Viagem ao tempo.

Ontem, vendo meu Pequeno brincando na sala com seus carrinhos, bolas, bonecos e amigos imaginários, viajei direto à minha infância. Sabe quando a gente desconecta totalmente e a cabeça voa? Pois é.

Lembrei de todos os amigos imaginários que tive. O marido, engraçadinho, sempre falou cheio de orgulho: "Eu nunca tive amigos imaginários!", num tom de 'superioridade', deixando entrever um "ela é maluca desde criança!". Desejei - e muito - que Pequeno tivesse seus amiguinhos imaginários espalhados pela casa. Agora fico aliviada, porque sei que ele tem. (viu, Papai! Até nisso ele puxou a mim)

Lembro de brincar de escola, com alunos imaginários, também,  no quarto do meu irmão de criação. A casa era de tijolo à vista e cada tijolinho era um aluno meu. E o guarda roupas dele, todo marrom brilhoso, servia de quadro negro (sim, sou do tempo do quadro negro). (vários foram os sermões que levei por manchar o armário do meu irmão ... e várias foram as vezes em que "roubei" giz da escola pra levar pra casa).

Lembrei das brincadeiras de casinha. Levávamos mais tempo montando a casa (que era quase uma mansão) do que brincando. E as brigas pra decidir quem seria mãe, quem seria filha ...

Lembro de andar à cavalo no cachorro da minha amiga. E depois sofrer com a morte dele. (Não, ele não morreu porque subíamos em cima dele - eramos crianças e ele era grandão. Morreu de velho mesmo). Pobre do Magrão!

Logo, lembrei do meu cachorro, o Branquinho, que foi atropelado em frente à casa. Judiaria! E da gritaria que era quando passava a "carrocinha dos cachorros" e aquele povo maquiavélico laçando os cachorros vadios da rua. Eu os odiava! E sofria pensando em cada cachorro que viraria sabão ...

Lembrei da minha amiga Fabi. De ir brincar na casa dela, jogar amarelinha ... e a felicidade que eu fiquei quando ela me convidou pra ser madrinha da sua boneca.

Lembro de jogar vôlei no campinho, nos reuníamos em bando. Nos divertíamos e, às vezes, brigávamos também. Lembro das rodinhas de meninas espiando os meninos jogando futebol. E as fofoquinhas, inocências e risadinhas típicas daquela idade.

Lembrei da escola. Dos amigos e amigas de então. Por um momento senti curiosidade por saber o que foi da vida de cada um. Lembrei dos recreios com músicas, das brincadeiras, correrias, das aulas de educação física. Lembrei dos "modelitos" que usava pra ir à escola. Uma vez, coloquei um blusão de lã branco de gola alta  do meu pai (que fiz de vestido), meia calça branca e sapatinho de salto. E me senti o máximo ... como é que pode?!

Lembrei de ir fazer compras no ABC (supermercado) e ficar pelo caminho batendo papo com os amigos.

Da vez em que comprei pão e o troco (que era muito), pedi todo de bala. Até então, não sabia quantificar o dinheiro. Fiquei super feliz com um sacão gigante de bala. A felicidade durou pouco ... minha mãe fez eu voltar e pedir de volta o dinheiro. E o senhor da loja de balas devolveu sem nenhum problema. Ele disse que "desconfiou" de eu pedir aquela quantidade de guloseima.

Lembrei das muitas idas à banca de revistas comprar figurinhas pros muitos álbuns dos Menudos (e eu até hoje adoro o Ricky).

Lembrei dos castigos. Morria de vergonha cada vez que chegavam em casa me chamando pra brincar e escutava minha mãe dizer:

- "Ela não vai. Tá de castigo!".

E, no dia seguinte, o povo que dizia: "de castigo, DE NOVO?".

Lembrei da vez em que, não sei por qual motivo, minha mãe queria me bater. Saí correndo pra rua e ficamos bons minutos correndo em volta de um canteirinho que minha mãe tinha. Minha mãe furiosa, dizendo:

- "Tu vai me pagar!!!"

Eu, mal educada, sorria e dizia:

- "Tu não me pega, tu não me pega".

A mãe cansou e entrou pra casa. Eu fiquei feliz, me senti vitoriosa, sacodi os ombros e disse:

- "Não tô nem aí".

