Neste finde fomos pra casa da sogra. Ela anda um pouco dodóizinha. Todos os outros findes fomos pra lá pra comer bem, sermos paparicados e relaxarmos (já que ela não deixa a gente fazer absolutamente nada). Mas neste finde tocava a tal da reciprocidade: sexta levei comidinhas prontas desde casa, demos muito paparicos e tentamos, na medida do possível, ajudá-la. Digo na medida do possível pois ela não para quieta um segundo e, pra ela estar sentadinha, repousando sem fazer nada (recomendação do médico) é quase como uma tortura. O importante é que voltamos de lá e a deixamos bem, um pouco melhor e Pequeno encheu a nonna de mimos e deu à ela muitos momentos de risadas.
Pois bem, passeando no final da tarde pela cidade, descobri que naquele final de semana tinha um evento cultural, organizado pelo coral da cidade, que se chama Agorà 81. Esse evento acontece todos os anos e eles sempre chamam grupos de fora (de outras cidades da Itália e também do estrangeiro) pra participar, apresentar um pouquinho da suas danças tradicionais e da sua cultura.
Fiquei feliz quando vi no cartaz que neste ano havia um grupo brasileiro convidado pro evento.
Sentamos na frente da casa, ponto de encontro dos familiares que moram ali perto, pra esperar o desfile de início do evento. Se fiquei feliz quando vi o nome do Brasil no cartaz, quando vi que o grupo era gaúcho, fui ao delírio. Um pequeno grupo do CTG Lalau Miranda da cidade de Passo Fundo, interior do Rio Grande do Sul (minha terra, com muito orgulho, tchê!).
| olha os gaudérios ali, gurizada! |
| mas bah, tchê! |
| coral de L'Aquila |
| grupo de dança do norte da Itália |
| esse chapéuzinho discreto pesa 3 Kg |
| grupo de dança da Sérvia |
| o sapatinho do sérvios |
Perguntei à eles de onde eram, que horas seria a apresentação, etc (aquele tipo de papo de curioso que quer saber tudo em 10 segundos), eles também ficaram felizes em saber que eu era brasileira. Começaram a bater palmas, tocar gaita na minha volta. Morri de vergonha!
Mais tarde, logo após a janta, fomos pra praça da cidade, assistir à apresentação dos grupos. Além do grupo de dança brasileiro, tinha um grupo de dança da Sérvia, um grupo de dança do norte da Itália e dois corais italianos, da região da nonna (Abruzzo).
No início fiquei um pouco acanhada de puxar papo com os brasileiritos (estavam jantando, outros jogando truco, não queria atrapalhar), mas logo que deu uma brechinha, eu e Papai fomos papear com um dos componentes do grupo, que era o instrutor de dança da turma. Ele contou que estão de tour pela Itália, participando de vários eventos artísticos e, quando dá tempo, aproveitam pra sair de turismo por aí. Conversamos sobre o chimarrão, o gosto da carne (que é diferente), sobre as pessoas (que eles também notaram que são um pouco mais reservadas), fiquei feliz quando falei pro moço que meus sobrinhos também dançavam em CTG e ele comentou que conhecia bem o pessoal do CTG da minha cidade.
Reconheço que nunca fui gaudéria o suficiente pra me apaixonar pelo nativismo tradicional gaúcho. Mas sempre achei bonito as roupas dos peões e das prendas. Nos meus tempos de festeira, fui a muitos bailes gaudérios mexer o esqueleto. Sempre que vou ao Brasil, procuro estar presente nas aprensentações dos meus sobrinhos. Acho lindo vê-los dançar. Mas ter aquele grupo de jovens bonitos, bem vestidos, levando um pouco da minha cultura ali pra Capistrello, chegou à me emocionar.
E emocionou tanto, que a saudade bateu forte. Liguei pra casa, louca de vontade de contar pro meu sobrinho (o que também dança num CTG), que havia encontrado aquele grupo ali na cidade da minha sogra. Sorri quando me disseram que ali na minha casa, naquele momento, estavam jogando truco.
