o Batizado da Luísa.

    No ano passado, quando fomos pra Lisboa passar a Páscoa (e meu aniversário) com a Carol (dinda do Nick Jr.) e o Renan (senhor seu marido), recebemos com felicidade e emoção a notícia de que seríamos padrinhos da Luísa. (Contei sobre esse feliz momento aqui)

    No último dia 04 de janeiro oficializamos esse compromisso. Aproveitando que estávamos no Brasil de férias, os papais organizaram a cerimônia do batizado.

    Luísa, coisa mais amada dessa vida, ficou quietinha e atenta durante a missa que precedeu a cerimônia de batismo.

    Já tinha sido assim quando, alguns dias antes, fizemos o curso de padrinhos em Tramandaí, cidade do litoral vizinha a Osório.  Passou todo o tempo com olhar curioso e encantada com os vitrais da igreja, prestando atenção em cada palavra que a ministrante do curso dizia. 

    Durante a cerimônia do batizado em si, passou todo o momento com um olhar atento, analisando cada detalhe: o colorido da igreja, as pessoas que ali estavam e bem concentrada no que o padre fazia e dizia.

    No momento da benção com a água (aspersão) achei que fosse reclamar ou chorar. Mas ... que nada! Ainda focou o olhar na imagem da "pombinha" (Espírito Santo) fixada no teto da igreja.

    Logo o padre nos chamou para ficarmos próximos da imagem de Nossa Senhora que segurava o Menino Jesus, para uma benção especial. A danada da menina fixou o olhar na imagem da Nossa Senhora que estava em alto. A olhava com atenção. Tão fixamente que cheguei a me emocionar. Parecia que ela tinha entendido que era pra pedir uma benção pra santinha.

que bom que a fotógrafa  @tatischwanckfoto conseguiu registrar esse momento

    A parte engraçada, curiosa e  ao mesmo tempo emotiva,  ficou por conta do dindo da Luísa, o Nick Sr, senhor meu marido.

    Ele ficou encarregado de acender a vela na chama do Círio Pascal. E assim o fez. Porém, eu que estava bem do ladinho dele (e assim como todo o resto das pessoas que ali estavam), percebi(emos)  que a vela tremia mais do que vara verde. Na verdade o dindo tremia ...

    Eu fiquei com vontade rir ... mas eu estava na frente do padre, diante da chama do Círio Pascal e com a afilhada em braços.  Não seria tão desrespeituosa.

    Marido seguiu tremendo, tanto que da graça passei a preocupação. 

    Já no final da cerimônia, na primeira oportunidade, perguntei:

    - "Nicola, criatura! Por que tu tremia daquele jeito?", fiquei realmente preocupada.

    - "Eu fiquei nervoso, preocupado se a vela se apagaria ..."

    E nem dando tempo para que seguisse perguntando algo, continuou:

    - "... e eu tava emocionado! Minha primeira afilhada!", reconheceu o dindo babão.

    Minha cunhada, vovó da Luísa, depois me disse que além das mãos ele tremia até as pernas :)

    Após a cerimônia da igreja, a mamãe e o papai da Lulu organizaram um almoço para as famílias. Um momento especial de confraternização. Carol pensou em cada detalhe, a comida estava uma delícia e teve até música ao vivo, com competição de karaoke. 

    Alguns dias após o batizado, jantávamos na casa de uns amigos, quando comentávamos sobre  a surpresa (abençoada e linda) da vinda da Luísa. E foi ali, conversando,  que me dei conta de uma dessas coincidências da vida que, pra muitas pessoas, não fazem sentido nenhum. Mas que pra mim faz tanto sentido que cheguei a me arrepiar: o batizado da Luísa foi dia 04 de janeiro de 2026. E há exatamente um ano, no dia 04 de janeiro de 2025 foi quando a Carol descobriu que estava grávida.

    A Carol e o Renan não escolheram a data do batizado (era a que se encaixava melhor na agenda da igreja, aproveitando o período que estaríamos por lá). Provavelmente você esteja pensando: coincidência ... e basta. 

