Capri.

Capri esteve nos nossos planos enquanto ainda morávamos na Itália. Estivemos a ponto de ir visitá-la quando recebemos a visita do meu tio e minha tia, em Roma. Mas  nem me lembro direito por qual motivo, acabamos não indo.

Desta vez não estava nos nossos planos ir pra lá. A idéia surgiu quando estávamos já em Capistrello.


O marido, expert em logística, organizou tudo. Em poucas horas tínhamos passagem de trem comprada, horários dos barcos de Napoli para Capri, hotel reservado, sabia onde pegar funicular, ônibus, mapa, etc.

Assim que, numa manhã de quarta-feira, mais precisamente as 6:30h da mattina, já estávamos tomando café da manhã no hotel em Roma. Pegamos o ônibus que nos levava pra Termini (estação de trem de Roma) e as 7:30h estávamos dentro do trem pra Napoli. Existe vários tipos de trem (veloz, mais rápido, menos rápido, com muvuca, etc). Nós pegamos o rápido, em uma hora estávamos em Napoli.

Da estação central de Napoli pegamos um ônibus (o trajeto poderia ser feito caminhando) que nos levou até o porto, de onde saem os barcos. Não esperamos muito e, logo estávamos sentadinhos, de caminho a Capri.

Estava super cansada e acabei tirando um cochilo sentada mesmo. Marido me acordou pra dar "oi" pra uma brasileira que estava por ali também (sim, eu vou dormir e ele fica batendo papo com brasileira perdida pelo barco ... Um fofo, ele!).

Uns 50 minutos depois, estávamos ancorando na Marina Grande, em Capri. A primeira impressão foi de: "legal!". Na verdade, continuava cansada, estava caindo de sono e ainda tínhamos que encontrar o hotel (fiquei traumatizada com a história de Roma - quem perdeu, está 2 post's mais abaixo).



Compramos bilhete pro funicular (uma espécie de bondinho que leva da parte baixa para a parte alta da ilha), trajeto super rapidinho.  Nosso hotel estava super bem localizado. E foi fácil encontrá-lo.

Capri é uma cidade cara. Os hotéis, então, cobram um absurdo. O hotel onde ficamos não era nada de outro mundo. Na verdade, era um hotel metido dentro da casa de alguém. Explico: os quartos eram como de hotéis. Quando vi o panorama, achei que nem teríamos banheiro no quarto (eu topo qualquer coisa, mas dividir banheiro com outras pessoas que nem sei quem são, não gosto muito não). Nosso quarto era arrumadinho (com banheiro no quarto - ufa!), TV, frigobar, ar condicionado ... e uma vista muito bonita. A recepção do hotel era também a sala de estar dos donos do hotel: havia uma estante com fotos particular, decorações e um trabalho de final de curso (do curso de  Economia) exposto na parte central da estante. O café da manhã era servido ali mesmo. E a mesa onde o filho do dono do hotel esticava os pés enquanto navegava pela internet, era a mesma mesa onde alguém tomaria café (por via das dúvidas, na manhã seguinte, fui correndo sentar numa mesinha pequenina, no canto da sala). À noite, quando voltamos do passeio, o menino estava atiradão no sofá da recepção-sala, com cara de sono, vendo TV. Quando passamos pelo corredor, havia uma senhora (que seria a esposa, ou mãe do dono do hotel), atiradona na cama, com as pernas bem abertas,  vendo TV, com a porta do quarto escancarada. Eu fiquei com vergonha por ter olhado. Ela, ao contrário, gritou da cama: "boa noite!". Eu respondi de volta, e não contive o riso. Era cômico o negócio.

Bem, voltando a nossa chegada. Largamos as coisas no hotel e enquanto o marido tomava um banho, não resisti e caí num sono profundo. Dormi uma única horinha, mas que foi fundamental pra recuperar energias pro resto do dia.

Descemos com o funicular novamente e no meio do caminho decidimos o que iriamos fazer naquele dia. Optamos por fazer um passeio de barco e visitar a Grotta Azzurra (Gruta Azul).

Tenho que ressaltar que Capri é repleta de turistas (como era de se esperar!). Muita gente, mas não chega a ser tumultuado demais. Ou, talvez, um tumulto organizado, se é que se pode dizer assim. Existem filas, existe espera, mas nada exagerado.



Quando o barco saiu do porto (Marina Grande), daquele tumulto de pessoas e de vários barcos saindo pra passeios diferentes, e começou a circundar a ilha, surgiu a magia e encanto do lugar.



Já visitei alguns lugares, já fiquei feliz em muitos deles (nunca na minha vida imaginei nem mesmo conhecê-los), mas emoção como a que senti em Capri, jamais senti igual. Me emocionei na primeira vez que fui a Veneza, no primeiro encontro com a Piazza San Marco. Me emocionei no Arco do Triunfo, em Paris, vendo a Torre Eiffel toda iluminada. Me emocionei ao ver as Pirâmides, no Egito. Mas em Capri os pelos arrepiaram  e chorei de emoção.

