Correspondência Para o Pequeno.

A primeira, recebemos no início da semana. Uma cartinha da vovó para o Pequeno. Ele adorou o recadinho e todos os adesivos que a vovó se deu ao trabalho de colar.

- "Vó! Recebi a tua carta. Ela é linda, vó!"

E a vovó ficou toda feliz!

A outra, recebemos na sexta-feira. 

No finalzinho da tarde, estava voltando com o Pequeno da escola. Marido liga pra dizer que estava quase chegando também.

- "OK. Então te esperamos embaixo, na portaria."

Chegamos no prédio e o porteiro nos entregou uma correspondência. Era uma cartinha da antiga escola de Roma, pro Pequeno. Há alguns meses, quando ainda estávamos por Ipanema, escrevemos uma cartinha pra ex turminha do Pequeno e enviamos algumas fotos e postais. Pequeno ficou na expectativa da resposta ... e o tempo foi passando ... e acho que ele perdeu as esperanças.

Sentei com ele num banco da portaria. Enquanto esperávamos pelo Papai, iria ler pra ele a cartinha.

Disse iria porque logo nas primeiras linhas fiquei engasgada. Sabe aqueles momentos em que dá um nó na garganta e a gente não consegue pronunciar nem uma sílaba? E quanto mais a gente tenta, aquele nó vai aumentando e acabam surgindo lágrimas dos olhos?

Fiquei angustiada. Não queria pagar mico pro porteiro, mas também não queria deixar o Pequeno mais ansioso para saber o que lhe haviam escrito. Aproveitei que a profe mandou fotos da escola e da turminha e fechei a carta, disse que teríamos que lê-la quando Papai chegasse (e rezei pro Pequeno não insistir) e fui mostrando as fotos ... e secando as lágrimas que não paravam de brotar dos olhos.

Marido chegou e nem consegui quase dizer "oi".

Chegamos em casa e o Papai foi fazer aquilo que eu não havia sido capaz: ler a carta pro menino.

Papai também se emocionou, mas leu direitinho, pra felicidade do meu Pequeno.

Nas minhas costas desabava todo o peso de ter tirado o Pequeno da sua vidinha, dos seus amiguinhos, da sua escolinha, da profe ... das plantinhas que ele plantou na escola e nem chegou a vê-las brotar (está lindinha a escola com um jardim bem florido). Aquele frio na barriga de se havíamos feito a escolha certa. De se havíamos feito bem. De se Pequeno seria feliz. Eu sei que 4 meses já se passaram, que a vida tem que tomar seu rumo ... mas o que fazer?

É muito mais fácil "ser livre", desprendido e até mesmo irresponsável  quando não se tem filhos. Se a gente errar ... erramos. E pronto. Sofremos algumas consequências e basta. Mas quando somos responsáveis pela vida de alguém tão pequenino, ela - a responsabilidade - muitas vezes chega a ser cruel.

Mas e  o Pequeno?

Ficou feliz. Amou a carta, as fotos, as lembranças. Disse que tem o desejo de voltar a visitar a escola. Mas também disse que está feliz aqui, que gosta da sua vida, da sua escola e dos seus novos amigos.

E nas frases curtinhas mas contundentes, de uma criaturinha de quase cinco anos, meu coração recebeu o alívio do qual necessitava. Cada vez tenho mais certeza de que tenho muito o que aprender com meu Pequeno.

2 comentários:

  1. Bem vinda ao clube!
    Depois de umas vinte mudanças a gente se acostuma.
    Esta é realmente a pior parte de mudanças: a estrutura e a "segurança" que foram deixadas para trás. Mas acredita, sempre vale o esforço, que é feito em busca de alguma condição melhor, pessoal ou profissionalmente.
    E a gente acaba descobrindo, também, que nossos(as) pequenos(as) vão se adaptar à nova realidade, pois apesar daquilo tudo que foi deixado para trás, o principal segue junto: a união e o amor da família!
    Portanto, desencuca, vive cada momento da Cidade Maravilhosa e vai preparando o terreno, pois estamos chegando e a tranquilidade de vcs vai acabar! rs
    Boa semana! Fiquem com Deus.
    Bjão e até breve.

    Tio Beto_52

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  2. Que legal! O Pequeno gasta de receber carta... me envia o endereço certinho de vcs, por favor.

    Agora na nonna(agosto) não esqueçam de ir na escola rever amigos e profe.

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o Batizado da Luísa.

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