Houve um tempo em que não entendia aquele interrogatório quase que rotineiro dos meus pais: Aonde vai? Com quem vai? Como vai? Por que vai? Onde fica? Eram perguntas que me deixavam estressada e irritada. Muitas vezes imaginei que era por falta de confiança. Outras tantas, achava que era simplesmente pra encher o saco mesmo. Pais sabem fazer isto como ninguém.
Não entendia a insistência da minha mãe em fazer questão de ficar acordada pra me receber com aquela cara de "mãe chata reclamando da hora" toda vez que saía com meus amigos. Só podia ser implicância! Muitas foram as brigas, as discussões. Era muito difícil entender toda aquela chateação.
Era. Porque hoje eu tenho tudo perfeitamente esclarecido.
Meu Pequeno nasceu e, junto com ele, nasceu uma parte minha que até então não a conhecia. Felizmente todas as respostas de antigamente, hoje, tem solução.
O interrogatório implicante dos meus pais nada mais era do que uma prevenção. Não era falta de confiança. Era simplesmente excesso de zelo. E os pais sempre pecam por isso.
Hoje eu sei que não era porque minha mãe queria acordar cedo pra me receber com cara de chatice. A verdade é que ela simplesmente não dormia.
Tragédias sempre nos afetam. As vezes mais, as vezes menos. E, infelizmente, na maioria das vezes, logo acaba no esquecimento. Mas tragédias com jovens, uma vez que somos pais e mães, afetam dentro do coração.
É impossível não pensar: "Meus Deus! E se fosse com meu filho?"
Nos achamos fortes. Achamos que podemos controlar qualquer tipo de situação. Sabemos nos cuidar. Mentira! Basta uma sucessão de equívocos e, pronto. Descobrimos que somos, na verdade, totalmente vulneráveis.
Depois do que aconteceu no último final de semana, é impossível não se sensibilizar, olhar pro meu Pequeno e sentir doer lá no fundo da alma. É impossível não lembrar do passado e reconhecer o quanto de razão meus pais tinham.
Quando meu filho nasceu, meu coração passou a bater do lado de fora do corpo. E é ele que me faz ser piegas tantas e tantas vezes. É esse coração batendo fora do corpo que me diz o quanto somos sensíveis e frágeis. Será esse coração que me fará cometer os mesmos excessos de zelo que meus pais cometeram no passado. É esse coração pulsando totalmente fora de mim, que me faz ser solidária com tamanha dor. A dor de perder um filho, acredito, seja a pior de todas.
Tua definição foi perfeita: quando somos pais, nosso coração passa a bater fora do corpo, carregando sempre o nosso amor mais puro, a nossa alma e tudo o que dá sentido à vida. É impossível e doloroso demais imaginarmos como ficaria a nossa vida sem a parte mais importante.
ResponderExcluirÉ por isso que essas tragédias nos abalam tanto. A lógica da vida diz que filhos devem enterrar seus pais. Quando essa lógica é invertida, perdemos a noção das coisas, ficamos perdidos.
E, a isso tudo, se associa a revolta pela incompetência, pela impunidade, e por sabermos que esta lembrança triste será substituída por outra tragédia.
Até quando???????
Bjs. Fiquem com Deus.
Tio Beto_53
Oi, tio Beto!
ExcluirPois é ... eu achava sem sentido e "sem noção" a frasezinha que dizia assim: "quando tu for mãe, tu vai entender". E é verdade ... tem coisa q a gente só entende "sendo" mesmo.
Infelizmente nossa justiça é lenta ... e falha. Por exemplos anteriores sabemos que, infelizmente, a justiça pra essas famílias irá demorar, e muito. Espero, somente, que sirva para que próximas tragédias do tipo não aconteçam mais. Uma pena q a um preço muito caro.
Bjos!
Sabe que eu pensei a mesma coisa quando vi a noticía. E se fosse meu filho?? Nunca estamos preparados para uma tragédia dessas, muito menos perder alguém que amamos.
ResponderExcluirNem de perto consigo imaginar a dor daqueles familiares... Meu Deus que desgraSSa.
Muito triste mesmo.
É verdade, Débora. Vc resumiu bem: uma desgraça.
ExcluirUm bjo!
Pois é. Só nos lembramos desse sentimento quando acompanhamos de perto estas tragédias.Devemos então repensar nosso comportamento. Será que não seria mais fácil começarmos a mudar nosso comportamento como pais e em vez de xingamentos e recriminações, o melhor seria dizer "eu te amo". Fazer de conta que não estamos vendo certas coisas. Aproveitar o momento de comer para sermos um pouco crianças e brincarmos com eles. S´damos o verdadeiro valor quando perdemos ou eles deixam nossas casas para viverem o mundo deles. Não devemos é deixá-los nos escantear.
ResponderExcluirVamos lá mamães. repensem.quem vos escreve é uma vovó, que se arrepende muitopor não ter tido o tempo que tem com a neta para com os filhos. mas graças a Deus eu sei que elesa me amam, não tanto quanto eu os amo.
Oi, Mana!
ExcluirNão acho q devamos ser mais "corações moles" pensando que algum dia possa vir a acontecer algo com nossos filhos. Seria pessimismo demais. No meu ponto de vista, sendo assim, criaremos pessoas sem valores e sem escrúpulos. Quem tudo pode ou tem, nada obedece ou valoriza.
Bom, mas acho q este seria tema pra outro post :)
Eu acho q também serei uma vovó gente boa, coração mole e permissiva. Até porque existe um detalhe muito importante: a educação não depende dos avós. Isto é tarefa para os pais :) Este peso eles (os avós) já tiraram de cima ... hehehehe
Bjinhos pra vcs! E pode deixar q vou encher a Fernandinha de mimos e manhas :)
Um dia a gente passa a entender um bocado de coisa, entre essas coisas os motivos dos pais né? nao entendemos tudo, mas o essencial que eles sempre querem nosso melhor, da forma deles mas o melhor.
ResponderExcluirtexto muito lindo o seu Tati e muito verdadeiro também.
bjs
Wilqui, queridona!
ExcluirPois é ... e vc já falou sobre isto em seus post's muitas vezes. E me identifico bastante com vc e seus sentimentos.
Um bjo!