Pode parecer bobagem, pode parecer exagero. Na verdade eu nem sei explicar direito. Mas a cada gruta que visitávamos, a cada paisagem que grudava na retina, aquela cor azul linda da água, o contraste das rochas com o mar, a lembrança de que aquele era um sonho por realizar para meus tios, me emocionou. Por primeira vez na vida respirei fundo, fechei os olhos, enchi o pulmão com aquele ar e dei graças aos céus por estar ali. Tentei segurar as lágrimas, mas não deu. Por sorte, o óculos  ajudou a disfarçar. Mas nem teria problema, pois o resto do povo que também estava no barco estava tão deslumbrado com a paisagem quanto eu.


Tentei tirar todas as fotos possíveis, consegui gravar alguns rápidos vídeos, precisava compartilhar aquele momento, sobretudo com minha família. Em alguns vídeos saio dizendo a mesma (e única) palavra: "Bello!"


O passeio de barco dá a volta em toda a ilha. Estrategicamente começa pelo lado oposto da Gruta Azul. Saímos da Marina Grande e passamos pela Grotta Bianca, pelo Arco Naturale, Vila Malaparte, passamos pelos Faraglioni, pela Marina Piccola, pela Grotta Verde, pelo Faro Di Punta Carena, passamos por algumas calas, até que chegamos na famosa Grotta Azzurra.



Finalmente chegamos no momento tão esperado (pelo menos pra mim). Então, o "capitão" do barco (lancha)  diz:

- "Aqui é a Gruta Azul. Como vocês podem ver, a maré está alta. E, como vocês podem ver, também, tem muita gente esperando pra entrar. É meio caro pra entrar (€12.50/pessoa), são só cinco minutos lá dentro. Dá quase uma hora de espera na fila pra entrar, pra ficar 5 minutinhos lá dentro. Alguém vai querer entrar?"

Depois dessa negatividade total, óbvio que ninguém disse "piu". Ninguém além de nós. Marido me olhou e, pra tristeza do Capitão-Negação, levantei meu dedinho. Ele ainda tentou uma última jogada:

- "Mais ninguém vai entrar ... "só" vocês querem entrar."

Olhei bem séria pra ele:



- "É, "só" nós VAMOS entrar."

Logo, um outro "ousado" levantou o dedinho também.

Momento tenso n°1: tínhamos que saltar do nosso barco para um barquinho pequeníssimo a remo (a única dimensão que entra na gruta). Parece exagero, né? Mas a maré estava alta e revoltosa demais ... e a criatura aqui não sabe nadar nem cachorrinho. Mas não fiz feio e logo já estávamos os 3 (eu, marido e o outro "ousado" que abandonou a mulher no barco e veio conosco) e mais o senhor remador do barquinho. A princípio teríamos que ficar numa fila, lembra? O Capitão-Negação havia dito. Mas, como estávamos na Itália, posso dizer que as filas não funcionam, nem mesmo em alto mar. Fomos "furando a fila", compramos bilhetes de entrada (existe uma bilheteria-barco para os que, como nós, chegam via mar) e nuns 5 minutos depois de trocar de barco, já estávamos prontos pra entrar na gruta.


Momento tenso n°2: O senhor remador, grita:
- "Deita pra trás, totalmente pra trás, deita!"

Não entendi da missa à metade, mas como não sou boba, obedeci direitinho. Quando me dei por conta, já havíamos entrado na Gruta.

Levantei (estava deitada no barco, lembra?), e parecia um sonho estar ali dentro.

O reflexo na água da luz que entra pela Gruta é algo incrível. Valeu bater o pé com o Capitão-Negação, valeu os €12.50/pessoa, valeu toda a tensão. É beleza e magia total! Mas numa coisa o Capitão-Negação tinha razão: não ficamos nem 5 minutinhos lá dentro. Os barquinhos entram em ordem, e tem tempo estabelecido. As filas (tanto pra quem chega pelo mar, quanto pra quem chega por terra) é realmente grande. E todo mundo tem direito de visitar a Gruta. Mas dá vontade de ficar mais tempo lá dentro, paradinha, admirando a paisagem e escutando as cantorias dos remadores.

Momento tenso n°3: sair da gruta. Maré alta e mar revoltoso. As ondas quase que tocavam no "teto" da entrada da gruta. Da a sensação de que não vamos conseguir sair. De que o barquinho vai bater ou, no mínimo, bateremos a cabeça na rocha.
- "Deita totalmente pra trás, rápido!". Dessa vez já tinha experiência ... até me aventurei a registrar o momento com um vídeo.



Mas os remadores são feras!!! Estão perfeitamente adaptados ao ritmo das ondas do mar e sabem exatamente o momento de sair.

