Passamos o final de semana em função da agenda do nosso Pequeno. Na verdade, quase sempre é assim. Mas este final de semana foi intenso.
Sábado teve festival de natação na escola onde Pequeno treina. Acordamos relativamente cedo para dar tempo da nossa criatura-atleta-nadadora tomar café com calma para relaxar e fazer a digestão antes de entrar para a piscina.
Pequeno voltou para casa feliz, com mais uma medalha para juntar-se a umas quantas que ele já coleciona. Todas ficam devidamente penduradas num troféu que ele ganhou do avô, há algum tempo.
Domingo também foi dia de acordar cedo. Desta vez para ir à missa. Pequeno começou a fazer catequese neste ano e hoje havia uma festinha de encerramento. Em outro post, num outro momento, escrevo sobre nossa decisão e a escolha do Pequeno.
Da igreja, correndo para casa, para dar tempo de tomar banho, comer algo muito rápido e, logo, sair para a festa de encerramento da escola. Final de ano é assim mesmo: festas e mais festas de 'encerramento'.
Pequeno estava super ansioso: pela fantasia, pela dança, por reencontrar os amigos (já faz uma semana que ele está de férias) e, por se apresentar, pela primeira vez, em uma casa de espetáculos "de verdade" (como ele diz).
Foi legal, como todas as apresentações de escola dos filhos. Aquela mistura de sentimentos: por um lado, felicidade por vermos nossos pimpolhos brilhando como verdadeiras estrelas (e, no meu caso, particularmente feliz com a realização do meu Pequeno). Mas por outro aquela mesma torração de paciência de sempre: pais e/ou mães histéricos por tirar a melhor foto, no melhor ângulo, nem que para isso atrapalhe a visão e até mesmo o bem-estar de terceiros; pais, mães, irmãos, avós, tias ou qualquer outro grau de parentesco ou afinidade que não calam a boca e não se dão por conta de que realmente estão atrapalhando; celulares que tocam aquela musiquinha irritante no momento menos oportuno; a câmera da gente que estraga e/ou no último momento nos damos por conta de que nosso zoom não combina com a distância na qual estamos sentados, ou a luz que não tem jeito com nenhum flash possível; aquela vontade quase que incontrolável de atirar o raio da câmera na cabeça da mãe que está sentada atrás e não para de resmungar na sua orelha ... enfim ... pensa na realização do filho, no rostinho de felicidade dele e ... relaxa!
Tumulto na hora da saída. Tumulto na hora de pegar a criança de volta. Tumulto para encontrar um taxi ... mas, logo, de caminho a casa. Então, em meio a dor de cabeça por todo estresse, dor nos pés, barriga roncando de fome e na cabeça a única certeza de que "no ano que vem não viemos, juro!", a criatura solta, quase suspirando, com carinha de felicidade: "não vejo a hora de chegar a festa do ano que vem ...". Pensa na realização do filho, no rostinho de felicidade e ... relaxa!
Paradinha estratégica em casa para a criatura tirar a fantasia e sairmos em busca de algo para comer: em pleno domingo, decisão se Vasco cai ou não, 17hs da tarde. Fomos no "santo" boteco de quase sempre. Alguns vascaínos tímidos por lá, alguns flamenguistas doidos para sacanear os vascaínos e um que outro torcedor do flu dividido entre perder ou não perder, doidos -também - para sacanear os vascaínos. No meio de tudo isso, Pequeno, sem nenhuma noção de perigo, querendo briga porque não estavam passando o jogo do Grêmio.
Ah! Soma, também, em todo esse panorama, uma crise de sinusite das brabas. Na mãe da criatura.
Num plano meio maquiavélico, Pequeno e seu pai decidem sair do boteco e passar na livraria. Algo "rapidinho", só pra encontrar um livro de filosofia para o Pequeno. Sem opção da mãe voltar voando para casa e se atirar na cama (eles fazem chantagem emocional e eu sempre caio!), seguimos os 3 para a bendita livraria (só para resumir: o rapidinho não foi rapidinho e o livro que queriam não foi encontrado. Mas, buscaram outro).
No caminho, passamos por uma banquinha onde havia alguns animais para adoção, mais precisamente gatinhos. Pequeno insistiu para dar "só uma olhadinha". Disse que era melhor nem olhar, para não ficar com vontade. Insistiu argumentando com o pai o motivo pelo qual não tínhamos um gato (animal preferido dele). O pai argumentou que não tínhamos um gato porque simplesmente não temos com quem deixá-lo quando saímos de viagem para visitar nossas famílias e que hotel para gatos, por um longo período, era muito caro.
A solução do Pequeno foi simples: "a gente leva junto na viagem, ué!". Então, o pai argumentou que "levar junto, ué!" também saía caro.
A mãe da criatura, que já estava com o nariz ardendo até não poder mais, com os olhos lacrimejando e uma dor de cabeça terrível, deu a conversa por encerrada. Algo típico de mães estressadas: "Porque não e ponto final."
Bom, por encerrada até Pequeno insistir num argumento:
- "Poxa! Que vida é essa? Quero ter um irmão e não tenho. Quero uma irmã e não tenho. Quero um gato e não tenho. Isso não é justo."
Tive vontade de começar a berrar no meio da rua:
- "Caramba, menino! O que não é justo é ter que levantar sábado cedo e morrer de calor enquanto te espero nadar. Acordar cedo no domingo também, enquanto meu desejo era dormir até o meio dia (séculos que não sei mais o que é isso!). Não é justo aguentar tudo o que aguentei hoje a tarde para te ver dançar 2 ou 3 minutos. Ou, ao invés de ir pra casa me atirar na cama, vir em busca de um livro de sabe-se lá quem para que uma criatura de 8 anos comece a entender um pouco de filosofia. Ou ... ou ... ou ..."
Pensa! Pensa que a criatura até tem razão nos argumentos, você também gostaria de ter um gato. Sobre o irmãozinho ... esquece! Sem condições. Mas pensa que ele tem razão, fica com dó do semblante sério. Lembra da cara de realização e felicidade? Então ... relaxa!
E, para relaxar mesmo, o vídeo da apresentação (que ficou sem foco e tremido), mas dá pra ver minha ararinha azul (da esquerda para a direita, o primeiro de azul) num gingado típico dos gringos no carnaval brasileiro ;)
Ohhh que linda "Ararinha azul"��������
ResponderExcluirUfa!! Cansei só de ler, com a maratona do Nicolinha. Maratona esta, que ele sempre tira de letra!! Sempre nos encanta com suas tiradas inteligentes. Imagina, depois de ser introduzido à filosofia...
Tudo sempre vale à pena!
Adorei! Sobretudo o "Poxa que vida é essa... "
Promete rsrs
Baciones, Bella amica!!
Deus siga lhe abençoando junto aos seus Nicolas!