Todos os dias tenho pensado no quanto é difícil educar a alguém.
Além do básico do básico (com licença, por favor, obrigado), vejo a cada dia a evolução do meu Pequeno: o tempo insiste em passar acelerado, ele está mais "grandinho", mais esperto e cada vez mais curioso. E quando o assunto é "recriminar" ou exigir, ele não perde tempo. "Não se faz isso, mãe!" , "tu me prometeu!", "tu me mentiu".
Mas o que mais tem feito meu coraçãozinho ficar apreensivo, é a curiosidade, as perguntas cheias de inocência, mas que pedem uma resposta convincente e condicente com a idade da minha criatura.
No outro dia fiquei pasma ao ver a reação dele assistindo uma reportagem sobre a homossexualidade da Daniela Mercury.
- "Que é isso? Uma mulher casada com outra mulher?"
Juro que naquela expressãozinha infantil mas cheia de preconceito, vi meu pai em miniatura. E fiquei angustiada, pois meu pai nasceu há quase 80 anos atrás.
Vendo a minha reação, ele me perguntou, quase afirmando:
- "Isso não pode, né mãe?"
- "Pode sim, filho!"
Ele ficou a espera de uma resposta suficientemente capaz de sanar sua dúvida.
E aí a mãe aqui precisou ser rápida numa resposta, tendo a necessidade de não ser preconceituosa e muito menos tendenciosa. Vai explicar pra uma criatura de 5 anos de idade que as pessoas são muito mais do que suas próprias opções sexuais.
No outro dia veio com um papo de que na favela só tinha bandido.
-"Não é verdade!", respondi.
- "Mas o Fulano falou isso ..."
- "Filho, infelizmente, os bandidos estão em todos os lugares."
E novamente busca uma resposta à altura da curiosidade e do poder de entendimento da criaturinha. Vai explicar pra ele sobre a desigualdade social brasileira.
Eu não sei de onde ele tem tirado essas atitudes mais que preconceituosas. Eu e meu marido não somos assim. Pelo contrário, uma das coisas que temos em comum é que abominamos esse tipo de comportamento. Ou seja, ele não fala isso porque escuta em casa, ele não reage assim porque nos vê atuando da mesma maneira.
Fora as outras perguntas: Como eu nasci? Por que eu não tenho irmão? Por que meu pai não tem carro se todos os pais dos meus coleguinhas tem? Por que tu não dirige? Por que tu não é professora? Por que eu não tenho babá?
Sem contar que agora o danadinho tem "decifrado" publicidades.
Vendo um comercial de uma revendedora de carros, onde o locutor dizia "agora com taxa 0%", ele automaticamente olhou pro pai dele e disse:
- "Olha isso, pai! Vamos comprar um carro agora? Tá muito barato, taxa zero, não se paga ..."
E vai explicar economia pra criatura.
Vivo em tensão constante, esperando a próxima pergunta e com receio de não saber como responder.
E mais ainda, é preciso ser clara, não ser hipócrita, com a certeza de que estamos construindo parte do caráter de uma pessoa. E, sobretudo, não apenas discursar e exigir, mas sim servir de exemplo.
Isso é muita responsabilidade!
Eu manjo pouco de como cuidar de uma vidinha, tendo como exemplo maior eu(a mae) por que nao sou mae, maaas...
ResponderExcluirEu acho que esses sao os reflexos de uma sociedade em si, amiga.
O Nicolinha de certa forma estava ´protegido´dentro de casa, a escola, ensina mais do que os livros(fato) por que ele é espero e tem obsevado o mundo em volta dele, que tem baba, que prioriza um carro, que nao aceita uniao do mesmo sexo...infelizmente.
E dai ele leva os questionamentos pra quem ele confia que vai convence-lo de que é possível ser feliz na contra mao(por que é isso que parece pra ele,penso eu).
Eu realmente desejo boa sorte, por que o negocio comeca a ficar serio a parti de agora. bjs
Wilqui,
Excluirsabe que minha maior preocupação é saber responder às perguntas do meu Pequeno, de uma maneira clara (sempre o mais claro possível para o entendimento de uma pequena criatura), não ser hipócrita e nem tendenciosa, como comentei no post, mas sobretudo de uma maneira que siga inspirando confiança. Desejo que ele siga se sentindo seguro de vir conversar conosco. Claro que vai chegar o dia em que ele vai preferir falar com os amigos (isso é inevitável), mas como comentei também, são etapas fundamentais para a formação do caráter dele, sei disso e tenho como principal objetivo fazer dele uma pessoa do bem. O resto, vai depender da vontade e das opções dele.
