Quem disse que seria fácil?

Dia desses, buscando um vídeo antigo que queria enviar para minha sobrinha, acabei encontrando outros tantos vídeos de momentos que até já havia esquecido. Vídeos e momentos de um Pequeno recém chegado na Itália, com um pouco mais de 1 ano de idade. Uma fasezinha complicada de mudanças, descobertas e, talvez, a fase mais arteira do Pequeno: a fase que tirava tudo do lugar, a fase em que descobriu armários e tirava tudo de dentro, inclusive sacos de comidas que insistia em derramar pelo chão (o de farinha era o preferido).

Como nada nesta vida é "por acaso" (assim penso!), a descoberta desses vídeos e sua consequente lembrança desta fase, veio no momento mais oportuno possível.

Estou há algum tempo sem escrever no blog porque ando estressada com o Pequeno. Estamos numa fasezinha difícil, complicada, onde minha paciência (praticamente inexistente) vem sendo testada diariamente.

É discussão por conta do estudo (e da preguiça e  lentidão dele para estudar). Decidi simplesmente deixar toda a responsabilidade de estudo nas mãos dele. Não quer estudar? Não estuda. Não quer rever matéria para prova? Não revê. Sigo apenas exercendo um "controle fictício" (do tipo 'não tô nem aí, mas tô de olho') com respeito aos deveres de casa. O resto é por conta dele. Nesta semana veio o boletim e a nota mais baixa do danado foi 9,3. 

Tem discussão por conta da bagunça diária. Todos os dias, no quarto dele, parece que aconteceu uma guerra. Na verdade, o chão do quarto parece um campo minado, tem que prestar atenção aonde pisa, senão ... lá vem algum bonequinho ou pecinha de Lego furando o pé. É papel misturado com carrinho, bola jogada pra lá, bonequinho do Star Wars  espalhado pra cá, fora os brinquedos que ele mesmo produz (tipo arenas de futebol fictícias, caixas de papelão que ele customiza). E se ameaçar jogar alguma coisa fora ... pronto! Daí vira guerra mesmo.

Também tem discussão por conta do geniozinho difícil. Quer dar pitaco em tudo, pra tudo tem argumento e quer ter sempre razão. Chora com muita facilidade e se estressa mais facilmente ainda.

O último grande estresse foi na escola. Fez gol num coleguinha, o coleguinha não gostou e começou a insultá-lo. No auge da discussão, Pequeno, então, começou a chorar e, gritando, disse que queria morrer. Nunca recebi tanto Whatsapp de mães da escola (muitas nem conheço pessoalmente) dizendo que os amigos chegaram em casa preocupados com o Nicola porque ele "queria morrer". Conversei com ele em casa e fiz questão de ir conversar na escola, com psicólogo, coordenador, professor, quem pudesse me ajudar. A resposta foi a que eu já deveria saber: "seu filho é um ótimo aluno, um menino super educado, respeituoso, quem dera todos as crianças fossem como ele! O que aconteceu é que ele se sentiu atacado, na verdade, queria "matar" o amigo, de tanta raiva. Mas ele não consegue machucar o próximo ... então, como ele queria acabar com aquele momento, a solução foi dizer que queria "morrer". Só isso! Não se preocupe!".

Fiquei pensando ... se isso tivesse acontecido comigo quando era pequena, muito provavelmente teria entupido meu colega de socos, muitos socos e ainda o ameaçaria: "se fizer queixa, amanhã apanha mais!". Sim, gente! Eu fazia isso.  Era trombadinha total. Mas aí, a gente tenta criar um mundo melhor, filhos em nossa versão melhorada ... dá nisso!

Foi difícil explicar para Pequeno que, mesmo ele tendo razão (afinal ele não fez nada demais), sua atitude exaltada fez com que a perdesse. Passamos alguns dias num clima "estranho" dentro de casa. 

Mas diariamente ele vem nos colocando à prova. Testo diariamente meu limite de paciência e, juro, tento estendê-lo o maior número de vezes possível. Tento ser divertida, tento ser solidária, tento ser compreensiva, tento argumentar tudo o que é possível ... até que chego no meu limite. Já tentamos conversas, castigos, listinha de deveres, listinha de deveres ligada com o valor da semanada (fez ganha, não fez perde). Mas as vezes parece que ele não está nem aí. E as vezes parece que esquecemos que ele ainda é apenas uma criança.

Reconheço que Pequeno não faz a metade das estripulias que eu fazia. Eu era mal educada, metida, brigona e chata. Pequeno tem um coração bondoso e enorme, me enche de orgulho em dizer que é um menino super bem educado (e por instinto mesmo, nada que o tenhamos obrigado), é gentil, um filho carinhoso, amoroso, me enche de mimos e cuidados. Final de semana passado tivemos festa junina no condomínio e ele recebeu vários elogios dos vizinhos. Fico, de verdade, até com vergonha de reclamar de alguma coisa. Me sinto ridícula!

Ver os vídeos das artes do Pequeno ainda bebê foi quase como ter alguém ali tocando na ferida, dizendo: "Olha, meu bem! Lembra que você reclamava dessa etapa? Das fraldas que tinha que trocar, da hora para comer, da bagunça dos armários? Dos estresses quando o menino insistia em comer cebola? Tirava todos potes, pratos e panelas pra brincar? Lembra quando ele descobriu o lápis e riscou todo o chão? E os móveis? Lembra dele subindo na televisão? Dele furando o bolo de chocolate? Lembra da casa bagunçada constantemente? Hoje você sente saudades, parece que faz uma eternidade, mas nem faz tanto tempo assim. Hoje acha engraçado e sabe que tudo aquilo era apenas ele descobrindo a vida. Então, seja paciente, o máximo que puder, e deixe-o seguir nessa descoberta, assim como algum dia você o fez."

Tocar em feridas dói. E não tem Merthiolate que dê jeito ...


2 comentários:

  1. É um amado esse meu primo! Amei o vídeo, não lembro de ter assistido ele antes <3

    Beijo da beta.

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  2. Pois é ... muita coisa ficou "perdida" pelos hd's externos da vida :/ Nesta época ainda não tinha recuperado o blog.
    Bjokas, Beta!

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