Momento tenso n°4: subir de volta pro barco grande. Como eramos somente 3 a querer visitar a Gruta, nosso Capitão-Negação nos deixou ali para voltarmos com um outro barco. Saltar "pra baixo" (de um barco grande pra um pequeno) é fácil. O problema é na volta, ter que "saltar pra cima" (do pequeno para o grande). Mas, sem problemas, novamente não fiz feio.
Quando sentamos de volta no barco, fui perceber que tremia. Não sei se era de medo, de tensão, de emoção. Sei que foi adrenalina pura.
No trajeto de retorno ao porto não fiz fotos. Fiquei refletindo, absorvendo as informações, sensações e curtindo o final do passeio.



Retornamos para o hotel, pra descansar. Aquele único passeio valeu pelo dia inteiro.
À noite, saímos pela centrinho de Capri. Jantamos num restaurante muito bom (a comida estava uma delícia!). Capri tem muitos contrastes. A beleza natural exuberante contrasta com o comércio local: muitas lojas chiquetosas e caras. Rola muito turismo de gente com muito $$$money$$$.




No dia seguinte, acordamos relativamente cedo, tomamos café da manhã (na mesinha sem resíduos de pés), deixamos as mochilas no hotel e saímos para nosso segundo e último dia de turismo por Capri. Nossa meta: o Monte Solaro. Fica em Anacapri (a segunda cidadezinha) e é a parte mais alta da ilha. Se chega lá com a Seggiovia ( uma espécie de teleférico, que na verdade são cadeiras - pra uma só pessoa) sem muita segurança (uma travezinha "meia-boca" e pronto). Não queria aventura? Então não reclama.

Infelizmente havia algumas nuvens. Não deu para apreciarmos toda a panorâmica da ilha, mas já valeu a pena o passeio.





Havíamos comprado somente bilhete de ida, assim que a volta fizemos a pé. Por dica de uma senhora que trabalhava no bar onde paramos, descobrimos que no meio da trilha, existia um caminho que levava até uma igreja, "escondida" no meio da montanha. Fomos até lá e, a verdade, valeu a pena. No meio do caminho também encontramos a casa do escritor Mackenzie.





Alguns bons minutos depois, cansados e suados havíamos chegado ao nosso ponto de partida. Pegamos o ônibus (outra aventura: as ruas são super estreitas e, às vezes, víamos somente um abismo ao lado ... mas o visual era de impressionar!). Passamos no hotel, pegamos as mochilas e descemos.

Antes de pegarmos o barco de volta pra Napoli, ainda deu tempo de nos refrescarmos com um banho rápido na praia. Bendito foi aquele banho! A parte de refrescar, deu uma super animada.

Fiquei impressionada com Capri. Não gostei do consumismo, dos preços absurdos, daquela gente esnobe, de nariz empinado, das periguetes de luxo que encontramos por lá, havia um bando de fotógrafos (ou paparazzi's) pelas ruas, esperando algum famoso que aparecesse por lá. Mas como esse não foi o intuito do nosso passeio, me emocionei com a paisagem, com o quão maravilhosa é a natureza. E mesmo o homem tendo deturpado um pouco, com mansões enormes no meio das montanhas, milhares de barcos caríssimos espalhados por todos os lados, impressiona o contraste das rochas com o mar, impressiona a cor azul, as vezes verde, daquela água limpa, linda e refrescante, as grutas maravilhosas. É uma beleza imponente, que simplesmente reafirma o quão insignificante nós homens somos diante da mãe natureza.

Fiquei com vontade de quero mais. Preciso voltar a Capri. Essa sensação de "sentir na pele" a emoção vai ficar pra sempre, assim como pra sempre ficarão grudadas na retina as paisagens que jamais imaginei ver.


"Capri è sacra. L'obiettivo non è vederla, ma avvertirvi una certa
qualità di emozione..." (Jean-Paul Sartre).


5 comentários:

  1. Minha querida....muito lindo mesmo, e tu nos passa toda a emoção do passeio.
    E parabéns para o Nicolinha pelo boletim.
    Um grande beijo!

    Da tia Eliane.

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  2. Muito, muito obrigada por esse vídeo!!! Linda Capri, linda descrição! Com certeza irei lá um dia!
    Beijo...

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  3. Oi Tati, desculpa a ausencia. Menina que passeio lindo, eu vou sempre em Napoles e nunca vou a Capri. Nessas ferias tinha ate ido ao porto de Napoli, mas quando vi o mundo de gente indo pra Capri desisti.La è sempre cheio, mas agosto è impossivel e caro demais! Da proxima, irei visitar. Bjs

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  4. Que coisa mais lindaaaaaaa!!!!
    Tatiiiiiiiiiii estou precisando URGENTE tirar um dia só para ver teu Blog. Que encantooo!!!!
    Deus siga lhe abençoando!! Muitos passeios com seus Nicolas para nos brindar com estas preciosidades!!

    Grande beijo
    Tudo de bom para você e seus Nicolas!!!

    Rose Mazza

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