Cadê o Manual?

Não chega a ser um peso. Não é um tormento. Muito menos um medo. É apenas uma preocupação.

Conforme meu Pequeno vem crescendo, sinto na pele a dificuldade em ser responsável por sua educação. Ou melhor:  sentimos, já que o marido participa ativamente na sua tarefa de pai, em todos os sentidos. Mas como sou eu quem vos escreve, falo em primeira pessoa.

O tempo vai passando, Pequeno vai adquirindo personalidade (e forte), já é capaz de expor seus pensamentos, pergunta quando tem dúvida e não mede esforços em argumentar seu ponto de vista.

Já não basta dar respostas curtas. Sim ou não não servem mais. Ele quer saber dos motivos, das razões. E isso, convenhamos, é muito bom.

Pequeno sempre foi bonzinho, da paz. Na escola, num momento de conflito sempre pedia a mediação da profe. Em casa era fácil controlá-lo. Numa situação crítica era só falar mais alto, em tom forte, ou num extremo, ameaçar um castigo que, pronto. Problema resolvido.

Era. Tudo assim no pretérito imperfeito.

De uns tempos pra cá o menino tem se demonstrado rebelde. Confesso que muitas vezes aparecem lapsos da minha infância, me vejo com 5 anos, quando inchava as bochechas, fazia beiço e no olhar demonstrava toda minha raiva. Ele tem muito de mim. Talvez por isso o conheça tão bem, para azar seu.

Ele tem respondido, como nunca. 

Na escola, nesses dias, bateu em dois amigos na hora do futebol. Logo ele que era da paz. Logo ele que nunca havia sequer respondido mal a um amigo. De cara deu 5 chutes em um e 5 socos no outro, no mesmo dia. O porque do 5 eu não sei.

Em casa, tem dado respostas sérias, secas. Nesses dias até levantou a mão ameaçando me bater. Felizmente ainda tem uma pontinha de autocontrole. Ele conhece bem a mãe que tem e sabe que não tenho paciência e nem tolero algumas coisas.

Aliás, quem me conhece sabe que não sou do tipo de mãe que pensa que castigo basta. Penso sim que uma boa palmada, dependendo da situação, é um santo remédio. Mas, vendo como o menino vem atuando, tenho conseguido me controlar :)

Bastante hipócrita, né? Eu, quase sem paciência, pedindo que o menino tenha paciência. Freud explica?

Penso que, talvez, seja um novo ciclo, uma nova fase. Talvez, também, o motivo tenha sido nossas viagens, em um mês fomos para o sul, depois para Itália, depois voltamos. E Pequeno, também conforme vai passando o tempo, tem sofrido cada vez mais com as despedidas.

Não. A maternidade não é um peso. Ela caiu de paraquedas em minha vida, mas foi sempre muito bem-vinda. Amo ser mãe do Pequeno. Ele, apesar de tudo, segue carinhoso, beijoqueiro, vive dando abraços e todos os dias diz "eu te amo". Muitos são os momentos somente nossos, que ficamos juntinhos, abraçados, ele me faz cafuné e trocamos olhares de carinho. Vejo no rostinho dele que é um menino feliz e que se sente amado.

Não. Não é um tormento. Nunca foi. Sempre foi complicado ser mãe sem um apoio familiar. Não é fácil tocar o barco sem ter um apoio por perto, uma vó, uma tia, uma amiga. Aprendi tudo na marra. E não reclamo. Foi nossa opção de vida. Por isso  arcamos, também, com as consequências.

Não. Não é um medo. Já passei da fase dos medos. Ultrapassei temores e sei que é pra frente que se anda. Filhos não nascem com manuais. Quando tiver cólicas ir para pág. 5. Situações de febre, pág. 17. Respondeu feio pra mãe, pág. 40. Imagina, que paraíso! Tenho certeza que neste caso não haveria manual sem ser lido.

É apenas uma preocupação, já que sou (somos) responsável pela formação de um caráter, de um ser humano. Hoje em dia é muito difícil saber explicar o que é certo ou errado. Onde acaba um e começa o outro.

É  simplesmente  uma constatação: educar um filho é muito difícil. Mas, também, ninguém nunca havia dito que seria fácil, né?

4 comentários:

  1. Dá bastante palmada nele, onde já se viu levantar a mão pra bater na mãe? Ou então da um olhar fatal daqueles que só tu sabe dar! hahahaha.. Mesmo assim esse meu primo é muito querido e educado, alguma coisa tu tá fazendo certo! :D Amo vocês (L) Beta.

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    1. Lindinha da tia!
      Obrigada pelo "alguma coisa tu tá fazendo certo" :)
      De verdade, obrigada!!!! É muito bom ouvir (neste caso ler) isso.
      E tu e tuas irmãs são exemplos de q boas chineladas vez q outra fazem bem ... kkkkk
      Nós tb te amamos!

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  2. São fases, mas a próxima vai depender de como vocês reagirem a esta fase de agora. Regras. Criança precisa de regras. Tá escrito no manual.

    :)

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    1. As danadas das fases ... como diz uma amiga: "é que nem video-game, a cada fase que superamos vem uma pior" :)
      Concordo com vc totalmente: regras. (esse capítulo do manual eu li) ...rs
      O problema vem qdo uma criaturinha de 5 anos começa a querer saber do "por que isso é assim?", "por que tu tá dizendo?" e ao ser respondido, deixa claro que não está de acordo.
      Mas, enfim ... é aquela coisa maluca de ser pai e mãe ... a gente tem a obrigação de ensinar, mas também acaba aprendendo muito com eles ;)

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