Saudade de gosto.

No outro dia, meu Pequeno e meu marido me deram a idéia para o post de hoje. Indiretamente, fizeram com que surgisse o tema pra tal da saudade de(do) gosto.

Eles foram ao supermercado e voltaram pra casa felizes da vida trazendo dentro da sacola um ovo de Páscoa. 

- "Ovo de Páscoa??? Mas ainda nem é Páscoa???"

 E antes que eu começasse meu discurso de chata, puxando a orelha do marido porque, supostamente, estaria sucumbindo as manhas e desejos do filho (porque na minha cabeça já havia até visto a cena do menino torrando a paciência do pai no mercado e pedindo o ovo), o marido esclareceu que foi idéia dos dois trazer o ovo pra casa. Simplesmente quando viram que o produto era italiano, aquela veia que liga o coração com o estômago (metáfora inventada agorinha mesmo) latejou incontrolavelmente.

Achei interessantíssimo ver o marido no outro lado da história.

Me explico: morei fora por 10 anos. Nunca me acostumei com a saudade. E as que mais doíam eram saudades das pessoas e, logo, saudade dos gostos e cheiros. Exatamente nesta ordem. Lembrei da felicidade extrema ao descobrir que nas bandas de lá vendiam guaraná. Olha que nem era tão fã assim de guaraná quando morava no Brasil. Mas a nostalgia me transformou. E toda vez que ia ao supermercado, voltava feliz com alguns litros da guaraná pra casa, que eram quase tratados como membro da família.

Quando no mesmo supermercado descobri que havia picanha brasileira, quase tive um colapso. O preço era salgado e o pedaço era pequeno. Mas era suficiente pra enganar o estômago e, enquanto degustava a carne em minha casa, lembrava de todos os churrascos deliciosos que deixei no Brasil.

Cerveja Brahma? Nunca gostei. Mas quando encontrei por lá, também, fizemos festa.

saudades passadas


Havaianas, brigadeiro, erva-mate, feijão, arroz, farofa. Até os bolos de aniversário não tinham o mesmo gosto. Sim, ficamos gastronomicamente chatos quando moramos fora. Passamos por diversas fases, que vai de um extremo a outro. Até que chega o momento em que nos acostumamos com os paladares atuais e pronto. 

Marido está na fase de reclamações: o café não é bom, a pizza não é boa, a pasta é asquerosa e por aí vai.

Neste momento é quando se chega no estágio da histeria ao encontrar um produto da terra perdido pelas bandas de cá.

Por sorte, num supermercado próximo a casa vendem produtos made in Italy: queijos, vinhos, massas, café, chocolates, sucos, etc. O único problema é o pre$$o (eu sei que é com "ç", mas quis fazer gracinha!). Mas nesta etapa também existem fases: a de aguante total ("meu desejo não vale esse absurdo, esse produto lá é a metade do preço", vamos embora e não pensamos mais no assunto); e a de desespero total ("foda-se o preço!" e pega vários itens do produto pra fazer estoque em casa).

saudades momentaneamente supridas


Tenho que reconhecer que até eu fico eufórica quando vejo produtos de lá por aqui. Afinal, também sinto saudades dos cheiros e gostos de lá.

Não é a pasta  ou tiramisù della nonna, nem a buona pizza napoletana, muito menos o espresso corto, nem o melhor cappuccino, nem la più buona cioccolata... mas, enquanto a globalização permitir, a gente vai enganando o estômago e engolindo um pouco da saudade.

saudades atuais

2 comentários:

  1. Nao tem o pequeno no post(ops tem sim, la no comeco chegando com o ovo da pascoa) ok...ato falho.
    O fato é que você descreveu muito de nós que moramos fora dai, eu fui estranhamente um saco bizarro de uma anomalia coportamental rara(tb inventei agora hihihi) mas no primeiro ano, nao senti nada, nada, nada mesmo de saudade de comida, nem de cheiro e acredite nem de pessoas, eujá morava longe da minha familia seis anos, e foi como se eu nem tivesse saido do lugar no sentido distancia, teve o desespero pelo novo, sabores, cheiros e pessoas, nessa ordem também, e nao sei como nem por que, um dia eu acordei com saudade do cheiro do mar...com saudade do gosto das frutas, e saudade maior ainda dos meus.
    Como se eu descobrisse naquela manha que eu estava mesmo longe, mais do que eu penso que estou, e de la pra cá eu sinto cheiro de caju nas coisas, choro quando vejo a novela, e gravo quando falo com minha mae pra eu ouvi depois mais umas mil vez a voz dela, por que a vida aqui é otima, e tudo que se procura se compra nas lojas de estrageiros com precos salgados(quase tudo) mas la nao tem amor de amigos, familiares e tudo mais pra vender, que pena.....pois é isso que me faz mais falta. bjao

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  2. Wilqui!
    A verdade é que minha saudade de gosto tb demorou um pouquinho pra aparecer. Acho q porque, no início, é tudo novo, diferente, alimenta o estômago, olhos e alma :) Mas acho q pouco a pouco a necessidade de identificar algo nosso surge (o que não significa que não tenhamos quase a obrigação de conhecer o novo daí - e me refiro a tudo).
    Junta um pouco daqui, um pouco de lá, um pouco daí e, no final, a gente só sai ganhando :D
    Bjokas!
    P.S.: Pequeno hoje foi ator coadjuvante :)

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