    Meu amigo Google me disse que:

    "Coincidência é a ocorrência simultânea de dois ou mais eventos que parecem relacionados mas não tem conexão causal aparente, sendo vista pela ciência como resultado do acaso e estatística, mas por outras visões (psicológicas, espirituais) como sincronicidade, significado profundo, intervenção divina (...)"



    Uma das tantas coisas importantes que o padre falou naquele dia, foi da importância dos padrinhos nunca se esquecerem da data do batismo dos seus afilhados.

    Tem um provérbio que diz mais ou menos assim:  

    "Coincidências são pequenos milagres onde Deus prefere não aparecer."

    04 de janeiro ... e nesse caso,  Ele apareceu :)

    Como esquecer?

dindos Nicola Sr. e Vitor, papai Renan e mamãe Carol, o padre com a Luísa, dindas Tati e Laura.


Brasil, meu Brasil brasileiro.

Finalmente fomos para o Brasil! (leia isso em tom de felicidade!).


Embarcamos no dia 21 de dezembro. Uma longa e cansativa viagem com conexões demoradas em Lisboa e em São Paulo.

Chegamos em Osório no dia 22 de dezembro. E bem nesse dia, nasceu meu oitavo sobrinho-neto: Rafael (Rafinha para os íntimos). Deu tempo de brindar com a família a chegada do novo membro.

Bem-vindo, Rafael!


Piscamos e já estávamos na função de Natal. Aquela bagunça com a família, um  Papai Noel meio improvisado (que assustou as crianças e fez rir aos adultos). Ainda estávamos sofrendo com a diferença do fuso horário, aquela coisa chata de acordar cedo demais e querer dormir às 06 da tarde ...



São Pedro não colaborou muito e nossa primeira semana foi de tempo feio e chuva. Isso sim: bastante calor.

Nossos primeiros 10 dias foram assim :/


Entre Natal e Ano Novo, comemoramos o mesversário da nossa afilhada, Luísa (Lulu para os íntimos). O tema escolhido não poderia ter sido outro já que comemoramos com a presença do vovô Beto: Grêmio, nosso time do coração.



No mesmo dia do mesversário da Luísa, Nick Jr. foi jogar bola com os primos. Já havia jogado uns dias antes e para aquele jogo se preparou especialmente: comprou até chuteira nova. Estava tudo perfeito até o menino fazer uma péssima combinação: estrear chuteira com a meia errada. Resultado: pés esfolados. Sim, pés, no plural. Porque com o Nick Jr. é assim: pra que quebrar só um dente se pode quebrar os dois? (não sabe do que estou falando? Clica aqui). Pra que cair e esfolar o joelho se pode esfolar o corpo todo? (também não sabe do que estou falando? Clica aqui). Pra que tirar a pele de só um pé se pode esfolar os dois na véspera do Ano Novo? Aventura pouca é bobagem para este menino ...


Piscamos e já era 31 de dezembro. Minha família alugou um salão para fazermos a nossa festa. Sim, somos muitos e enchemos um salão. Antes da função de comidas, bebidas, contagens regressivas, lentilhas e etc, organizaram um bingo. Um momento de diversão, pra passar tempo mesmo. E foi bem legal: ganhei até prêmio :)


Logo foi aquela função de comemoração, festa, beberagem (espumantes e prossecos até o fígado dizer chega), comilança e dança, muita dança.

Minha mãe e os netos - faltaram a Jéssica e o Nando.

As noras e os genros

viu porque precisava de um salão?




Nick Jr. que havia passado o dia na cama com os pés pra cima e cheio de pomada, resolveu fazer um curativo (afinal ele queria celebrar!). Teve a ajuda da prima Jéssica que mesmo estando no puerpério cuidou dos pés do menino fazendo um laser especial que foi ajudando na cicatrização. Empapou os pés com pomada, fez um curativo com gaze e esparadrapo. Colocou seus chinelos e com o melhor look de gringo curtiu a festa: abriu a pista de dança e só parou de dançar quando fomos embora. Afinal, dois pés esfolados não iriam atrapalhar o momento de confraternização com a família.


