Mãe de Menino.

Sempre quis ser mãe de menino. Talvez porque sempre tenha sido meio moleca. Talvez porque inúmeras foram as vezes em que arranquei cabeças de bonecas para jogar bola. Talvez porque brigava na rua, era metida e "invocada". Talvez porque sempre preferi uma boa e velha bermuda jeans do que uma saia rodadinha. Talvez porque se me der a escolher entre um passeio no shopping com dinheiro no bolso ou assistir a um jogo do meu time ... eu fico com meu time.

Também tenho meu lado mulherzinha - ora bolas! Sou sensível, chorona, sentimental e romântica.

Mas, mantendo o foco da questão. Quando estava grávida, ainda nos meses iniciais, sem saber o sexo do neném, lembro que uma amiga ficou espantada quando me perguntou se preferia menino ou menina. Menino!!!! Respondi assim, bem exclamativo. Depois o subconsciente me cutucou para ser politicamente correta, teria que responder que o importante mesmo era o bebê nascer bem, que se fosse menino ou menina seria indiferente. Mas não era verdade. Lembro que argumentei com essa amiga que preferia menino porque meninas eram muito sensíveis, que não gostava nada do mundo cor-de-rosa, de princesas, florzinhas e toda essa história.

Bom, acabou que nasceu Pequeno: o menino mais sensível, sentimental, carinhoso, indefeso e bonzinho que conheço. A passividade dele, algumas vezes, me dá nos nervos. Na idade dele já tinha aprontado muito na escola, tinha brigado muito (sim, era bem malvadinha!), não tinha medo de ninguém (do meu pai e da minha mãe sim, mas eles nem ficavam sabendo da metade, da metade, da metade das histórias). Pequeno, por outro lado, é a bondade em pessoa e morre de medo dos meninos "malvadinhos" da escola.

Mas eu desejava ter um filho homem porque, também, na minha concepção, filhas são mais apegadas aos pais. Filhos mais apegados às mães. Quando eu era pequena morria de ciúmes do meu pai (ciúmes mesmo de chutar as canelas de alguma amiga engraçadinha que se dizia namorada dele, só pra me deixar nervosa - eu falei que era bem malvadinha!), cuidava com quem ele conversava na rua, pra depois contar pra minha mãe (sim! Além de malvada, fofoqueira ...). Num ápice de egoísmo total, queria um filho porque queria sentir como era o outro lado da moeda: alguém que zelasse por mim, que me cuidasse e - sim, vou ser sincera - sentisse ciúmes por mim também (não ao ponto de chutar as canelas das pessoas- a gente sempre quer que os filhos se pareçam conosco, mas numa versão mais evoluída!).

Então, Pequeno nasceu e eu esqueci dessa parte da história. Até poucos dias atrás. Quando fomos para o sul (comentado no post abaixo), pela primeira vez vi uma parte do meu filho que ainda não conhecia: o filho ciumento.

Dias antes do marido chegar, saí uma noite com minhas sobrinhas (todas bem crescidinhas, viu gente?! Todas adultas, maiores de idade e responsáveis por suas vidas - exceto Gigi, minha sobrinha neta postiça, mas que também está na idade de sair para "balada"). Era um projeto de saída em um barzinho legal da cidade, com música ao vivo. Acontece que isso foi justo no feriado de Corpus Christi. Feriado religioso em cidade pequena é igual à ruas e locais desertos. O barzinho não abriu. Acabamos ficando no único local que achamos aberto, basicamente, pra não perder a viagem.

Projeto falido, voltamos para casa mais cedo do que havíamos planejado. Cheguei em casa e Pequeno ainda estava acordado, junto com minha mãe, na sala da casa dela assistindo televisão.  Ela contou que a cada barulho ou carro que passasse na frente de casa, Pequeno espiava pelo vidro da porta, ansioso para que voltasse logo. Quando me viu, seus olhinhos brilharam, num alívio que deu pra sentir de longe.

- "Tu não vai mais sair, né? Vai ficar em casa agora, né?"

Judiaria! Nesse dia dormimos agarradinhos. Ele me olhou algumas vezes, sem dizer nada. Seu olhar transmitia sossego, paz, amor e cuidado.

Passou o tempo ... voltamos do sul e, dia desses, estava me preparando para levá-lo à escola. Passei hidratante no rosto e estava com o lápis em mãos, me preparando para contornar os olhos. Pequeno, que estava ao meu lado, preparadíssimo para sair, com a mochila nas costas, me diz:

- "Ai, mãe! Não precisa te maquiar ... tu é toda linda, sem maquiagem ... tu não precisa disso!"

Também em outro dia, ia deixar Pequeno na escola e, logo, almoçar com o marido. Fiquei com vontade de me arrumar melhor e busquei no armário uma saia que não usava há anos. 

- "Uau, mãe! Como tu tá linda com essa saia!"

E, seguiu:

- "Maquiagem? De novo? Já te falei que tu não precisa disso! Tu é a mãe mais linda de todo o Universo!"

Dizem que temos que ter muito cuidado com nossos pedidos ... porque eles acabam se realizando ...  felizmente! :)

3 comentários:

  1. Oi queridos!

    Sei bem o que é isto, pois até hoje tenho ciúmes da Duti...Hehehehehe.

    Beijos queridos.

    Renato Fraga
    OIM
    OMB

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    Respostas
    1. Com certeza ninguém tem dúvidas disso, Mimosinho da Mamãe :)
      Bjos em todos! Saudades!

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  2. Mas ele é muito fofinho, cavalheiro... Vai ser excelente marido. SE tivesse uma filha já ia até oferecer um dote.
    Que continue assim, companheiro, amoroso e cuidadoso com a mãe!

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