Passei a entendê-la melhor quando me transformei na dele. Ela esteve ao meu lado me ensinando, novamente, a dar os primeiros passos.
Lembro até hoje de ter chorado na primeira vez que cantei para ele uma música que ela cantarolava na minha infância. Nesse dia percebi que coisas que antes nem tinham muito sentido, a partir daquele momento me dariam muitas respostas. Então, reconheci pedaços dela em mim que apenas por instinto repassava para ele.
Desejo não cometer com ele os mesmos erros que ela cometeu comigo. Mas quando percebo, estou dando as mesmas broncas que ouvia. E acabo sentindo a mesma dor no peito que, provavelmente, ela sentia.
Quando seguro a mão dele, dá uma saudade da mão dela segurar. Do beijo dela ganhar, do colo dela para me acalmar.
Quando recebo carinho dele, olhares cheios de amor e frases clichês que acalmam meu coração, fico pensando se naquela idade conseguia transmitir o mesmo para ela. Se aproveitei bem a ingenuidade e a sinceridade para o amor que só os pequenos tem.
Faço cálculos sem sentido para saber quantos anos ele terá quando eu tenha a idade dela. E peço ao Universo que a proporcione muitos e muitos anos mais. Eu tinha medo, quando era pequena, de que ela não me visse crescer. Nesses dias sorri quando ele disse que tinha medo de me perder.
Fico desejando que ele cresça logo, que trilhe seu caminho, faça sua vida. Mas ... e se ele fizer o mesmo que eu fiz? Se for embora, pra longe? E se entre a gente tiver a distância de um oceano assim como um dia teve entre ela e eu? E se ele conseguir me ver apenas uma vez por ano? E perder momentos comigo, não estar nas celebrações e nem nos momentos difíceis? Quantas rugas novas ele vai deixar de ver? Será que ele vai sofrer com cada abraço de até logo, mesmo sem saber quão logo será?
Talvez neste dia eu a entenda realmente. Todas as preocupações, os medos, as angústias, as dores, os choros no telefone, os conselhos que pareciam sem sentido (tipo, "te cuida, minha filha!").
No espelho, vejo muito dela em mim. Nas fotos dele, vejo muito de mim ... nele.
No espelho, vejo muito dela em mim. Nas fotos dele, vejo muito de mim ... nele.
Quando a analiso vejo traços físicos incrivelmente parecidos: o mesmo queixo, as mesmas pernas, a mesma falta de cintura (sacanagem, né?!), o mesmo tom de voz, percebo jeitos, manias. Quando olho pra ele, percebo o mesmo olhar que o meu, o mesmo gênio difícil e impulsivo, as mesmas brincadeiras imaginárias que fazia e fico feliz e aliviada em ver nele a minha versão melhorada. Será que ela via isso em mim também?
Quando escuto frases do tipo "Tu é linda como uma rua asfaltada!", "Te amo daqui até o não fim do fim do infinito!", "Tô com fome!", "Tô com dúvida no dever da escola.", "Corre aqui, vem ver meu cocô!", "Tô com febre!", "Cadê minha roupa?", "Tô com medo!", "Eu não quero que tu morra!", "Tu tá ficando meio velha!", "Tu é chata!", "Tu é minha mãe preferida!" ... eu fico pensando ... que sorte que na minha época não existia blog. Se bem que renderia ótimas histórias também!
Quando escuto frases do tipo "Tu é linda como uma rua asfaltada!", "Te amo daqui até o não fim do fim do infinito!", "Tô com fome!", "Tô com dúvida no dever da escola.", "Corre aqui, vem ver meu cocô!", "Tô com febre!", "Cadê minha roupa?", "Tô com medo!", "Eu não quero que tu morra!", "Tu tá ficando meio velha!", "Tu é chata!", "Tu é minha mãe preferida!" ... eu fico pensando ... que sorte que na minha época não existia blog. Se bem que renderia ótimas histórias também!
Ser mãe é conviver com medos, dúvidas, angústias e receios. É superar traumas e carregar o peso da responsabilidade de ter dado vida a alguém e, durante muito tempo, ser responsável pela formação do seu caráter e sua índole. É saber que muito da vida dele depende das nossas condutas também.
Ser mãe é um aprendizado constante. E para ser a mãe dele aprendi muito com a minha. E eu acredito que ela pense o mesmo que eu: que ser mãe é uma aventura incrível!
Ser mãe é um aprendizado constante. E para ser a mãe dele aprendi muito com a minha. E eu acredito que ela pense o mesmo que eu: que ser mãe é uma aventura incrível!

Só vi o post agora (agenda lotada! rs)
ResponderExcluirNa declamação de uma poesia gaúcha no jantar do Murilo, me dei conta do quão simples é o nosso relacionamento com a mãe:sabe por quê sempre achamos que ela não tem razão? Simples ... não sobra! Ela É TODA a nossa razão de viver.
Parabéns pela bela mãe que te tornaste. Deus te ilumine.
Bjão. Fiquem com Deus.
Tio Beto_56