Piscamos e já era 04 de janeiro, um dia muito especial: dia do batizado da Luísa (e foi tão especial que vai ter um post só pra esse dia!). O papai e a mamãe da Lulu organizaram uma festa pós batizado bem legal, curtimos novamente em família e curtimos a nossa pitoca que se comportou lindamente e, acredite, curtiu desde a cerimônia na igreja até a  sua festa.






Como de costume, não consegui fazer tudo o que gostaria, ver todas as pessoas que tinha vontade, comer todas as minhas saudades gastronômicas, passear o quanto gostaria, ver todas as paisagens que sentia falta. A sensação foi realmente a de que "piscamos" e já era hora de voltar pra casa.


Claro que curtimos tudo o que deu, matei a saudade da minha família, conheci um monte de bebê coisa mais linda da vida, almoçamos/jantamos com amigos queridos. Curtimos o aniversário da prima. Matei saudade de xis, churrasco, chimarrão e caipirinha (aliás, Nick Jr. aprendeu a fazer caipirinha e, diga-se de passagem, o menino manda bem pra caramba! E olha que eu sou expert no quesito pinguça ...).

A maternidade dando retorno :)


Deu tempo de curtir a praça da Igreja e suas luzes de Natal. Matei a saudade da tia Iracema que foi nos visitar junto com a prima Gilma. O mar eu vi de longe, não  peguei nenhum solzinho (imagina, estragar minha branquelice europeia!).

As luzes de Natal da praça da Matriz


Tramandaí


Piscamos ... e era hora de vir embora. Saímos com um pouco de antecedência  já que tínhamos que pegar estrada (e a Freeway no verão é sempre uma incógnita).  Tínhamos   que  devolver o carro que alugamos, chegar antes no aeroporto para despachar malas ... aquele estresse e chatice de função de viagem. Nos despedimos da família e nem ainda havíamos entrado na Freeway (a autoestrada que liga Osório a Porto Alegre) e escuto um menino fungando: era Nick Jr., chorando de tristeza por estar indo embora.

Foi então, ali naquele momento, que percebi que tinha valido a pena. Não aquelas nossas férias. Não somente elas mas todas as outras que passamos com a família. Valeu a pena termos, nesses 18 anos, abdicado de passear em outros lugares. Valeu a pena priorizar tempo e dinheiro para que ele estivesse junto da família. Nossa prioridade sempre foi essa: quando moramos aqui, priorizar as férias com a família do Brasil e, quando morávamos no Brasil, priorizar as férias na Itália.

Valeu a pena ter insistido e investido na convivência dele com os avós, com os tios e com os primos. Valeu a pena termos trabalhado para que ele criasse laços e, mesmo sendo um menino sem uma terra pra chamar de sua (já que mudamos tantas vezes quando ele ainda era bem pequeno), o menino criou raízes.

As lágrimas daquele homenzarrão sentado no banco de trás de um carro atulhado de malas expressavam a tristeza por estar indo embora mas também a felicidade por ter vivido tantos bons momentos junto aos seus. E, acho,   valeu a pena ...

Chegamos com antecedência no aeroporto e Nick Jr. perguntou se dava para dar uma passadinha na Arena: estádio do Grêmio em Porto Alegre que fica bem próximo do aeroporto. 

Deixamos o carro na locadora, fomos para o aeroporto e de lá, Nick Jr. e Nick Sr. pegaram um taxi para o estádio. Fiquei no aeroporto de guardiã das bagagens.


Nick Jr. queria se despedir do seu time de coração e do seu avô (meu pai que há 04 anos não está mais aqui conosco  mas era um gremista apaixonado e passou essa paixão para nós). Uma despedida simbólica.

Essa ida rapidinha à Arena virou uma grande aventura. Fizeram amizade com o taxista (colorado) que deu boas dicas e os ajudou  a chegar num ponto especial para que Nick Jr. pudesse tirar uma boa foto. A Arena já estava fechada assim que ele não conseguiu ver muito mas matou as saudades e, segundo ele, com a ajuda do vô, viveu uma experiência bem legal.



Piscamos e já estávamos sentados no avião de volta pra casa.

