Deixamos para trás um calor de 40°, entramos no avião com destino a Roma cheios de ansiedade. Apesar de ter sido um vôo noturno, dormimos pouco, bem pouco. Eu adoro viajar, não sinto medo nenhum por voar (pelo contrário, amo!), mas tenho que dizer que está cada vez mais complicado fazer uma viagem tranquila, fisicamente falando. Não consigo dormir, dor nas costas, incômodo, angústia por chegar logo, tenho achado comida de avião um saco e acompanhar a viagem pelo monitor tem me parecido um tédio.
Dos 3, Pequeno era o mais ansioso. Irradiava felicidade e contava as horas que faltavam para ver a nonna. Nem tomou o café da manhã no avião.
- "Prefiro esperar pra comer o leite com biscoito da nonna."
O choque térmico foi "só" de 40° (sim, quarenta graus de diferença - haja resistência!). Pequeno, vestindo dois casacos, antes mesmo do leite com biscoito, foi pra rua aproveitar um pouquinho de neve que tinha no quintal da nonna. E ele fez bem, porque logo a neve desapareceu e não deu mais as caras, apesar de todo frio que nos acompanhou durante nossos dias por lá.
Eu e marido aproveitamos e, como já de costume, deixamos Pequeno com a nonna e fomos curtir 1 dia e 1 noite solitos em Roma. É incrível a relação que mantenho com aquela cidade. De um lado, um saudosismo que chega a doer: saudade de andar a pé pelas ruas cheias de encanto, de gente, de história; sentar na frente do Panteon como se estivesse curtindo o jardim de casa; ir no pub "de sempre"; beber um vinhozinho no bar "de sempre"; curtir as vitrines da Via del Corso; reconhecer o trajeto dos ônibus; visitar o antigo local de trabalho do marido e bater papo com as pessoas; me emocionar com a beleza do céu de Roma, com o azul único que ele tem e os entardeceres lindos. Mas, por outro lado, me irritar com o trânsito maluco, com as pessoas estressadas e mal educadas, reconhecer que o metrô de lá é bem pior que o do Rio (rá!). Sigo mantendo a mesma relação amor x ódio de sempre. Mas também sigo tendo a sensação de que sempre que volto por lá, volto pra casa.
Pequeno não se importou em ficar a maior parte do tempo por casa. Curtiu os primos (não tanto quanto ele desejava porque todos estavam na escola - nada de férias por lá - estão em plena metade do ano letivo). Mas ele curtiu todos os mimos possíveis da nonna. Dormiu com ela todas as noites, monopolizou a TV, curtia a cama até mais tarde, tomava leite com biscoito na cama e, ainda com a ajuda da nonna, "matou" o banho sempre que deu (muito frio, meu menino tropical já desacostumou!). Eu e marido também curtimos longos dias de relax, silêncio, tranquilidade e o carinho e companhia da sogra.
'Meus meninos' resolveram que queriam, ao menos uma vez na vida, assistir a um jogo do time deles: Juventus. Organizamos uma viagem a Turim pra conhecer a cidade mas, nada por coincidência, também para assistir um jogo. Talvez o meu 'menino grande' tenha sido aquele mais motivado.
Adorei a cidade! Adorei a arquitetura (apesar de uma aparência escura - talvez seja impressão por conta do inverno). Pessoas bonitas, elegantes, educadas - até me espantei quando um carro parou na faixa de pedestres para que atravessássemos. Durante o dia um frio que se podia aguentar. Tivemos a sorte de contar com dois dias ensolarados. Mas durante a noite, quase congelei no estádio. Foi super especial levar Pequeno ao Museu Egípcio. Uma das minhas viagens inesquecíveis foi a que fiz ao Egito, levando Pequeno ainda na barriga. Foi legal reviver parte da história daquela terra, explicar e contar coisas que vimos. Especial, também, foi o interesse e atenção que ele demonstrou.
Logo voltamos para casa da nonna, para curtimos os últimos dias de férias em sua companhia.
Marido adorou ter "fugido" do Rio em época de carnaval. Mas não escapou do carnaval, porque lá também teve desfile: com frio, com chuva e um pouco diferente, mas carnaval. Eu abandonei o desfile logo que pude. Motivo: pés congelados, que logo descongelaram quando os coloquei grudados na lareira. Digamos que frio e chuva não seja uma combinação perfeita para farrear carnavalizando por aí. Pequeno apareceu logo depois, chorando, com os dedos das mãos congelados. Achei graça do desespero dele.
Porém, logo chegou o momento de despedidas. O momento mais difícil. E, desta vez, bem mais do que as outras, foi mais complicado dizer um "até breve" e consolar Pequeno que ficou aos prantos e não queria desgrudar da nonna. Infelizmente, como expliquei pra ele, sempre conviveremos com a saudade, seja de cá, seja de lá.
Dá uma dor enorme ver que os sobrinhos cresceram e não acompanhamos. Uma tristeza de não ter conversado com os cunhados todos os assuntos que ficaram no tempo. Uma pena ter que dar "tchau" pra nonna e não curtir mais a companhia dela, seus quitutes, suas histórias, suas novelas.
Apesar de ter tantos aviões que nos levam e nos trazem, eles não são capazes de amenizar essa danada da saudade. A gente nem bem chegou e já conta os dias que faltam (que ainda nem sabemos quando) para voltar.







Ai que delicía! Dificíl essa vida dividida com familiares em países diferentes. Bem que essas viagens poderiam ser mais curtas e mais baratas né? Bom que todos aproveitaram mesmo com a diferença climática.
ResponderExcluir