Impressões da Primeira Semana.

Não. Ainda não estou habituada, acostumada e inserida na rotina de vida carioca. Continuo dormindo cedo e acordando cedo.
 
 
Já fiquei feliz por estar aqui, me senti privilegiada com esta primeira recepção. Mas já enjoei da vista (quem me conhece sabe que este - Ipanema - não é meu bairro ideal - é tudo muito chiquetoso e caro demais!). Já enjoei do apartamento. Tem uma energia negativa chata que ronda por aqui. Ainda não decifrei se pelo prédio inteiro ou somente no nosso apartamento. Fico sufocada. Ainda bem que é só ir pra sacada e respirar um ar vindo direto da praia.
 
 
Já chorei. Já me arrependi. Já fiquei triste por me arrepender. E já me senti estúpida e egoísta por isso.
 
 
Sim. Sinto saudades da minha casa de Roma. Da nossa vida organizada. Da felicidade do meu Pequeno voltando a cada dia da escola.
 
 
Também sei que este era o caminho mais fácil: ficar com o certo, sem arriscar algo mais, em busca de algo melhor. O caminho momentâneamente mais fácil e seguro, mas com prazo de validade pra vencer logo, logo.
 
 
Sei que logo estaremos com a vida mais organizada por aqui: Pequeno vai voltar pra escola (todos os dias ele me pergunta "quando" iremos levá-lo na 'escola nova'), vamos estar com a casa organizada com nossas coisas (hoje vimos o primeiro apartamento - não rendeu em nada: muito caro e muito pequeno, mas já valeu como experiência). E se tudo correr dentro do previsto, uma vez que o Pequeno esteja com sua vidinha organizada, inserido na nova rotina e adaptado, será a minha tão esperada vez de correr contra o tempo.
 
 
Mas, de uma maneira geral, é bom estar aqui. Estávamos acostumados com uma vida "diferente" e, embora seja brasileira, Rio de Janeiro também está sendo minha primeira aventura.
 
 
Por enquanto não tive maiores problemas: não me estressei com ninguém, não fiquei com raiva de ninguém, não tive nenhuma sensação tensa e, por nenhum momento, senti medo de estar aqui (por esses estresses de violência, assaltos, etc). Fico feliz de sair com meu Pequeno e o povo sorrir pra ele, conversar com ele, dizer o quanto ele é "bonitinho e simpático". Ele adorou que uma senhora o chamou de "QUERIDO", ele se sentiu o máximo.
 
 
Só tem uma coisa que me chamou muito a atenção: essa coisa de sempre ter alguém pra fazer as coisas por você. Essa necessidade de "ser servido" por alguém:
 
 
- alguém que empacota suas compras no supermercado: da primeira vez, fui logo pegando a sacola e colocando as coisas dentro (funcionava assim em Roma). Logo, veio uma moça tímida, meio sem jeito, dizendo que eu poderia deixar que ela faria aquilo. Quem ficou sem jeito fui eu.
 
 
- o moço do restaurante que veio cortar a omelete do Pequeno. Quase que disse: "moço, eu corto, sem problemas". Mas como a ordem foi dada expressamente pelo chefe dele, melhor não contrariar.
 
 
- ninguém, NINGUÉM traz compra pra casa. Não vejo ninguém (a parte de nós dois - eu e Papai) com bolsas pesadas de compra por aí. Tem sempre um moço voando de bicicleta, pra lá e pra cá, levando as compras dos outros.
 
 
- essa discriminação chata de entrada de serviço, elevador social e de serviço.
 
 
- alguém que te abre a porta do elevador e, logo, uma vez dentro dele, alguém que aperta o botão do andar onde você quer ir.
 
 
Papai está estranhando bastante isso. E eu também.

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Numa das "trocentas" vezes em que Pequeno fala sobre a "escola nova" que ele está louquinho pra conhecer:

- "Filho, não esquenta ... e "só" a gente encontrar uma casa que a primeira coisa que a gente vai fazer é buscar uma escola bem legal pra ti."

Ele faz cara de "hum" e eu sigo:

- "E lá tu vai conhecer amiguinhos novos ... e vai até ter uma namorada nova."

- "Mãe, mas eu não quero uma namorada nova ... eu tenho a Agnese ... e nós até nos beijamos!".

Dessa vez, quem fez cara de "hum" fui eu.

- "Ai, filho ... não tem problema ... tu vai conhecer muitas outras menininhas que tu vai beijar ..."

- "Não mãe, não quero beijar outra. Quero só a Agnese".

Me senti ridícula diante de tanto amor, tanto compromisso  e tanta fidelidade.

4 comentários:

  1. amiga, mas essa faze da "adaptacao", estranhamento, sei là como a gente pode chamar, ia acontecer mesmo vocé fosse pra onde fosse (rio, new york, paris, milào... :) ) - importante è reconhecer e trabalhar sobre isso, nào è mesmo? - beijos e keep atualizando teu blog! :)

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  2. Realmente a adaptação nao é facil e nem imediata, lembra qdo voce mudou pra ca. Entao, agora voce mudou pra um Brasil do qual vc saiu a 10 anos, tem que se readaptar também. De tempo ao tempo que tudo vai se encaixando. Beijos e ja veio o fim de semana com praias lindas por ai pra voces.

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  3. Poxa Tati, fica assim nao. Essa fase de mudança e do novo, mexe muito com a gente, mas voce vai tirar de letra. Aos pouquinhos tudo se ajusta.
    Beijos

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  4. Nos primeiros dias de adaptação é assim mesmo (fuso horário, rotina...)
    Que guria enjoada hahaha
    Calma...saudade bate e vai bater muitas vezes de Roma. A vida no Rio de Janeiro vai ser rotineira. O Pequeno vai adorar a escola e retornar feliz!
    Não, não prazo pra vencer logo, logo. Parem.
    Isso mesmo logo estarão com a vida organizada e estruturada.
    Com certeza o Pequeno é muito QUERIDO. A senhora acertou em cheio.
    Ser ou não ser servido por alguém: isso é cultura...
    O Pequeno vai conquistar corações brasileiros...
    Beijão nos 03.

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