Ataque Histérico.

Todos sabemos que desde que nascemos passamos por "fases críticas" em nossas vidas. Não me refiro aos problemas da vida, neuras, crises de identidade, de existência,  etc. Me refiro as famosas fases de transição: o momento em que nascemos (o parto), os 6 meses, a crise dos dois anos de idade, os 12, 18, crise dos 30, 40, 50, etc.

Seria injusta se falasse que Pequeno tenha dado trabalho até agora. Normalmente ele é um menino doce, sociável, simpático, espontâneo, comportado e obediente (embora não goste muito de usar essa palavra -  obediente - me sinto um sargentão e ele o soldadinho que lhe resta apenas dizer "sim, senhor!"). Embora, também, me considere uma mãe exigente, mandona e quase sem paciência. (e, por conta disso, muitas vezes já criei minhas neuras maternas - olha elas aí - mas muitas foram (são) as vezes em que Pequeno alivia minha alma, me dando elogios como:  "tu é uma mãe carinhosa", "tu é uma mãe nota 10", "tu é a melhor mãe do mundo" ou, a que mais amo, "tu é minha mãe preferida".)

Pois bem. Voltemos às crises da vida da gente.

Sempre li a respeito, vejo relato de mães, histórias de momentos complicados. Na infância, muitos destes momentos podem ser confundidos com manha, malcriação ou teimosia. Quem nunca presenciou, por exemplo, uma cena em um supermercado, loja ou qualquer outro lugar público com muita gente, onde uma criança, pelo motivo que fosse, se debatia, chorava e berrava? E a mãe (ou pai) ali com cara de circunstância ... Pois aprendi, sendo mãe (e lendo a respeito),  que muitos destes momentos foram ocasionados por esse períodos de transição. Me refiro a momentos pontuais. Quando a berreira e malcriação são contínuas, frequentes, repetitivas e deixam de ser um caso isolado e passam a ser um hábito, daí sim o problema é outro além do conflito interno.

Lembro de uma vez, num supermercado em Roma, Pequeno fez um escândalo por conta de um chocolate. Foi dessas cenas típicas de filme de terror: supermercado lotado, criança berrando, gritando, se esgoelando, chutando, chorando, roxa quase explodindo e uma mãe e um pai (no caso eu e o marido) querendo desaparecer naquele mesmo instante. Primeiro foi por vergonha, por lembrar de todas as vezes em que presenciei uma situação igual e me resumi a simplesmente olhar feio pros pais e pensar "que criança mal criada". Daquela vez estava inserida na história, fazendo parte do filme. Naquele dia cheguei a sentir raiva: da situação, do Pequeno, das pessoas e, sobretudo, de mim. Não me senti capaz de controlar a situação, impotência total.

Felizmente aquela cena nunca mais se repetiu. E sabendo que ela não era comum, algum tempo depois li a respeito e descobri que era um momento de transição para ele (a chamada crise dos 2 anos).

Nunca mais (felizmente!) passei por uma situação assim (Pronto! Bati 3 vezes na madeira!). Bom, até ontem.

Pequeno pediu para o Papai montar uma pista de um carrinho. Uma coisa aparentemente simples. Porém, segundo Pequeno, o marido inverteu os lados da pista e ... pronto! Foi suficiente. Terceira guerra mundial em plena sala da minha casa!

Pra resumir, Pequeno ficou aos prantos, berrando de quase ficar sem voz: "eu não quero mais essa família! Vou me embora dessa casa". Marido ficou sem entender nada ... e eu muito menos. Quando me dei por conta, Pequeno estava berrando no corredor, indo em direção ao elevador:

- "Eu quero outra família!"

- "Aonde tu vai menino? Ao menos bota o chinelo ..."

- "Vou me embora pra Osório! Vou pro meu vô, pro tio Beto, pro tio Renato, pro Murilo, pra tia Zanza. Alguém vai me querer ..."

Numa situação normal de manha e pirraça o teria pego pelo braço e o teria levado para o quarto. E dali sairia somente depois de boas horas de reflexão. Teria. Mas logo percebi que algo além estava passando por aquela cabecinha.

O peguei no colo e o levei para meu quarto. Por alguns minutos ele ficou chorando, as vezes me olhava com raiva e seguia dizendo que queria outra família. Argumentei por outros tantos minutos que eu não tive nada que ver com a história e que, ao contrário dele, eu sim gostava da minha família e queria e amava aquele filho.

Me espantei pela maneira como ele reagiu, pelos olhares de raiva e pelas coisas que dizia. Me preocupei pelo fato de ele  não se sentir querido ... "alguém vai me querer" partiu meu coração.

Logo ontem que foi um dia bem legal, ele aprendeu a andar de bicicleta sem as rodinhas (no próximo post tem vídeo deste grande momento). Aparentemente não havia motivo para atuar assim.

Muitas vezes me vejo refletida no Pequeno. Lembro muito de mim. Ele tem muito em comum comigo ... e uma das coisas, infelizmente, é o geniozinho difícil.

Logo ele me explicou o que aconteceu e disse que nem ele mesmo entendia o motivo de tanto choro. Percebi que ele também se surpreendeu com minha atitude, talvez nunca em sua vidinha de 6 anos, tenha me visto tão paciente e calma.

E lá fui eu pra internet pesquisar, novamente, coisinhas sobre a psicologia infantil. Espero que a próxima crise seja somente a dos 30 ...

Um comentário:

  1. O importante é manter a calma, sempre.

    As vezes me sinto tão perdida... :(
    Lalá deu pra ter crises de bater na mãe e no pai, não é sempre, mas quando ataca eu vejo a raiva nos olhinhos dela. Tento acalmar-la e as vezes parece impossível. Confesso que um dia desses entrei no banheiro e chorei até não querer mais, me senti impotente.

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