Só depois lembrei que em algum momento teria que entrar. Demorei o máximo que pude ... na esperança de que ela esquecesse. Entrei quase sem fazer barulho em casa, na pontinha dos pés. Mas ela lembrou. E apanhei pelo que tinha feito antes e também por fazê-la "de boba". Eu, quase sempre, dava a mesma desculpa:

- "Foi sem querer, mãezinha! Me perdoa! Não faço mais!" ... que mentirosa que eu era!

Lembrei da vontade de ter irmãos. Eu já tinha quatro, mas eram todos maiores, adultos, com seus trabalhos, etc. Eu queria irmão pra brincar. Mas logo essa vontade desapareceu, quando vieram meus sobrinhos. Sobretudo o Nando. Ser tia aos 5 anos de idade foi muito bom.

Lembro de sair andando de bicicleta pelo quarteirão. E de me 'aventurar' esticando um pouquinho mais pelo bairro  as pedaladas (e ai se a mãe descobrisse!).

Lembrei dos tantos momentos com uma amiga querida, que faleceu prematuramente. Ficávamos sentadas 'na esquina' e o papo rolava solto.

Lembrei dos churrascos de domingo. Só não senti nenhuma saudade das louças dos churrascos de domingo. E voltei a sorrir lembrando da história (não muito engraçada) do dia em que meu pai fez churrasco com soda cáustica. Foi uma época em que faltava sal grosso no supermercado. Meu pai pediu para uma vizinha e a mulher pegou o saco errado. Meu pai ficou com as mãos um pouco queimadas (nada sério). Mas a "tragédia" mesmo foi ter ficado sem churrasco.

Lembrei de quando ia ver filme na igreja. Lembrei das missas com o padre Gaio ... e de todas as brincadeiras que fazíamos com ele, dizendo que nunca poderia ser um Papa ... aonde já se viu?! Um Papa-Gaio. Criança é fogo!

Lembrei das apresentações de dança que fazíamos. E dos muitos ensaios na casa da Kati. Dos desfiles de moda.

Tantas lembranças e saudades boas. Fiquei feliz por tê-las na memória e guardadinhas no coração. Me senti sortuda demais por ainda ter contato com muitos amigos daquela época (menos os imaginários ... até porque, se ainda existissem, seria caso clínico).

Conservo com gosto cada risada, cada choro, cada ferida de tombo.

Pequeno seguiu com sua aventura especial imaginária. Eu, segui por bom tempo com a lembrança de momentos tão bons.

Oxalá tenhamos em comum não somente a imaginação!

6 comentários:

  1. Adorei tati, fazia tudo isso tb! Que legal! Espero q a Eva tb faça!! Bjss fabi

    ResponderExcluir
  2. Ai que lindo!!!!
    Viajei lendo o teu post! Parece que eu "via" cada cena rsrsr Muito boas etas lembranças!!!
    Faço muito disso, nos dias que me sinto só, vou para um cantinho confortável, fecho os olhos e "escolho" quais momentos bons irei reviver!!! Nestes devaneios, visito a casa dos meus pais, cômodo por cômodo; a da minha mana, "ouço" a algazarra dos sobrinhos... Ahhh lembranças da infância e da adolescência... Tenho tantassssss, boas, más, engraçadas, tristes, mas todas bem vivas em minha mente e meu coração! Amigo imaginário também nunca tive :( mas brincava de casinha e fingia servir as bonecas com as minhas comidinhas, mas nada específico. Queria ter tido rsrsr Minha Carol já falou de uma tal Frau não sei como o nome, foi na descida da Serra das Araras no RJ. Era noite, eu como sempre, morrendo de medo, do escuro, das curvas, de chegar no RJ de madrugada... la pequeninha sentada na cadeirinha, no banco de gtrás com aqueles olhões arregalados me olhava e eu tentando passar confiança e segurança fui pegar na mãozinha dela quando me disse: "Pode ficar tranquila mãe, a amiguinha está cuidando"... geleiiiii e fiquei quieta, no final da serra ela disse: "Mamãe, pode ficar calma, agora a amiguinha foi embora, não tem mais perigo". Então eu e o pai, mais que apavorados falamos: "Que amiguinha"? Quase em coro rsrsr e ela: " A amiguinha, a Frau (algo parecido com Herta0" rsrsr Sempre tento lembrá-la disso, fiquei curiosa, disse o marido que era algum anjo guardião dela, alguém q só ela via... Jesussss!!!

    Voltando aos bons momentos e suas lembranças, que eles sejam sempre plenos em nossas vidas!!

