Retornar ao seu país de origem depois de 10 anos fora é estranho. É estranho voltar ao seu lugar mas se perder no meio de tanta coisa diferente. É estranho voltar, se sentir em casa mas ao mesmo tempo se dar conta de que "sua casa" também era lá longe. É se adaptar com novas situações, retornar à sua cultura, seus costumes, seus gostos, sabores, perfumes. É, também, voltar a se adaptar com seu próprio idioma.
Tenho feito uma misturança danada. Misturo português com italiano e com espanhol. Sem contar as palavras gaudérias que vez que outra esqueço que não existe no carioquês. Acho graça das palavras novas que aprendo. Aliás, tenho aprendido tanta coisa nova! E, no meio de tudo isso, tenho que me controlar pra ensinar português direitinho pro marido e pro filho.
Falando no filho, ele tem me surpreendido ... e muito. Ainda não vai à escola, mas tem aprendido português que é uma maravilha. As vezes me deixa de boca aberta. Acho que não tem um diazinho que não pense: "de onde ele tirou isso?".
Nos seus quase 5 aninhos de vida, nunca exigi dele que falasse perfeitamente o português. Desde que ele nasceu, conversei com ele em português. Mais que nada por puro instinto. Mesmo morando em outro país (na época morava na Espanha), não conseguia falar com ele em outra língua. Me preocupava pensar que ele, talvez, não fosse entender direito as pessoas nas nossas viagens de visita ao Brasil. Por isso, sempre me esforcei em fazer com que ele se comunicasse com a família (por telefone, internet) em português. (até porque não sabíamos que acabaríamos morando no Brasil algum dia)
Com a nossa última viagem de férias ao Brasil (que aconteceu no final do ano) e com nossa vinda pra cá, foi tudo fluindo naturalmente. Fiquei cheia de orgulho do meu filho, acho lindo escutá-lo falando no seu sotaque de gringuinho, acho graça das saladas de frutas que ele faz (as vezes ele mistura um idioma com outro e inventa palavras novas) e me espanta a facilidade que essas crianças tem pra aprender coisas novas.
Dia desses, passeando por aí com o Pequeno, passamos por uma loja de brinquedos. Já tinha visto "o perigo" de longe, mas não deu tempo de cruzar pra outro lado. Porém, espertinha que sou, fiz de conta de que "não estava nem aí". Ao ver a vitrine cheia de brinquedos, Pequeno quase teve um troço:
- "Olha ali, mãe. Vem, vamos entrar."
Fiz de conta de que nem era comigo. Mas ele insistia, me puxando pelo braço:
- "Manhê, vem, vamos entrar, olha ali".
E eu olhando lá pro outro lado (bem malvada!).
Puxa daqui, puxa de lá. Ele - o danadinho do Pequeno - já sem paciência nenhuma, solta:
- "Manhê ... TE LIGA, né?! Fala sério!!!"
E esse foi mais um daqueles momentos em que me pergunto: "de onde ele tirou isso?"
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Em um único dia de praia aprendi:
bishhhhhcoito GRobo
pOBRema
nUm tem, nUm vem
Ontem, dando entrada no pedido de visto do marido, aprendi que a certidão é de NAIscimento.
Como diz meu Pequeno: FALA SÉRIO!
hehehe que fofo Tati!!!! Sabe que eu penso isso as vezes, nessa adaptacao da volta... mas com certeza é um processo cheio de descobertas e novas aventuras!! Aproveitem por ai, beijao com saudadesss
ResponderExcluirKin!!
Oi Tati bella!!
ResponderExcluirQue lindo post! Adorei! Sobretudo a parte que diz: "É estranho voltar, se sentir em casa mas ao mesmo tempo se dar conta de que "sua casa" também era lá longe." Ohhh la Mantequilla me ataca, lembrei da nonna, dos quitutes, do avental... da famosa cozinha!! Deve ser mesmo difícil este turbilhão de emoções...
Quanto ao pimpolho, tenho que concordar! Nicolinha é um encanto de menino e deve surpreendê-la à todo instante! Você tem mesmo que ser muito orgulhosa dele.
Fico imaginando a cena e morro de rir!!!
Ontem, passeando no Shopping de Recife, vi uma loja chamada Via Mia. Adivinhaaaa o que lembrei na hora? De Nicolinha e sua "guitarra" de cabo de vassoura cantando " Vai via vai, via vai, via vai damêeeeeeeeeeeeeeee" rsrsrs nem sei se é assim, mas nunca mais esqueci, nem a música, nem a cena e o clipe do desenho que você postou... Muito gostosas estas lembranças!!!
Baciones bella amica!!! Que seu Nicolinha continue lhe dando muito orgulho!!!
E só mais uma coisinha: Respondendo, ou melhor, tentando responder sua indagação: "de onde ele tirou isso?" Só posso creditar às vivências trazidas desde a barriga, ou pretéritas à ela, se é que você me entende ;)
eu me pego fazendo perguntas semelhantes e só Deus mesmo para explicar tantas coincidências da vida...
Felicidades para você e seus Nicolas
Rose Mazza