Com prazer disse pros meus cunhados que aquela seria uma ótima apresentação, que não poderiam perder. Fiquei feliz que o povo aguentou o fresquinho e ficaram ali pra assistir às apresentações.
| grupo brasileiro no palco |
| dê-lhe baile! |
Modéstia à parte, no meu ponto de vista, o grupo brasileiro deu de 10 a zero. Ou, como diriamos na minha terra, matou a pau! Esbanjaram beleza e simpatia!
Difícil foi traduzir pra minha cunhada a mùsica "Ai bota aqui, ai bota ali o seu pezinho ..."
Pra quem não é do sul e não entender muito bem algumas das expressões que utilizei no texto, basta clicar aqui e conhecer um pouquinho mais do nosso "dialeto" gaùcho.
Melhoras pra nonna que esta "dodóizinha". Que findi maravilhoso!!!
ResponderExcluirNeste findi aqui no sul do Brasil com sol, frio, chuva e vento não parei em casa: na feira do produtor/passeio pela manhã no centro de Osório. Chimarrão na Marluci ao meio dia com cumpadres e afilhado. Tarde compras no super, banho e missa pela passagem dos 80 anos da bisavó do meu afilhado. E para completar o dia jantinha básica porque meu cumpadre estava de niver. No domingo rumo a Porto Alegre: visita as tias, primas e chá de bebê demais um primo na família Nunes (Gabriel).
Este evento Agorá 81...mas bah, tchê que fotos excelentes da minha terra em Roma...
Chegou o findi com chave de ouro, amiga.
Beijãoooo
Minha querida, espero que não seja nada grave com a nona.
ResponderExcluirE realmente deve ter tocado fundo a saudade do Rio Grande com as apresentações de dança e o bate papo com o pessoal.
O nicolinha deve ter se divertido muito ele que adora música e danças.
Um grande abraço....
Oi Querida irmã
ResponderExcluirÉ uma beleza ver a gauchada aí em Capistrello, é um pedacinho do Rio Grande Tchê.
Nós gaúchos somos humildes e sabemos que QUASE não somos perfeitos, mas tudo bem, pois perfeição não existe mesmo.
Um abraço do tamanho do Rio Grande a todos os Italianos.
do irmão do meio (O mais bonito)
PS: Tio Beto esteve por aqui...
***O comentário sem nome é da Tia Eliane.
Jana,
ResponderExcluirPassou o finde de festa, entao?! Coisa boa!
Pois é, amiga ... nosso finde tb foi intenso e com uma grata surpresa :)
Bjos!
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Tio Renato!
Viu sò que beleza! Algo me diz que os pròximos gaùchos a visitarem Capistrello serao tu e a tia Eliane :)
Quando liguei no sàbado pra contar q havia encontrado a gaùchada por là, falei com o tio Beto tb.
Um bjao enorme pra vcs!!!
P.S: eu e a tia Eliane jà nos conhecemos tao bem "até virtualmente" que eu jà sabia que o comentàrio sem nome era dela hehehe ;)
Tati, bella!!
ResponderExcluirEu não falo que é IMPOSSÍVEL visitar seu blog e ficar só um pouquinho nele? rsrsr
Pois é, proimeti que seria umapassadinha rápida, sem muitos coments, mas é impossível.
Vamos em partes, espero, de coração, que a nona já esteja recuperada e 1005 disponível para munida de seu avental, preparar muitos quitutes e paparicá-los. Que tenha sido um descanso e um motivo para que ela veja que também tem pessoas que a amam e disponíveis para um paparico nos momentos em que precisar.
Quanto ao "mundinho pequeno", posso avaliar sua emoção. Comigo acontece isso, nunca fui dada aos CTGs, aos bailes gaudérios, mas quando estamos longe dos pagos, só nos falta o vestido de prenda hehe é muita emoção ouvir as músicas que nossos pais ouvem, a família curte e que parece trazer consigo um pedacinho da nossa terra. Afff já q alago o teclado aqui rsrsr (não estou dizendo... este seu blog rsrsr)
Adorei o post, adorei o glossário gauchesco, você é encantadora!!
Baciones bella amica!!!
Tudo anônimo, pq a minha conta do Google resolveu me boicotar rsrsrs
Rose Mazza