Após uma conexão quase eterna em Lisboa, chegamos no dia 10 de janeiro em Milão. De madrugada e num frio daqueles. Como perrengue pouco é bobagem, nossas malas demoraram outra eternidade para saírem da esteira das bagagens. Eu já estava literalmente dormindo em pé, só querendo chegar em casa, tomar um banho e dormir.

Por sorte o ônibus que nos levaria até o estacionamento onde havíamos deixado nosso carro estava ali, paradinho, nos esperando. Logo chegamos até o nosso carro ... e encontramos o bichinho todo congelado. Também pudera! O termômetro marcava -6°. Rezei para todos os santos possíveis para que nosso carro ligasse logo (tinha uma grande possibilidade de isso não acontecer já que o coitado ficou 20 dias sofrendo no frio). Mas ele ligou! (leia isso em tom de agradecimento!). Marido ligou todos os aquecimentos internos possíveis e foi tirar o gelo do parabrisas, enquanto eu e Nick Jr. batíamos queixo de frio dentro do carro.


Chegamos em casa, arrumei as camas enquanto marido ligava o aquecimento da casa, tomei banho e literalmente desmaiei. Nosso plano era acordar relativamente cedo no dia seguinte para já ir acostumando novamente com o horário. Mas acordamos tarde pra caramba.

Piscamos e já estávamos de volta em casa. Com uma bagunça pra organizar, um corpo para acostumar de volta com o frio, uma sensação de "não deu tempo de nada" misturada com a sensação de "que saudade de casa" e com um jovem senhor reclamando da paisagem cinza e dizendo ter vontade de morar no Brasil.

Piscamos ...  e descobrimos que sim, valeu a pena!




Casa Liberada.

     No feriadão de 8 de dezembro (Festa dell'Immacolata), eu e marido fomos visitar minha sogra. Nick Jr, pela primeira vez,  não foi conosco. Ficou solito.

    Aproveitando a oportunidade, perguntou se podia fazer uma pequena junção aqui em casa e que se,  por acaso, poderia convidar alguns amigos para dormir. Ele já tinha recebido amigos em casa mas sempre estávamos por aqui. 

    Nossa resposta 1) foi a de que sim, poderia organizar uma pequena junção, desde que  não fizessem muita bagunça (não queria chatear os vizinhos); e a resposta 2) foi a de que sim, poderia chamar alguém para dormir aqui, desde que fosse o número de pessoas que nossa casa comportasse.

    Pra resumir a pequena junção da minha criatura: juntou uma galera de 13 pessoas. E dessas 13, 9 dormiram aqui em casa. 

    E daí você me pergunta: "Mas, Tatiana, tinha lugar pra 9 pessoas dormirem na tua casa?". Há alguns dias atrás eu te responderia que "não, óbvio" mas depois da junção do Nick Jr te respondo que: "Até que dá!".

    Não. Eu não fquei com o coração palpitando, preocupada ou ansiosa (o pai dele - que mais parece a mãe - sim).

    Nick Jr fez 18 anos, a casa também é dele e qualquer merda coisa que fizessem eu não poderia resolver absolutamente nada porque estava à 700km de distância. Assim que: ¡allá tú! (expressão em espanhol que significa basicamente problema teu).

    De verdade duas coisas me preocupavam: 1) incomodarem os vizinhos - aqui é tudo muito tranquilo, vez que outra tem algum que outro barulho mas nada que atrapalhe a boa convivência; 2) que alguém passasse mal por conta de bebida. Tirando uns 2 ou 3, o resto da galera acabou de fazer 18 anos, assim como Nick Jr. Estão naquela fase em que acham que podem, acham que sabem, inclusive controlar o nível de álcool. Como é que se diz mesmo? Jovem, né?!

    Ah! Tinha uma terceira preocupação: não quero dano na minha casa! Não quero ninguém bebendo no meu sofá, não quero ninguém quebrando as minhas coisas ...

    - "Mãe, por favor!", era só isso que ele respondia.

