurante porque a festa continuava. Dessa vez todo mundo com um traje mais informal e sapatos cômodos. Um bufê esperava os estômagos resistentes mas, o intuito da parte noturna da festa, era mesmo dançar e se divertir.
Morri de pena dos noivos (e dos pais dos noivos). Os pobres estavam cansadíssimos. Mas não pararam um segundo de dançar e atender com carinho todos os convidados.
Nós aguentamos até passado um pouquinho da meia-noite. Mas pelo que soubemos, a festa seguiu até quase as 4hs.
Se não fosse porque não teve beijo na igreja e porque a noiva esqueceu de jogar o buquê, teria sido um casamento perfeito.
SOBRE O $$$
Quem paga a festa são os pais. Os pais do noivo pagam os gastos de seus convidados e os pais da noiva, dos convidados da noiva.
Algumas semanas antes do casamento são estipuladas datas pro povo ir na casa dos noivos levarem os presentes (geralmente um envelope com dinheiro - alguns fazem lista de noivos, mas como eles já viviam juntos e já tinham a casa montada, o presente ideal era dinheiro mesmo). Durante este tempo, é oferecido às visitas um aperitivo (pago pelos pais). De recordação os convidados recebem a famosa bomboniera (nós recebemos um quadro numa embalagem lindíssima, adornada com fitas, flores e confetes - os de comer - sempre em números ímpar, dizem que dá sorte).
Na verdade, o casamento para os noivos é um negócio e para os pais, uma ruína.
A conclusão que cheguei foi a seguinte: se depender de mim, Pequeno não se casa. E tenho dito.
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Bom, agora deixa eu ir preparar as malas que estou indo pra rua de novo. Papai tem que fazer alguns trabalhos no sul da Itália e nós, pra variar, acompanharemos o Papai.






OI
ResponderExcluirEta casamento bom esse, aqui no Brasil, tem a igreja a festa e acabou cada um pra sua casa.hahahahah.
Um bejão pra vocês
Tia Eliane
Gente que loucura, realmente os pais vao a ruina com todas essas festas rssrs Muito legal as cerimonias Tati, adorei saber como é. Mas tbem senti falta do beijo dos noivos rssrs. Beijos
ResponderExcluirCasamento italiano tradicional...nossa começa a função meses antes e com direito a viagem e tudo. Gostei!
ResponderExcluirAcampamento...serenata...
Nossa quantos momentos separados: "clube do Boliha e Luluzinha".
Quanta felicitação...
Becas a vontade. Que bom!
As fotos estão lindas! A igreja...que beleza!
Nossa...depois da cerimonia na igreja arroz colorido, fotos por ai, aperitivo, fita, bebida, dinheiro em envelope. Comilança total no restaurante e com certeza dança pra baixar as calorias e comer mais.
Belas fotos do Pequeno com a prima!
Nossa quanta festa, comidas, fotos, danças...
Quanto aos gasto, separados também??? Nossa!
Gostei da sugestão de presentes. E recordação aos convidados, show!
É verdade: " o casamento para os noivos é um negócio e para os pais, uma ruína."
Mas o Pequeno casa aqui no Brasil e esta tudo resolvido!
Boa viagem ao sul da Itália!
Att a volta do passeio.
Abraços...
Oi, Cunhada!
ResponderExcluirPois é, casamento bom para os convidados :) Pq pros noivos foi uma canseira danada.
Bjos!
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Diana!
Mulher, na mesma hora fui perguntar pro Nicola se nos casamentos na Itàlia os noivos nao se beijavam, naquele famoso momento que conhecemos "os declaro marido e mulher ... pode beijar a noiva". Fiquei esperando, esperando, esperando ... sò vimos o beijo qdo eles sairam da igreja e o povao fora gritando: "beijo, beijo, beijo" :)
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Jana,
essa idéia até aceito: Pequeno casa no Brasil :)
Bjos, amiga!