Peru: parte I - Cusco

Por conta das olimpíadas aqui no RJ, as férias escolares foram transferidas para o mês de agosto. O final do primeiro semestre letivo demorou pra chegar, Pequenos cansados e mães estressadas, mas finalmente chegou.

Curtimos dias de descanso e de preguiça, até que chegou o nosso tão esperado dia de viajar para curtir as férias. Nosso destino foi o Peru, país que tínhamos um grande desejo de conhecer, sobretudo o tão esperado e sonhado Machu Picchu.


Viajar com crianças, independentemente da idade, requer um planejamento e logística diferentes. Organizamos nossa viagem por nossa conta e risco (eu e marido fugimos de pacotes de viagem, a gente gosta de fazer e conhecer os lugares do nosso jeito e do nosso tempo). Pesquisamos pela internet e com pessoas que já conheciam o local e nos organizamos pra passear e conhecer o que gostaríamos de ver tranquilamente, até porque tínhamos um Pequeno acompanhante de viagem e nos preocupava o tal do soroche (mal das alturas ou mal de altitude).

Cusco, a cidade aonde passamos a maior parte do tempo, está a 3.399m de altura acima do nível do mar. Em um dia de passeios, alternamos entre os quase 3.400 até quase os 4.000m. Explicando de uma maneira prática e rápida, mais ou menos como expliquei para o Pequeno, moramos praticamente no mesmo nível do mar (tentei pesquisar dados específicos, mas encontrei valores bem diferentes). Passam-se umas 8 horas no máximo  (o tempo que levou de SP à Lima e de Lima à Cusco) e ... o corpo já começa a sentir a falta de oxigênio.

Nos organizamos para no primeiro dia não fazer nada em concreto. Na verdade, li na internet que o primeiro dia deveria ser no hotel para descansar e o corpo ir se acostumando pouco a pouco com as mudanças. Chegamos super cedo, nosso quarto ainda não estava pronto. Conseguimos umas mantas com o pessoal da recepção, Pequeno encontrou um sofá bem cômodo e dormiu. Eu e marido fomos direto para o chá de coca, super recomendado (tanto que fica disponível para os hóspedes nas recepções de quase todos os hotéis). A primeira sensação foi a de que o troço era ruim pra caramba, mas acabou virando um hábito durante toda a nossa viagem. Insistimos para que Pequeno bebesse também, mas após o primeiro gole ele desistiu.

chá de coca

Era para ter ficado no hotel, mas quem aguenta ficar trancado num quarto tendo toda uma nova cidade (e que parecia bonita) por explorar? Tomamos um banho, nos aclimatamos (lá fazia muito frio durante a noite e a manhã cedinho e, nos resto do dia, muito calor - o sol de lá queima pra caramba - nunca esqueça de protetor solar (mesmo estando frio) e chapéu/boné). No primeiro ponto turístico (a catedral) que estava bem pertinho do nosso hotel (ficamos bem próximos à Plaza de Armas), já pedi arrego: bateu um cansaço tremendo e uma falta de ar de ... tirar o fôlego ... bem engraçadinha! Esqueci que precisava andar com o freio de mão puxado, fui subir correndo os 5 ou 6 degraus pra chegar na catedral e ... não aguentei. A solução foi sentar um pouquinho, ficar tranquilinha admirando a paisagem e esperar passar ... até a próxima falta de ar.




Basicamente os sintomas para o mal de alturas são: falta de ar, dor de cabeça, náuseas, vômitos, tontura. No nosso caso tivemos (os 3 - eu mais do que eles) falta de ar e dor de cabeça. Mas não foi nada que prejudicasse os nossos passeios. Não deixamos de fazer nada por conta disso. Bebíamos direto o chá de coca (sempre que possível) e comíamos balinha de coca também. E, durante as refeições, pedíamos chá (a camomila foi nossa principal companheira durante as refeições). Evitamos álcool (apenas na última noite fomos a um pub, marido estava com desejo de Guinness e eu queria provar o tal do pisco sour). Bebíamos água direto, hidratação também fazia toda a diferença.