    Lembrei depois de uma quarta: não sabia se tinha coberta suficiente pra todo mundo. 9 pessoas? Friozão danado. Tudo bem que a casa tem aquecimento mas não queria ninguém passando frio na minha casa. Pelos meus cálculos até daria ... na dúvida tirei todas as cobertas dos armários e deixei em cima da cama do Nick Jr. Expliquei onde deixar cada coberta: "essa é aqui pra tua cama, essa pra quem for dormir no sofá, essa pro quarto de hóspedes ...". 

    - "Mãe!"

    Na verdade eu sabia que ele nem daria bola pra isso ... mas a minha parte eu fiz.

    - "Ah! Tem outra coisa!", disse aproveitando o meu papel de mãe querendo parecer que controla tudo, "quero a casa  limpa quando eu chegar de volta, exatamente do jeito que estou te deixando!".

    Segundo Nick Jr. fizeram um certo barulho mas nenhum vizinho reclamou. A galera se divertiu. Comeram (mas não comeram tudo o que deixei, comprei várias besteirinhas e quase todas ficaram intactas). Isso sim: beberam todas as cervejinhas que deixamos (segundo ele ninguém passou mal). Dormiram (pouco) e não passaram frio.

    Na manhã seguinte ainda ficaram por aqui, vendo filme e curando a ressaca.

    Mais tarde, quando confirmei que todos já  tinham ido embora, fizemos uma vídeochamada com Nick Jr.

    Estava atarefado, perdido entre lavar louça, arrumar as camas e limpar a casa.


     - "Mas me conta, já programaram uma próxima festa aí em casa?", perguntei.

    - "Não!", respondeu ele com cara de cansado.

    - "Ué! Se foi tudo tão legal, por que não?"

    - "Ah! Dá muito trabalho ... tem que ficar de olho se não tão fazendo bosta, muita coisa pra cuidar, muita coisa pra limpar depois ... faz umas duas horas  que estou lavando louça ...".

    E seguiu o meu senhorzinho que tem 18 mas parece que tem 80:

    - "Eu limpei o chão aqui mas tem uma coisa pegajosa que não sai de jeito nenhum. Posso jogar água aqui nesse chão?"

    - "Tá doido, menino! Estragar todo o meu parquet ... deixa que vejo isso quando voltar."

    - "Então tá!  Tenho que terminar a louça e limpar o controle do Xbox, viraram suco no meu controle ...", comentou ele misturando resiliência com brabeza.

    A primeira vez da casa liberada ... acho que ele não vai esquecer nunca mais :)

Joga pro Universo ...

    Há algumas semanas olhava pro meu celular que  estava ali parado em cima da mesa. De fundo de tela tinha uma foto antiga minha que tirei lá na Guarda do Embaú, em 2019.

    Logo pensei: "gosto desta foto mas vou mudar".  Eu sou assim, enjôo de tudo, enjôo das coisas, dos móveis no mesmo lugar, da rotina da vida, de ir nos mesmos lugares, de comer as mesmas coisas ... meu pai dizia: "Se seguir assim, guria, vai enjoar até do marido ...". Do marido não enjoei ... (e não, não vou botar entre aspas o ainda, seus mal pensados ...).

    Segui no meu raciocínio sem noção típico dos momentos de tédio.

    - "Quer saber? Vou botar uma foto do lugar que mais amo nessa vida ... vai que o Universo colabora ..."

    E mudei minha proteção de tela para a foto aqui abaixo:


    Tirei em setembro passado, quando fomos a Madrid comemorar o aniver do ex Pequeno Nicola, agora mais conhecido aqui por essas bandas como Nick Jr (se perdeu esse post contei tudinho aqui).

    Mudei a proteção de tela e dois dias depois (exatos 2 dias), recebo áudio da Carol (dinda do Pequeno que mora em Lisboa) dizendo que estava organizando duas viagens com a Beta (irmã dela, minha outra sobrinha,  que estava vindo visitá-la). Uma viagem para Londres e outra para Madrid. Perguntou se queria me unir a eles nessas duas aventuras.

    Não conseguiria participar das duas viagens mas de uma delas, quem sabe.

