Sábado de exposição.

Não sou nenhuma expert em artes. Talvez pelo fato de não ter o dom nem do desenho, nem da pintura, nem da música, nem de nada, tenho uma certa dificuldade em me identificar com algo que venha dela (a arte). Não é fácil que me impacte com uma tela famosa, por exemplo. Felizmente já tive a sorte de conhecer algumas pessoalmente. Fui, vi, visitei, olhei, analisei e achei legal (algumas nem isso). Mas foi só. O meu Pequeno, por exemplo, tem muito mais sensibilidade para isso do que eu (digamos que ele "capte a mensagem" bem antes de mim).

Vi a famosa Gioconda - a Mona Lisa - por duas vezes. E, nas duas vezes - tapem os ouvidos os mais sensíveis - achei um saco. Um abuso! Aquele quadro pequenininho e quinhentas mil pessoas em volta, quase que sem respirar, extasiados, tentando descobrir em poucos minutos todos os enigmas que o da Vinci pintou ali (isso dizem). Tenha paciência! Pronto. Destapem os ouvidos :)

Não. Eu não tenho traumas e nem deixo passar a oportunidade de conhecer um museu legal. Não acho um passeio em algum museu um saco. Simplesmente não sou fã de muitas pinturas, esculturas, etc e nem faço o mínimo esforço analisando as obras. Se gostei, gostei. E se não gostei, vamos adiante que a cafeteria do museu deve de ser bem interessante. Desculpe! Esqueci de mandar tapar os ouvidos desta vez.

Pois bem. Há algum tempo atrás, num daqueles dias chatos que a gente não tem nada pra fazer a não ser ficar zapeando com o controle remoto da TV procurando algum programa interessante, acabei assistindo a um documentário sobre uma artista japonesa, chamada Yayoi Kusama. Não sei se pelo fato de a mulher ser meio pirada (consciente de sua doença mental, por vontade própria se internou em um hospital psiquiátrico e segue lá até hoje), mas o fato é que gamei absolutamente no trabalho dela. Até aquele dia não sabia da sua existência, muito menos conhecia as obras malucas e cheias de intenções da mulher, mas jurei que quando tivesse uma oportunidade, gostaria sim de visitar alguma exposição dela. Ver pessoalmente alguns dos trabalhos que me impactaram, seria o máximo.

O tempo passou e não ouvi mais nada a respeito da mulher. E esqueci. Guardei a vontade lá naquela caixinha de "desejos que quem sabe algum dia ...".

E um dia, visitando Madri (já morávamos na Itália por essa época), resolvemos fazer um passeio que - quando ainda habitávamos em solo espanhol - sempre havíamos deixado pra depois e, fomos embora e o depois não chegou: visitar o museu Reina Sofia. Chegando lá, dentre as várias exposições que estavam acontecendo, qual era a exposição principal? Sim, da japa. (falei sobre isso neste post aqui)

Adorei! E quando entrei na sala dos espelhos, arrepiei. Pois é ... a Kusama causou em mim uma emoção que nem o da Vinci  foi capaz. Nem Freud conseguiria explicar :)

O tempo passou ... realizei o sonho e, como muito, passei a lembrar da Yayoi sempre que via algo cheio de bolinhas.

Há alguns dias atrás, antes de irmos para o sul desta última vez, descobri que haveria uma exposição dela aqui no Rio de Janeiro. E sorri de felicidade! Pela segunda vez poderia apreciar as suas obras malucas. 

Assim que hoje, então, meio em contra da vontade do Pequeno, enquanto a maioria dos cariocas iam pra praia num dia lindo de sol (depois de uma semana bem fria, feia e chuvosa), nós 3 rumamos ao CCBB. Esperei um dia para ir com o marido porque sabia que em algumas instalações da exposição não era permitida a entrada de menores. No final, Pequeno só não pode entrar em uma das salas.






Ele novamente  adorou as bolinhas coloridas da instalação da sala dos espelhos, se divertiu com os adesivos fluorescentes de outra instalação. Até "decifrou" alguns quadros. E perguntou até cansar o "porque" de não ter entrado em uma das salas. Vai explicar que ele não pode entrar porque passava um filmezinho com gente pelada ... (e, sinceramente, não era nada de outro mundo).





Saí do Centro Cultural do Banco do Brasil feliz demais. Aproveitamos que estávamos perto para passear pelo Paço Imperial, fizemos um break para um cafezinho e Pequeno até arriscou tirar algumas fotos nossas. Achei o máximo que a desculpa que ele arrumou pra pegar a câmera e sair batendo fotos foi a seguinte:

- "Ow, mãe! Mas eu já sou um adolescente ... posso tirar fotos!" (???)

Não sei o que ele entende por adolescente, mas expliquei que para tornar-se um ainda precisava comer muito arroz com feijão (felizmente!).





Voltei pra casa feliz pra caramba ... e pensando: "Aonde será que encontrarei a Kusama da próxima vez?".

Um bom final de semana a todos! Repleto de bolinhas coloridas ...




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Vídeo da exposição no CCBB.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a artista, basta clicar aqui e aqui.

2 comentários:

  1. Todo grande artista é um pouco maluco. A Yakoi Kusama apenas tem consciência e é divertida.
    [Há muito tempo eu não lia a palavra "gamei"]

    :)

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    Respostas
    1. hehehe ... é que gamei nela mesmo :)
      Foi "gamação a primeira vista" :))

      Excluir

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