Caro leitor, cara leitora! Hoje quero dividir com você, amigo, amiga, que dedica parte do seu tempo em nos visitar virtualmente. Você que divide seu tempo conosco, enquanto nós compartilhamos com você um pouco de nossa vida. Caro amigo, cara amiga ... senta aí, que hoje preciso desabafar sério com você.
Estou sentindo vergonha. Mas vergonha mesmo, daquelas de deixar o rosto meio desajeitado, o olhar tentando um disfarce. Vergonha de deixar as bochechas vermelhas, aquele rubor de queimar os pômulos. De abaixar a cabeça e rezar aquele mantra mental de "terra, me engole, por favor!". Gente, que vergonha!
Estava levando meu Pequeno para a escola. Como sempre, ele é cheio de assunto e já sai de casa tagarelando ... e assim segue até o destino final (logo, deixa de tagarelar comigo e segue o papo com os colegas).
Pois bem. Não lembro direito qual era o tema do assunto. Talvez nada muito importante, já que ele resolveu mudar o tema de conversa. E perguntou:
- "Ow mãe! O que é camisinha?"
Me sentindo ridícula, respondo:
- "Uma camisa pequena."
- "Não mãe! Não quero saber o diminutivo da palavra camisa. Quero saber o que é camisinha, tipo aquela do pacote ... Olla se chama."
Rezei para que abrisse um buraco no chão e fosse instantaneamente engolida.
- "Olla?", tentei disfarçar fazendo uma pergunta óbvia.
- "É."
- "E como é que tu sabe o nome disso, menino?"
- "É que eu vi uma propaganda, achei legal, toda colorida, com música e dizia assim 'com Olla the balada never ends'. Achei bem animado."
- "É?" [disse, enquanto rezava: terra me engole! Terra me engole!]
- "Aham! E daí, num dia que a gente foi na farmácia, tinha lá pra vender. E no supermercado também. Um pacote de várias cores ... tipo de alfajor, sabe?"
Juro que comecei a ter taquicardia. Eu juro! Me vi num paredão, agarrada pelos braços. De um lado um anjinho que me dizia "tenta disfarçar e explica de uma maneira simples pra ele o que é camisinha". Do outro, um diabinho que apertava meu pulso, girava meu braço e dizia: "maneira simples nada! Explica logo pra quê que serve e lista todos os sabores!".
- "Mãe! Manhê! Tá me ouvindo?!"
- "Tô! Só tava pensando numa coisa aqui ..."
- "Então ... tu não sabe? Nunca viu?"
- "Então ... eu sei ... mas eu não quero te explicar agora. Vamos fazer assim ... a noite, teu pai e eu te explicamos. Pode ser?"
- "Nossa! Deve de ser uma coisa bem estranha e complicada ..."
- "Não. Não é estranho ... nem complicado. Mas já estamos quase chegando na escola e não vai dar tempo de explicar tudo ... então, justamente pra não complicar ... a noite a gente te fala. Tá?"
- "Tá."
E aí deixei a criatura na escola e me senti ridícula por não ter conseguido explicar pro meu filho que Olla era uma marca de camisinha. Que camisinha é preservativo masculino. Que o homem usa para evitar gravidez na parceira e, sobretudo, doenças contagiosas. E que aquele saquinho que fica bem visível, praticamente na altura dos olhos das crianças nos estabelecimentos comerciais não é alfajor, não e é um produto para adultos.
Fiquei com medo de explicar e ser o primeiro tema de assunto quando o menino entrasse na escola. Pequeno é tagarela, tem a língua solta e como toda criança, não tem maldade nem malícia. Eu precisava ter explicado pro meu filho. Mas fiquei com vergonha. Pois é! Fiquei envergonhada.
Terra! Me engole, por favor!
Olá queridos!
ResponderExcluirVai pelo mais simples. Olha no fundo do olho e dá a real. Bem assim. É melhor para todos.
Bjusss
Renato Fraga
OIM-OMB
Amigos... Vão se acostumando e falando a verdade. Pior é quando eles perguntam a professora, porque em casa os pais não explicaram...
ResponderExcluirConselho: pega um preservativo, uma banana ... e mãos à obra! rs
ResponderExcluirBoa sorte! Bjs
Tio Beto_55