    Londres já fui algumas (muitas) vezes. Não ficaria triste em voltar por lá, na Terra da Chuva, dos red bus, uma cidade muito legal, cosmopolita e bonita.

    Mas meu coração bate por Madrid. Assim que não foi difícil fazer minha escolha.

    E logo que falei com Carol, pensei: "Gente do céu! O Universo conspira mesmo!".

    Algumas semanas depois, peguei meu avião para Madrid. Fui solita, sem os Nicola's. Cheguei cedinho em Barajas. Carol (minha sobrinha, irmã da vida, afilhada e duplamente cUmadre), o Renan (Sr. seu marido), a Luísa (minha afilhada coisa mais amada dessa vida) e a Beta (minha sobrinha, irmã da Carol) chegariam somente à tarde, pois vinham de carro desde Lisboa.

    Nenhuma preocupação com o que fazer até o horário que chegassem. Madrid é minha casa, muitas opções do que fazer, onde ir ou o melhor lugar pra "fazer tempo": andar por aí, sem destino (mas isso provavelmente faríamos juntos - o que realmente fizemos); minha segunda opção era visitar o Rooftop Bar (queria ter passado o aniver do Nicola lá mas o idoso do meu filho preferiu um outro lugar ...); outra opção era a de visitar o Museu do Prado (já o conhecia mas é sempre bom reavivar na alma da gente um pouco de cultura).


    Só que entre uma escolha e outra, uma queridona que conheci em Madrid mas que depois também foi embora,  estava por lá passeando de férias. Mantemos contato durante todo esse tempo mas nunca mais tínhamos nos visto pessoalmente. E olha que nossos caminhos se cruzavam de vez em quando mas o encontro não acontecia. Acabou que deu certo, nos encontramos e fizemos um brunch juntas ... eu que queria "perder tempo" acabei ganhando um super tempo de papo legal, daqueles que quando a gente vê, já passaram-se horas.

    Depois do brunch fui pegar minha mala no depósito de bagagem onde a havia deixado. Quem passava por mim na rua, certamente pensava: "doida, sorrindo sozinha ...". Eu estava sorrindo mesmo, com aquela sensação boa de reconhecer cada cantinho, de lembrar histórias de outrora, de me sentir em casa. Tão em casa que o bairro que ficamos, logo ali do ladinho do Palácio Real, era o bairro da minha primeira casa em Madrid.


    Não combinamos mas eu e a galera viajante de carro chegamos praticamente juntos no nosso Airbnb.

    Madrid nos proporcionou dias lindos de sol ... um entardecer no Parque do Retiro coisa mais linda dessa vida! Frio, caos de gente pelas ruas do centro ... afinal, nada é perfeito. Mas mesmo assim, toda hora pensava: "Quero morar aqui de novo!" - joguei, bem forte e bem alto pro Universo ouvir.

  

  Curti muito as minhas sobrinhas, babei e mimei muito a minha afilhada ... fomos até no centro comercial onde eu e o Nicola Sr. demos o nosso primeiro beijo :)

comemoramos o "mesversário" da Lulu
    

    Voltei pra casa no domingo cedinho. Afinal, apesar de querer muito, minha casa não  é mais lá e minha vida todinha (leia-se os meus Nicola's) esperavam por mim aqui.

    Madrid está mais caótica que antes, mais cheia, mais bonita ... mais Madrid. MadriD, assim, com D no final (e a pronúncia com a língua tocando o céu da boca, fazendo jus ao sotaque madrileño).

   

     Enquanto esperava por meu vôo no aeroporto, vendo o bairro de Barajas ao fundo no horizonte, fiquei lembrando de quando morava por lá: dos estresses e das maravilhas, dos perrengues e das belezas.  Madrid é minha casa, o meu lugar no mundo (eu sei que pareço - e sou - repetitiva mas nem sei explicar direito essa minha sensação).



    Vi tantas coisas diferentes, tantos novos lugares mas ao mesmo tempo reconheci cada rincón por onde passei (o bar que a gente ia escutar música ao vivo segue lá, o café onde conversamos pela primeira vez sobre nos casar também - embora agora a gestão seja chinesa :/  mas segue tudo igual ...).