    Baciones, bella!! Tudo de maravilhoso para você e seus Nicolas!!! Amei o post, como sempre!!!

    PS: Tragédiaaaaa o churrasco de soda cáustica rsrs
    E quando ao pobre cachorro magrão, nem te conto o que eu e minha irmã fazíamos com as galinhas do galinheiro dos meus pais e do vizinho lá em Quaraí rsrsr Matamos muitas galinhas com esta brincadeira, mas ela é trash!!! ahahaha Acho que já contei para Rejane. Só sei que a gente pegava latas de cera vazias, enchia de água, pegava um conta gotas e vazia lavagem nas pobres galinhas hahahah que horrorrrrrrrrrr (esta foi terrível rsrsr)

    Rose Mazza

    ResponderExcluir
  3. Ajj Tati, quantas lembranças ne? Que delicia, eu as vezes me perco no tempo pra relembrar toda essa infancia e adolescencia vivida tao intensamente. Que maravilha que podemos lembrar de tudo isso com saudades. Eu tambem tive os meus amigos imaginarios, mas tive em especial uma que infelizmente nao me lembro o nome, mas minha mae sim lembra, ela tinha até lugar na mesa do lanche na casa da minha avó rsrsrs eu pedia pra ninguem sentar porque ela estava sentada ali. Doces lembranças. Um beijo.

    ResponderExcluir
  4. É muito bom quando ainda lembramos de nossa infância. Eu ainda lembro viu.hehehehehe.
    Que seria de nós se não fossem as lembranças
    Bjs.
    Mana

    ResponderExcluir
  5. Pensando bem... lembro de ti fofinha, lindinha do mano aos 3anos de idade, ele te levava lá em casa quando tu era pequenina. Depois fomos para o interior e perdemos um pouco da tua infância. Mas lembra que tu falava que queria ser dançarina de cabaré hahaha da onde tu tirava isso e se rebolava com as mãozinhas para o alto, e o tempo passou e na fase da pré adolecência detestava ser chamada das brincadeiras para comprimentar os irmãos que chegavam de viagem, vinha resmungando, mas com o tempo se tornou uma bela mocinha e o melhor de tudo muito carinhosa com os manos e com as cunhadas(o) tmb, tanto que quando tu resolveu morar com o tio Beto fora do pais nós não seguramos o aperto no coração, mas era uma experiência nova pra ti que com certeza foi a melhor da tua vida...esta ai o resultado Nicola pai, Nicola filho é isso um grande beijo.

    Da cunhada do meio.

    ResponderExcluir
  6. Fabi!
    Percebi com o Pequeno que o tempo pode passar, novas brincadeiras (e mais modernas) podem surgir, mas em algum momento vamos acabar tendo algo em comum ... e esse momento é o que nos faz viajar là pra longe, nas nossas lembranças. Vc vai ver com a Eva.
    Bjinhos pra vcs!

    ::::::::::::::::::::::::

    Rose, Bella!
    Eu tb acho que mais que amiga, era um anjinho-amigo que estava ali fazendo companhia pra tua Carol. Que història, hein?!
    Bjos e bom finde!

    :::::::::::::::::::::::

    Diana! Mujer ... até lugar na mesa? Como diria uma conhecida minha: "jà era membro da famìlia, sò nao tinha direito a plano de saùde" ...rs
    Vez q outra entro no jogo do Pequeno tb. Ele diz: "olha, fulano tà aqui, dà oi pra ele". Faz parte. Eh divertido pra eles, mas pra gente tb.
    Bsitos, chica!

    ::::::::::::::::::::::::

    Mana!

    Esqueci de contar do amigo (Deca ou Deco?) do Binho.
    Famìlia de maluquinhos ... hehehe

    Bjosssss pra vcs!

    ::::::::::::::::::::::::

    Cunhada!

    Como é que eu fui esquecer disso? Meu sonho de infancia: ser bailarina de cabaré ... hehehe ... Judiaria! Santa inocencia!
    Pensando bem ... ainda tenho tempo de realizar o sonho :D

    Bjos pra vcs!

    ResponderExcluir

Deixa um recadinho pra gente aqui, vai!

o Batizado da Luísa.

     No ano passado, quando fomos pra Lisboa passar a Páscoa (e meu aniversário) com a Carol (dinda do Nick Jr.) e o Renan (senhor seu marid...