Depois de falar com a família por internet e telefone, decidimos fazer um passeio pela praia de Botafogo em direção ao Flamengo. Descobrimos que a travessia nem é tão complicada assim (tem passagem subterrânea), que havia muita gente curtindo um calorzinho bom (dava até praia), que boa parte do início do caminho fede cheira a esgoto e que a vista é muito bonita. Nesses momentos descobrimos que somos(sou) é chatos(chata) demais: nos deixamos influenciar pelo estresse diário e esses grandes e importantíssimos detalhes quase que passam desapercebidos.
A caminhada foi boa. Pequeno pediu colo. Jogou bola com o Papai, brincou, bebemos água de côco e fez até amizade.
Estávamos num campinho, para que minhas "duas crianças" pudessem jogar futebol. Logo, se aproximaram 3 menininhos. Os dois maiores não deram muito papo. Logo saíram brincando de pega-pega. O menorzinho, com carinha e jeitinho de serelepe, ficou brincando com o Pequeno.
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| teve direito a coreografia depois de cada gol |
Não sei se era um menininho de rua. Por um momento pensei que sim: sujinho, pés descalços. Mas como havia um grupo de homens reunidos no meio do parque batendo papo e bebendo cerveja, também poderia ser filho de algum pai nada responsável (porque, vamos combinar, todo o tempo em que ele ficou brincando com o Pequeno e batendo papo com dois estranhos - eu e Papai - ninguém nem se quer se deu ao trabalho de dar uma olhada no menino).
Parecia ser um pouquinho maior que o Pequeno, mas estava com uma chupeta atada no pescoço com uma corda sujinha. Puxei papo com ele:
- "Ihhh, rapaz! Mas tu ainda chupa bico???"
Ele me respondeu rapidinho:
- "Não. Eu só chupo chupeta." [Eu esqueço que tem muita coisa do gauchês que não tem nada a ver com o carioquês]
Corre pra lá. Corre pra cá. Sobe aqui. Desce lá. Chegou o momento de vir embora.
- "Vamos, filho. Dá tchau pro amigo." Virei as costas e saí.
Pequeno veio correndo atrás da gente:
- "Mãe, mãe! Ele quer vir com a gente."
Nisso o menininho veio correndo ... e simplesmente se agarrou na minha perna, encostando a cabecinha na minha cintura, como que pedindo carinho. Fiquei surpresa. O instinto foi dar um abraço, fazer um cafunézinho.
Aquela coisinha pequenininha, com a chupeta na boca, olhinho de pidão, me parecia tão indefesa. Por um momento senti pena ...
Que petulância a minha! Passei a tarde lembrando dele, daquele abracinho, pequenininho. E, no final, me dei por conta de que, acho, a carente de verdade ... era eu.




Ah que fofo este post!!!
ResponderExcluirEnquanto lia, pensava que o desfecho seria entre Nicolinha e o menininho, quando me surpreendo (você sempre me surpreende rsr) que a protagonista era você.
Gostoso admitir nossas carências... Isso reflete a bendita saudae, que mora conosco, e a eterna criança que mora dentro de nós. (Olha que incherida rsrsr)Nós, ora nósss... ja querendo ser coadjuvante rsrsr É que você, com seus posts, sempre desperta em mim, coisas que trago guardadinhas aqui no peito heheh
Lindo e emocionante. la mantequilla me ataca rsrsr
Baciones, Bella! Muitas e muitas aventuras felizes com seus Nicolas, ocorram, para que possa nos brindar com elas, aqui em seu Blog.
Rose Mazza
Hummmm senti aqui, um dó desse menino da chupeta, fiquei pensando um pequeno garoto menor que o seu morar na rua, sozinho ô mundo injusto meu Deus!!
ResponderExcluirPena que isso é tao comum, hoje em dia..pena mesmo!!!
Voces sao mesmo abencoados, por poderem dar ao seu pequeno, um lar, uam familia e principalmente amor, isso explica o por que dele mesmo sendo tao pequenino, e tao inteligente, e cheio de carinho pra dar.
Nós nos tornamos adultos e como vc disse, as vezes viramos adulto chatos....Seria muito bom se fossemos adultos criancas!!
ADOREI as dancinhas de gol...hehehe.
Bjs um lindo Domingo pra vcs.
Com certeza, o menininho viu na família de vcs tudo o que ele deve viver pedindo a Deus: amor, carinho, felicidade e, principalmente, ESPERANÇA!
ResponderExcluirNão há dúvidas de que foi um momento abençoado. Para uma criança que se depara diariamente com olhares e gestos de indiferença (para dizer o mínimo), encontrar amizade e carinho foi uma benção.
Quem sabe na próxima vez não seja alguma "autoridade" com poder de mudança social a escolhida para receber a mensagem que tu recebeste deste pequeno... sonhar não custa nada!
Um bjão e bom domingo! Fiquem com Deus.
Tio Beto_52,5
Ohhhhhhhhhhh.... Saber que tantos outros meninos também gostariam de ter uma mae e um pai cuidadoso como vocês. Só Deus sabe o que essa crianca talvez enfrente cada dia nas ruas ou em casa. Pensar que tantas menininhas já aos 7 anos são exploradas sexualmente por familiares ou nas ruas, meninos aos 5 anos já não tem mais a inocência de uma crianca, sabe roubar, mentir, inventar... Penso, quanto dessas criancas infelizmente nunca tiveram a oportunidade de conhecer que a vida também pode ser boa, mesmo que as vezes seja injusta e que mesmo na pobreza pode ser ter amor, mas ao invés disso elas foram simplesmente rejeitadas e maltratadas.
ResponderExcluirEntão só por hoje vamos comecar a agradecer e aproveitar todos esses pequenos momentos da vida! Eles são inesquecíveis.
Bjs
Eu prefiro pensar que era (é) um menininho serelepe, mas carinhoso. Que estava ali pra curtir o parque, enquanto o pai batia papo com os amigos.
ResponderExcluirVai saber, né?!
O bom da vida é isso: essas situaçoes inesperadas, que enchem nossos coraçoes.
Obrigada por cada um dos comentàrios. Essa é a gratificaçao pelo tempo que dedico ao blog. Muito bom saber que "sou lida" e que vcs tb dedicam um pouquinho do tempo precioso de vcs pra deixar um recadinho pra nòs.
Bjinhos a tod@s!