    

    Eu me arrependo de ter ido embora ... o que não significa que não fui feliz em todos os outros lugares que morei (como posso reclamar de ter morado em Roma e no Rio de Janeiro?). Provavelmente se voltasse no tempo, faria as mesmas escolhas.

    Vivo numa nostalgia estranha que às vezes me dói. Vai saber se è karma de outras vidas ... ou vai saber, esse amor pela cidade  é simplesmente porque Madrid  me deu o que eu tenho de melhor: meus dois Nicola's, a minha família!

    Que meu encontro com a Bianca não demore outros 17 anos!

    Que eu volte a Madrid em breve!


    Que tenha novas oportunidades de aventuras com Carol, Renan  e Beta assim que der!

    


    Que eu consiga acompanhar os sorrisinhos da Lulu, suas fases de mudanças e descobertas!


Lulu no Bernabeu :)
   

     E que em todos esses próximos desejos, quando eles se realizarem,  meus Nicola's estejam junto!

    Pronto! Joguei pro Universo ...


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 Google (Noto Color Emoji 16.0)   ¡Que se lo cuenten al Universo!

    Hace unas semanas miraba mi celular, que estaba sobre la mesa. Como fondo de pantalla habia una vieja foto mía que tomé en Guarda do Embaú (Brasil) en 2019.

    Luego pensé: "Me gusta esta foto, pero la voy a cambiar". Soy así, me aburro de todo, de las cosas, de los muebles en el mismo sitio, de la rutina, de ir a los mismos lugares, de comer lo mismo... mi padre decía: "Si sigues así, chica, te aburrirás hasta de tu marido...". Todavía no me he aburrido de mi marido... (y no, no voy a poner "todavía" entre comillas, gente irreflexiva...).

    Seguí con mis razonamientos absurdos, típicos de los momentos de aburrimiento.

    ¿Sabes qué? Voy a poner una foto del lugar que más amo en esta vida... quizás el Universo coopere...

    Y cambié mi salvapantallas por la foto de abajo:

                

    La hice el pasado septiembre cuando fuimos a Madrid a celebrar el cumpleaños de mi  pequeño Nicola, ahora más conocido por aquí como Nick Jr. (si te perdiste esa publicación, te lo conté todo aquí).

    Cambié el salvapantallas y dos días después (exactamente 2 días) recibí un mensaje de audio de Carol (la madrina de  Nicola, mi sobrina que vive en Lisboa) diciendo que estaba organizando dos viajes con Beta (su hermana, mi otra sobrina, que venía a visitarla). Un viaje a Londres y otro a Madrid. Me preguntó si quería acompañarlas en estas dos aventuras.

    No podría participar en ambos viajes pero quizás en uno de ellos sí.

    He estado en Londres varias (muchísimas) veces. No me daría pena volver allí, a la Tierra de la Lluvia, de los autobuses rojos, una ciudad genial, cosmopolita y preciosa.

    Pero mi corazón late por Madrid. Así que no me costó elegir.

    Y en cuanto hablé con Carol, pensé: "¡Cielos! ¡El universo sí que conspira!".

    Unas semanas después, tomé el avión a Madrid. Fui sola, sin mis Nicola's. Llegué temprano a Barajas. Carol (mi sobrina, hermana de toda la vida, ahijada y doble madrina), Renan (su marido), Luísa (mi ahijada, la cosita más bonita de esta vida) y Beta (mi sobrina, hermana de Carol) llegarían por la tarde, ya que venían en coche desde Lisboa.

    No me preocupaba qué hacer hasta que llegaran. Madrid es mi hogar, con muchísimas opciones de qué hacer, dónde ir o el mejor lugar para "matar el tiempo": pasear, sin rumbo era una opción aunque probablemente lo haríamos juntos (cosa que lo hicimos); Mi segunda opción era visitar el Rooftop Bar (quería celebrar el cumpleaños de Nicola allí, pero mi hijo viejecito ha elegido otro sitio...). Otra opción era visitar el Museo del Prado (ya lo conocía, pero siempre viene bien reavivar un poco de cultura en el alma).

