Estou em choque! E não, não é pelo tema político (que neste exato momento prefiro dar um tempo!); não é porque o futuro econômico do Brasil dá medo (também poderia ser por isso); nem porque a seleção, ontem, decepcionou mais uma vez. Também não é porque daqui a pouco farei 38 anos. E muito menos pelos preços absurdos dos ovos de Páscoa (que aqui em casa não vai ter).
Senta aí, amigo e amiga. Com calma, nos leia e reflita comigo.
Ontem a noite, por volta das 22hs tocou nosso interfone. Como o danado do interfone tem vida própria e funciona quando bem entende, não conseguimos saber o motivo da ligação. Não esperávamos visita, nem havíamos pedido nada por tele-entrega. Pequeno, muito prontamente, resolveu descer para ver com o porteiro o que seria.
Suspeitando da desculpa esfarrapada - até porque sabia que a desculpa era para voltar a ver os amigos no play do condomínio - digo:
- "Não demora, já estamos na hora do silêncio do condomínio e ela precisa ser respeitada."
Pequeno desce. Demora alguns minutos e, logo, retorna.
- "Quem era?"
- "Minhas amigas que estavam me chamando."
- "E o que elas queriam?"
- "Não entendi direito, queriam conversar."
- "Conversar o que a essa hora?"
- "Não sei, mãe."
Passam-se alguns segundos e ele diz:
- "Na verdade, não entendi direito. A 'Mariazinha' (nome fictício) me chamou pra conversar, disse que queria falar de um assunto privado comigo."
- "Ahn?" [choquei!]
- "É."
- "Quantos anos ela tem?"
- "Não sei se 7 ... 8 ..."
- "E que assunto privado era esse, Nicola?"
- "Não sei, mãe. Quando ela falou isso eu desconversei, disse que tinha que subir, pois já estávamos na hora do silêncio no condomínio. Daí ela me acompanhou até aqui perto do nosso apartamento e eu vim pra casa."
Gente! Vocês pensam que acabou? Nada. Fica aí sentado que vem mais história.
Hoje pela manhã, por volta das 9 horas, toca o intefone novamente. Marido atende, mas o interfone segue com problema. Logo, vai para o banheiro.
Eu seguia dormindo, na verdade, curtindo aquele momento preguicinha pós sono. De repente, toca a campainha. Aqueles dois segundos que a gente pensa: "saco, estou com rosto inchado, descabelada e em pijama". Mas, tudo bem ... corro para abrir a porta. Então, uma criaturinha pequenina, vestida cuidadosamente, sapatos limpinhos e cabelos delicadamente penteados, com um sorriso simpático no rosto, me diz:
- "Oi! Aqui mora uma criança?"
- "Sim. O Nicola."
- "Ele está aí?"
- "Está, mas está dormindo."
- "Dormindo? A essa hora? Mas ele combinou comigo, de me encontrar lá embaixo."
Nisso, percebo que no cantinho do corredor havia outro ser pequenino, igualmente vestida com um vestidinho florido, sapatos limpinhos e cabelos bem escovados. Porém, notava algo de vergonha. Tentava se esconder, mas não conseguia. Então, vendo a indignação e desapontamento da mocinha que estava na minha porta, digo:
- "Bom, então irei acordá-lo e após tomar café ele desce, tá?"
Com um sorriso, ela responde:
- "Tá bom, a gente tá esperando por ele lá embaixo."
Fecho a porta e não contenho o riso. Vou para o quarto e digo:
- "Ow Don Juan! Bom dia! Acorda!"
Ele meio que resmunga. Então, sigo:
- "Escuta! Tu combinou de encontrar com tua amiga lá no play, mas está atrasado. Ela veio aqui na porta te chamar."
Nem precisei seguir. Num pulo levantou da cama e com olhinhos inchados, disse:
- "Sério?"
- "Sério."
Ele sorriu.
Disse que havia combinado com ela às 11h. Talvez ela tenha se equivocado e, tamanha ansiedade, pensou que fosse 9h. E pela beca da criatura, deve de ter acordado umas 7h, para dar tempo de se vestir bem, colocar brincos, batom, pentear os cabelos e contar com a ajuda da amiga.
Pequeno? Levantou feliz da vida, foi tomar banho, escolheu a melhor roupa, tomou café, escovou os dentes (acho que até perfume passou), pegou um livro e desceu para encontrar com as amigas.
E eu? Estou aqui, tentando me recuperar do choque, ainda sendo reanimada.
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