Bjokas, amiga internética! :)
vou comentar sò a parte "sexual" - dessa ultima vez que estivemos aì (digo por mim e pelo ernesto) nos "assustou" o tanto de lèsbicas que vimos em giro... em dois anos e meio de ausencia da terra brasilis parecia que tinham brotado que nem funghi - eu nunca tinha visto tantas em 32 anos de vida na minha cidade! eu penso, sò uma coisa e vou ter que me preparar pra isso quando chegar minha hora também - respostinhas bàsicas do tipo "sim" e "nao" ou "pode sim" "pode nao", sem um porque nào responde a uma criança. tente lembrar quando vc era criança. se vc nao argumentar pro teu filho o porque pode/nao pode ou o porque é/nao é alguém vai fazer no teu lugar... eu sei que vc nao quer criar um filho preconceituoso, mas ensinar pra ele o que é "natural" (e pra mim isso é homem E mulher) voce poderia, como mae hetero que vc é... pra ensinar outras coisas, pode deixar que o mundo vai se encarregar daqui a pouco. eu sempre vou carregar comigo uma liçao - o meu melhor amigo (gay) dizendo que tem nojo de buceta de mulher (sendo que entrou e saiu por uma que eu sei!). e eu pensei: pq vou comprar tua briga, meu amigo, de defender os homossexuais se nao è o meu caso?! entao, eu nao entro mais nessa briga de defender nada que seja do meu interesse direto, nao... fiz esse propòsito comigo mesma esses dias, inclusive pra nao compartilhar nada dos gayzistas brasileiros... pra Sofia vou ensinar que homem e mulher è o certo - se ela virar pro errado "problema" dela... :) Val (bjs)
ResponderExcluirVal, bella!
ExcluirPois é, mulher! Tema polêmico :)
Não respondo ao Pequeno somente "sim" ou "não". Nunca foi assim. Como vc comentou, mais importante de tudo são os argumentos. Cada pergunta que ele faz vem seguida de uma lonnnnnnga conversa e, sempre que possível, dou exemplos sim - só não argumentei cada conversa no post senão ele ficaria lonnnngo demais.
Não posso dizer a ele que homem não pode gostar de homem, ou mulher não pode gostar de mulher. Principalmente porque eu não penso assim. Eu acredito na união de pessoas do mesmo sexo. Acredito e aceito. Expliquei a ele que mamãe ama papai, vovò ama vovô, titio ama titia, mas qdo saímos na rua e ele vê um casal do mesmo sexo de mãos dadas ou se abraçando, ele sabe que "pode
sim" existir um amor entre eles. É a realidade.
Com certeza hj em dia as coisas são bem diferentes do "nosso tempo" de criança. Aliás, não lembro se alguma vez cheguei a perguntar isto aos meus pais. Aliás, fui criada por pais que pensavam exatamente como vc (veja o comentário do meu irmão logo aqui abaixo). Cresci com um parâmetro de 'certo e errado'. Mantive minha base, mas nem por isso deixei de criar meus próprios pensamentos depois de "gente grande".
Bom trocar figurinhas com vc :) ... vá se preparando pq logo a pequena Sofi vai começar com a fase de perguntas cabeludas ...rs.
Bjinhos pra vcs!
Creio que o fundamental é nos mantermos fiéis às nossas crenças e aos nossos valores, sem preconceitos, entendendo e respeitando as escolhas de cada um (o que não significa que concordamos com elas).
ResponderExcluirPara mim, o normal é ADÃO e EVA e não ADÃO e IVO.rs
As escolhas sexuais são uma componente da personalidade, mas não traduzem integralmente uma pessoa.
E o fundamental é a confiança e o sentimento de proteção que Nicola demonstra, ao trazer seus questionamentos para dentro de casa. Isso sim, além de mostrar uma bela característica de personalidade, traduz que vcs estão criando um homem de bem!
Não te assusta com tamanha responsabilidade. Nós (que te conhecemos bem e te admiramos por tuas qualidades) sabemos que os exemplos que tu e Nicolão dão ao pequeno Nicolinha são mais importantes e vão marcar a vida dele muito mais que milhões de palavras e de explicações. Tenho certea de que ele já sente isso, mas ainda precisa que "traduzam". rs
Bjão e bom final de semana! Fiquem com Deus.
Tio Beto_53
Oi, tio Beto!
ExcluirTb penso como tu: "as escolhas sexuais são uma componente da personalidade, mas não traduzem integralmente uma pessoa".
Fico feliz em senti-lo seguro de vir perguntar a mim esse tipo de dúvida. Espero, somente, que esta confiança perdure por muito tempo. Tenho em vcs, meus irmãos e irmã, grandes exemplos como pais e mãe, acredito q todos vcs constituiram lindas famílias, meus sobrinhos são grandes pessoas, de boa índole e de bom caráter e isso me faz ser confiante em que tb serei capaz de ser uma boa mãe pro meu Pequeno.
Bjos gigantes para vcs todos! Saudades!
Oi Tati!
ResponderExcluirNada como ter um irmão mais velho, como o nosso Tio Beto.
Faço minhas as palavras dele. Não te assusta com pouca coisa, pois filho homem nos surpreende a cada dia. É preferível ele ter as dúvidas e curiosidades sanadas por ti e pelo cunhadão, do que na rua, com sabe lá Deus quem. Sempre a melhor resposta será dada povcs.
se precisar tia/vovó Zanza está aqui.
Bjs amamos vcs
Oi, Mana!!
ExcluirPois é, eu sei que a fase de dúvidas, perguntas e curiosidades está apenas começando.
A próxima pergunta "cabeluda" vou mandar ele perguntar ao vovô. Que achas? kkkk
Bjokas pra vcs!
O importante é ser clara, sem muitas voltas e com naturalidade. As crianças fixam mais quando os adultos reagem mal e acabam dando mais atenção à questão.
ResponderExcluir...E ser rápida no gatilho.
:)
Com certeza, Allan! Tento ser o mas rápida possível, pq sei bem que embora pequeninos, eles não se convencem com qualquer resposta simples.
ExcluirPor enquanto, parece que temos sido aprovados. Mas essa novela ainda renderá muitas cenas em próximos capítulos :)