Não havíamos planejado morar no Brasil (pelo menos não tão cedo). Por isso, nunca passou por minha cabeça a preocupação com vacinas daqui, de lá, acolá. Não me preocupei em saber quais vacinas pertenciam ao calendário brasileiro, nem como e quando eram dadas.
Na última consulta com a pediatra italiana, a única vacina que ela recomendou que fizéssemos antes de vir, era a vacina contra a febre amarela. A vacina foi feita uns dias antes da nossa viagem. E ponto final. Até que fiz a primeira consulta com uma pediatra brasileira, levando em mãos o livrinho das primeiras vacinas do Pequeno na Espanha e, também, das vacinas tomadas na Itália.
Não existe muita diferença, tenho que dizer. Mas havia uma dose que foi um dilema: a BCG. Pra quem perdeu alguns post's a respeito, basta clicar aqui e aqui.
Estive em dois postos de saúde (públicos) aqui no RJ. Num disseram uma coisa. No outro, aumentaram a coisa.
A pediatra do Pequeno também não tinha muita certeza se o Pequeno deveria ou não fazer o PPD. Ela também buscou informação, mas também teve várias respostas diferentes. Por último entrou em contato, via e-mail, com a secretaria de saúde do RJ, mas não obteve resposta.
Resolvi, então, buscar um centro especializado em vacinação, através do nosso plano de saúde. Havia somente uma clínica disponível e entrei em contato com eles. Fui muito bem atendida, via telefone. E a moça (que não sei se era recepcionista ou enfermeira), me passou um telefone para conversar direto com a médica responsável.
Pacientemente ela me explicou o seu parecer (deixando sempre claro que era o seu ponto de vista). Agradeci porque ela poderia muito bem ter cobrado por uma consulta, mas se disponibilizou a me explicar tudinho via telefone (e foram bons minutos de conversa).
Juntei todas as informações, opiniões, etc, e fiz uma última ligação: pro marido.
- "O que tu acha?"
Depois da nossa assembléia familiar, decidi vacinar o Pequeno naquele mesmo instante e acabar com essa história.
Fomos andando até uma filial da clínica de vacinação. Já havia dito que não queria voltar no último posto que fomos. Me informei e, caso o nosso plano não cobrisse o valor da vacina (e não cobria), o valor era de R$60. Nenhum absurdo e, finalmente, acabaríamos com a novela.
No caminho, fui tentando conversar com o Pequeno sobre a vacina. Ele resmungava, dizia que não queria saber de vacina, que estava cansado, que era melhor deixar pra outro dia. Mostrei a marca da minha. Ainda brinquei que só "pessoas especiais" tinham aquela vacina. Ele me olhou com cara de dúvida. Disse:
- "Menino, claro que sim. Só os brasileiros tem. Pode ver que o Papai não tem essa marca no braço".
- "Tem sim."
- "Não tem, não."
- "Mas ele é brasileiro também."
- "Não é não."
- "Mas ele já sabe falar 'em brasileiro'."
Chegamos na clínica. Pequeno se distraiu com alguns brinquedinhos que estavam por ali. Até que chegou o momento da vacina.
No meu tempo (leia-se há uns 27 anos atrás), a vacina era dada com uma pistola. Mas no Pequeno foi dado em forma de injeção.
Santinha-padroeira-das-mães-que-tem-que-agarrar-os-filhos-pra-tomar-injeção!!!! Eu e mais duas enfermeiras tivemos que agarrar o menino. Até que o moço que deu a vacina, disse:
- "Conta até 10, que você vai ver que vai passar logo e você não vai sentir nada."
- "Um .... buaaaaaaaaaaaaaaaaaa" ... "dois, buaaaaaaaaaaaaaaaa" ... "três, aahhhhhhhhhhhhhhhhh" ... "quatro .... acabou?"
Acabou. Nem chegou no cinco.
Com muita coragem ele olhou pro lugar onde foi aplicada a vacina:
- "É que nem quando os mosquitos me picam, né?"
Sem dor nenhuma e cheio de orgulho, balançando o braço, ele voltou feliz pra casa. Agora sim era um brasileiro "de verdade e vacinado". E não demorou em comentar:
- "Agora chega de vacina, né?????"
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