Saí do banho. Cheguei na sala e vi que Pequeno e o papai estavam conversando, um "papo cabeça", mais ou menos clube do bolinha, onde Pequeno estava relatando para o papai "toda" a sua vidinha amorosa. Sabe aquelas situações em que a gente chega em algum lugar e o povo para de conversar? Aquela situação quase constrangedora onde dá vontade de dizer: 'faz de conta que sou invisível e segue a conversa, por favor'? Pois é.
O marido explicou o tema da conversa, Pequeno ficou meio encabulado e eu mais ou menos disse que ele poderia seguir a conversa na minha presença. Não teria problema algum, que adoraria saber de suas histórias. Logo, ele seguiu relatando suas "experiências sentimentais".
Não sou muito a favor de ficar incentivando essas historinhas de "namoricos". Vamos combinar que Pequeno tem 6 anos e é absolutamente cedo demais pra já entrar nesse clima de sentimentos. OK. Também sou consciente da inocência de uma criança desta idade. Eu sei que a malícia está na cabeça dos adultos. Gosto de cultivar sentimentos bons no meu Pequeno e o amor (em todas suas formas e medidas) é um desses sentimentos. Mas não acho graça quando ele vem com papinho de "namoro no colégio".
Mas, enfim ... coloquei a mãe neurótica e preocupada em querer explicar tudo de lado e me limitei a ficar deitada no sofá, prestando bem atenção nas suas historinhas.
Por vezes quis frear a conversa, mas optei por deixá-lo o mais a vontade possível e ser mera ouvinte. Enquanto ele falava, explicava tudinho cheio de gestos e com os olhinhos brilhantes, agradeci por aquele momento e desejei, no mais profundo da minha alma, que ele siga confiando em nós (em seu pai e sua mãe) para conversar sobre temas mais "sérios" no decorrer de sua vidinha.
Pensei em quantas coisas deixei de conversar ou contar para meus pais. Curiosidades e/ou bobagens de cada etapa da minha vida que não me senti a vontade de compartilhar com eles. Sei que os pais não sabem de tudo o tempo todo, mas vou me esforçar para, sem preconceito e nem divergência de opinião, tentar participar ao máximo da vida do meu filho e fazê-lo sentir que em mim, além daquela que o pariu, terá uma confidente e uma amiga.
Ele começou a contar a história dos "namoricos" desde o ano passado, quando ele começou na escola. O primeiro "amor" foi porque ele achou a menina bonitinha porque ela era branquinha demais. Algum tempo depois, ela acabou com a vida dele (palavras do Pequeno) e ele partiu pra outra.
A segunda não durou muito tempo, mas chegaram a "casar" com um anel que fizeram de um balão estourado. Ela botou o "anel" nele, mas logo deixaram de se gostar. Ele disse: "Não dá mais! Melhor a gente terminar aqui" (palavras textuais de Pequeno - quase enfartei!). Ela trocou de escola e se esqueceram. Sem grandes traumas.
No início do ano, teve a terceira. Mas daí, de repente, o cupido veio e atirou uma flecha certeira no coraçãozinho do meu Pequeno (palavras textuais dele) e ele simplesmente caiu apaixonado por uma outra coleguinha.
Ele não resistiu. Acha a menina linda ("Mãe, ela é linda!", repetiu por várias vezes), dança bem (adora a Anitta - deusulivre!!!), é simpática e sorridente. Brigaram uma primeira vez: Pequeno ficou com ciúmes que ela conversou com um outro colega e "terminou o relacionamento" (palavras textuais de Pequeno - nessas alturas eu já nem respirava mais). Logo ele tentou reatar, mas ela estava ofendida e toda vez que ele procurava sentar perto dela, ela saía e trocava de mesa na escola.
Mas um dia cedeu (quem resiste aos encantos do Pequeno?) e voltaram. Só que, algum tempo depois, brigaram novamente. Desta vez por ciúmes da parte dela: ficou braba que Pequeno tinha uma super amiga. Passou algum tempo e foi a vez dela tentar a reconciliação.
- "Daí, mãe, era ela quem vinha querer sentar comigo ... mas aí eu é que trocava de mesa."
Rancoroso meu menino! Mas não aguentou muito ... e cedeu (homens, ...).
E voltaram. E seguem "namorando".
Por várias vezes tentei saber o que era pra ele o significado de "namorar" ... ele mais ou menos explicou que é sentar junto, brincar junto, dividir o lanche, achar a pessoa bonita, legal ...
- "Enfim, mãe. Essas coisas."
Resolvi não perguntar mais (nessas alturas já estava quase precisando de oxigênio ... pra quê mais?).
Só que ele seguiu:
- "Sabe, mãe, qualquer dia desses vou pegar meu violão e vou fazer uma música pra ela. E sabe como vai se chamar a música?"
- "Hum???"
- "Eu sei que vou te amar ... (pausa de dois segundos) ... pelo Jesus."
- "Jesus? Ixi! E o que ele tem a ver com isso?
- "Ué, mãe?! Jesus não dá amor?"
Como uma estúpida, tentando responder algo que nem eu mesma sei ainda, me limitei a responder um simples "é filho".
Que o Universo siga conspirando para que teu coraçãozinho seja sempre assim de lindo!
Pequenos crescem, é bom ir treinando.
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