Pela centésima vez, fazia o mesmo pedido:
- "Por favor, pode ir pro teu quarto terminar o dever de casa?"
Ele, que estava enrolando há algumas horas para fazer duas folhas do tema de matemática, se limitou a efetuar passinhos de dança enquanto passava um comercial na TV.
Tentei fazer cara feia. Não adiantou de nada. Na verdade, acho que ele nem percebeu. Com uma mão segurava a folha do dever, que balançava pra lá e pra cá, meio amassada. Com a outra mão, segurava o lápis, mordido na ponta. Naquele momento, o lápis era um microfone imaginário.
Num passo compassado, ele fazia caretas de interpretação.
Num tom mais alto e forte, repeti:
- "Dá pra fazer o favor de ir pro quarto terminar o dever?"
Desta vez ele escutou. Abaixou o lápis que estava perto da boca, botou a folha debaixo do braço, me olhou com cara séria de reprovação e disse:
- "Poxa, mãe! A gente também precisa aproveitar e curtir a vida!"
Não respondi nada. Fiquei sorrindo sozinha no sofá e louca de vontade de dizer:
- "Tens razão, meu filho! Tens razão ..."
Verdade! Mas primeiro os deveres da escola... Depois, aproveitar e curtir a vida!
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