    Pero entre una elección y otra, una querida amiga que conocí en Madrid, que luego también se fue, estaba allí de vacaciones. Mantuvimos el contacto todo este tiempo, pero no nos volvimos a ver en persona. Y aunque nuestros caminos se cruzaron de vez en cuando, el encuentro nunca se produjo. Al final funcionó, quedamos y hicimos un brunch juntas... Yo, que quería "perder el tiempo", terminé ganando mi dia con  una charla genial, de esas que pasan las  horas y ni te das cuenta.

    Después del brunch, fui a recoger mi maleta en la consigna donde la había dejado. Cualquiera que se cruzara conmigo por la calle debió pensar: "Loca, sonriendo para sí misma...". Yo sonreía de verdade, con esa agradable sensación de reconocer cada rincón, de recordar historias del pasado, de sentirme como en casa. Tan en casa que el barrio donde nos alojamos, justo al lado del Palacio Real, fue el mismo barrio de mi primera casa en Madrid.

    No lo planeamos, pero mis compañeros de viaje y yo llegamos a nuestro Airbnb prácticamente al mismo tiempo.

    Madrid nos regaló días preciosos y soleados... ¡un atardecer en el Parque del Retiro, lo más bonito del mundo! Frío y mucho caos de gente en el centro... al fin y al cabo, nada es perfecto. Pero aun así, no dejaba de pensar: "¡Quiero volver a vivir aquí!". Lo grité alto y claro para que el Universo lo oyera.
    
    Disfruté mucho de mis sobrinas, mimé y consentí a mi ahijada... ¡incluso fuimos al centro comercial donde Nicola Sr. y yo nos dimos nuestro primer beso! :)

    Volví a casa el domingo por la mañana temprano. Al fin y al cabo, a pesar de desearlo con todas mis fuerzas, mi casa ya no es en Madrid y toda mi vida (léase: mis Nicola's) me esperaban en Italia.

    Madrid es más caótica que antes, más concurrida, más bonita... más Madrid. MadriD, escrito con D al final (y pronunciado con la lengua tocando el paladar, fiel al acento madrileño).

    Mientras esperaba mi vuelo en el aeropuerto, viendo el barrio de Barajas a lo lejos en el horizonte, recordé cuando vivía allí: el estrés y las maravillas, las dificultades y la belleza. Madrid es mi hogar, mi lugar en el mundo (sé que parezco —y lo soy— repetitiva, pero ni siquiera puedo explicar esta sensación correctamente).

    Vi tantas cosas diferentes, tantos lugares nuevos, pero al mismo tiempo reconocí cada rincón por el que pasé (el bar donde solíamos escuchar música en vivo sigue ahí, el café donde hablamos por primera vez de casarnos también está, aunque ahora lo llevan los chinos  pero todo sigue igual...).

    Me arrepiento de haberme ido... lo que no significa que no fuera feliz en todos los demás lugares donde viví (¿cómo puedo quejarme de vivir en Roma y Río de Janeiro?). Probablemente, si pudiera volver atrás, tomaría las mismas decisiones.

    Vivo con una extraña nostalgia que a veces duele. Quién sabe si es karma de otras vidas... o quizás este amor por la ciudad se debe simplemente a que Madrid me dio lo mejor que tengo: ¡mis dos Nicola's, mi familia!

    ¡Ojalá mi reencuentro con Bianca no tarde otros 17 años!

    ¡Ojalá vuelva pronto a Madrid!

    ¡Ojalá tenga nuevas oportunidades de aventuras con Carol, Renan y Beta lo antes posible!

    ¡Ojalá pueda acompañar las sonrisitas de Lulu, sus etapas de cambio y descubrimiento!

    ¡Y que mis Nicola's me acompañen en todos esos deseos futuros, cuando se cumplan!

    ¡Listo! Que el Universo conspire ...



o Batizado da Luísa.

     No ano passado, quando fomos pra Lisboa passar a Páscoa (e meu aniversário) com a Carol (dinda do Nick Jr.) e o Renan (senhor seu marid...