Ciao, Roma.

Tenho o coração transbordado de sentimentos.

50% dele é tristeza. É a saudade que, embora nem tenha partido ainda (nosso vôo só sai as 23hs), já lateja insistentemente aqui dentro. É saudade gigante. Saudade das pessoas: esses 3 anos de convivência com a família do meu amore só veio a reforçar o quanto  é importante ter alguém por perto. Fecho os olhos e relembro os sorrisos que meu Pequeno deu junto aos primos, as bagunças que fizeram juntos e que tantas vezes deixaram a nonna com os cabelos mais brancos ainda. Aliás, a nonna ... que saudade gigante que eu vou sentir dela. E só em escrever isto meus olhos já transbordam de lágrimas. Ela do jeito dela, eu do meu jeito. Mas sinto um carinho tão grande, por todas as vezes em que ela me acolheu, me deu carinho (da sua maneira), me fez companhia, me ensinou, "aprendeu" comigo também, das histórias que ela me contou, das mesmas histórias que ela repetia, da ligação antecipada que ela sempre fazia pra me dar "parabéns". Sempre me senti EM CASA, na casa dela. Sempre me senti bem, querida e respeitada. Sinto muito a fama "maldosa" que as sogras tem, mas eu adoro a minha e se hoje o coração bate triste, é por causa dela.

Vou sentir saudade da cidade. Não que eu tenha "esquecido" o quão caótica e estressante é Roma. Ela continua igual. Mas Roma è bella! Justiça seja feita! É um museu ao céu aberto. É cultura. Vou sentir saudades de ir a Piazza del Popolo buscar o Papai e, depois do trabalho, passearmos por Via del Corso, passear pelo Pantheon, girar pelas ruas pequeninas e menos movimentadas,  ir jantar em Trastevere e depois seguir o caminho de volta pra casa.

Vou sentir saudades da comida: da boa pasta, da boa pizza, do bom caffè. Do bom gelato. Dos chocolates. Do tiramisù. Do limoncello. Da minestra da minha sogra.

Carrego também o peso de estar tirando meu Pequeno do seu habitat: da casa em que ele estava acostumado a viver, da escola, dos coleguinhas, da profe, da piscina. Espero que toda esta mudança radical não influencie negativamente. Sei que ele é pequeno, que na idade em que ele está todo esse processo gigantesco de adaptação (novo lugar, nova cultura, novo estilo de vida, nova língua) vai ser muito mais fácil pra ele. Esses pequeninos são como esponjas que absorvem tudo com uma facilidade tremenda.

Hoje ele acordou e com um olhinho brilhante e feliz perguntou se "era hoje o dia de ir pro Rio". E, com a resposta afirmativa, esboçou um sorriso.

Mas, 50% do meu coração transborda de felicidade. Estar mais perto da minha família é um sonho sendo realizado. Ter meus pais a tão somente 2 horinhas de vôo (e não mais um oceano nos separando) é um presente divino. Tiro das minhas costas um sentimento de culpa gigante por estar tão longe deles, vê-los somente 1 vez ao ano, não compartilhar com eles os bons momentos mas, sobretudo, não estar perto pra ser um apoio nos momentos mais difíceis. Minha família é "gigante", como costumo dizer. E gigante é meu amor por cada um deles.

Sei que não nos veremos diariamente, mas o fato de ter entre nós uma distância mais curta, onde posso, se preciso, encontrá-los até mesmo de ônibus e carro, alivia meu coração.

Tenho certeza de que será uma mudança que nos recompensará somente com coisas boas, para os 3. Teremos, ambos, nossa nova fase de adaptação, cada um a seu ritmo e sua maneira. Mas eu estarei na minha terra, com pessoas que falam a minha língua, pessoas simpáticas e, nos momentos de estress, tenho certeza, não vou hesitar em dizer um "puta que pariu!" e ficar bem aliviada. Já me sinto mais "livre e leve" (solta não, afinal, sou mulher de família ...rs).

Vai ser uma experiência maravilhosa pro meu amore. Ele, que adora novas aventuras, já está prontinho e ansioso pra começar a nova etapa.

E eu vou amar escutar meu Pequeno falando um carioquêxxxxxx maneiro! Já até vejo ele daqui alguns anos, nos nossos momentos de discussões, me dizendo:

- "Caraca, mamãe! Você é sinixxxxtra! Me deixa em paxxxxx!"

E então ...

... começa uma nova etapa da nossa vidinha ...

...  com a companhia constante da danada da saudade.

3 comentários:

  1. Saudade... sentimento presente em poesia, música e que descreve sentimentos de perda, amor, DISTÂNCIA (o caso de vocês).
    "A saudade quando não cabe no coração transborda nos olhos".
    Com certeza o Pequeno vai sentir com a mudança de espaço familiar, escolar, rotina... mas vai tirar de letra se adaptar mais fácil que papai e mamãe.
    Que maravilha...apenas 2 horinhas de vôo que nos separam a partir de março/2012.
    Excelente nova etapa de vidinha...
    Beijão.

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  2. QUe lindo Tati, me fez chorar. Que sua vida no Rio continue sempre linda como foi em Roma. Espero um dia te conhecer pessoalmente.
    Beijos bella

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  3. TAti, e agora que notìcias do Rio! escreve logo! bjs (e fotos tb!)

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