Negrinho era o nome de um dos cachorros dos meus pais. Digo "era", porque Negrinho morreu, há poucos dias atrás. Estávamos na Itália quando minha mãe deu a notícia por telefone. Pequeno ficou aos prantos.
Ele não tem afinidade com cachorros. Na verdade, ele tem medo de cachorro. Medo do tipo de paralisar quando avista algum cachorro pela rua. Nunca teve nenhum problema com os caninos, nenhum cachorro o mordeu nem nada parecido. Um medo sem explicação. Pronto.
Mas com os cachorros dos meus pais ele acostumou. Negrinho e Foguinho (o outro cachorro) eram seus amigos. Foguinho é mais carente, vive pedindo carinho, um salsicha simpático e meloso. Negrinho fazia o tipo mais durão, por vezes brabo, mas conforme foi ficando velhinho, foi aprendendo a deixar-se querer também.
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| Foguinho e Negrinho |
Sempre que íamos ao Sul, Pequeno realizava um pouco do sonho de ter um quintal e um cachorro. Corria pelo pátio com os cachorros em volta, roubava pão e biscoitos para dar-lhes.
E assim, Foguinho, Negrinho e alguns outros poucos cachorros da família conquistaram o carinho, a simpatia e a confiança de Pequeno.
Negrinho morreu velhinho. Da última vez que fomos ao Sul já pudemos perceber que a idade havia chegado: dificuldade para caminhar, pelos brancos, perda de dentes. Ele já quase nem se dava ao trabalho de brigar com Foguinho, seu fiel escudeiro, por conta das migalhas de pão. Não se estressava por conquistar e manter seu espaço de cachorro de guarda. Já não resmungava, latia, nem brigava.
Desde a notícia da morte do cachorro, Pequeno, sempre que pode, fala dele, lembra dele e chora - porque ele é sentimental demais esse meu menino! Não adianta dizer que ele está no céu dos animais, que ele morreu porque estava na hora dele, já estava velhinho, que a vida é assim mesmo, todo mundo um dia vai morrer (sim, eu falo isso pra ele, simplesmente porque é verdade) ou porque ele não deve falar sempre no cachorro pra deixá-lo descansar em paz, etc.
Nesta semana, após fazer o dever da escola, Pequeno me chamou para que desse uma opinião. Um dos temas era fazer um desenho de algo ou alguém especial e, logo, escrever características e sentimentos que o desenho representava. Após, fazer um texto ou verso com as características e sentimentos escolhidos.
Ele fez um desenho do Negrinho. Sem pensar muito, escreveu as características e sentimentos que expressava pelo cachorro. E fez um verso coisa mais fofa deste mundo:
Pedi, então, para que lesse para mim:
P.S.: por problemas técnicos, não consegui editar o vídeo. Inclina um pouquinho o pescoço que dá pra ver direitinho ;)


Oh meu Deus, tadinho! Logo a tristeza passara e na memória dele ficara só os bons momentos que ele passou com o seu amigo, Neguinho.
ResponderExcluirE que verso mais lindo é esse, minha gente?!
Muitos bjus no pequeno.