Já escutei muita gente dizer: não vou pra lá pra não passar mal, morro de medo. Não seja bobo! Se você tem o desejo de conhecer o Peru, vá. Prepare-se antes da viagem (até mesmo com medicamentos), mas vá. Não vai ser uma dorzinha de cabeça (super suportável, eu garanto!) que vai fazer você deixar de conhecer um lugar incrível. Pequeno sobreviveu, curtiu, adorou, se divertiu e já prometeu voltar lá pra levar o filho dele.

No segundo dia fizemos um passeio no Valle Sagrado. Lugares muito bonitos, diferentes e interessantes, com paisagens daquelas de ficar pra sempre grudadas na retina. Não tivemos escapatória e tivemos que contratar um tour. Legal porque tem um guia que vai explicando tudo direitinho, detalhes que sem eles passam desapercebidos ... mas o saco de tour é que sempre tem os chatos, os que se atrasam, os que se atrasam novamente, lugar determinado pra comer, etc. Foi um dia super cansativo (saímos por volta das 9hs de Cusco e voltamos às 20hs), mas valeu à pena.









No dia seguinte, acordamos cedinho (quem disse que conseguia tirar Pequeno da cama?) e fomos para a estação de Poroy pegar o trem para Águas Calientes. Uma viagem com paisagens incríveis (o dia estava ensolarado e lindo). Demorou mais ou menos umas 3hs e logo estávamos em Águas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo). Mas Machu Picchu merece um post à parte ... assim que depois falo sobre esse passeio incrível!



Voltamos para Cusco, onde teríamos mais dois dias. Ficamos no mesmo hotel. Ainda tínhamos alguns pontos turísticos que queríamos conhecer. Não visitamos todos os lugares possíveis, não dava tempo. Tínhamos (na verdade falo por mim) o desejo de conhecer Coricancha (Templo do Sol) e o Museu Inka.

Coricancha




Museu Inka
No último dia pela manhã (retornávamos a tarde) passeamos mais um pouquinho pelos arredores da Plaza de Armas, compramos alguns souvenirs, almoçamos, voltamos ao hotel para pedir um taxi e, logo, fomos para o aeroporto. Era hora de dar tchau para o Peru.



O meu resumo sobre a viagem (agora falo por mim, não pelos meus Nicola's):  um lugar incrível, bonito, realmente tem uma energia diferente. O que eu não gostei: muito caro (sobretudo o preço dos hotéis: não valem o que cobram) e me entristeceu muito ver a quantidade enorme de crianças pelas ruas, muitas trabalhando. Conversando com uma guia no trem de volta de Machu Picchu, ela contou que a educação além de não ser de qualidade, não é obrigatória. Acaba que muitas famílias pobres preferem que as crianças trabalhem. Vi muita criança com olhar tristinho, isso me impactou. Mas também vi muita criança sendo criança com bem pouco (brincando com tampinha de garrafa do chão, brincando de "carrinho" com pedaços de madeira que encontravam pela rua), vi muitos irmãos maiores cuidando dos irmãos menores. Encontrei muitas pessoas simpáticas. Essa guia que conhecemos no trem, por exemplo, nos deu uma aula de história inka e ainda nos ajudou a encontrar um taxi bem mais em conta logo que chegamos novamente em Cusco.

Se algum dia Pequeno voltar lá com meu neto, quem sabe, eu volto com ele :)


P.S.: está achando que tem muita foto aqui? Espera pra ver as quase 450 fotos que eu já já colocarei no Facebook :)

4 comentários:

  1. Olá queridos!
    Que belo, Eu e Eliane acabamos de ver, e viajamos junto ao Peru/Machu Pichu. Chegamos a sentir a energia.
    Parabéns e obrigado por dividir conosco.

    Renato/ Eliane Fraga

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    1. Queridos! Então aguardem o post sobre Machu Picchu 😆
      Beijos nossos!

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  2. Proxima vez, daqui a uns anos faremos on Inca trail! :-)

    Nicola

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    1. só topo se for depois de fazer o Caminho de Santiago. Que tal?

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